Filho da Mãe, entrevista

Filho da Mãe

A conversa com Filho da Mãe, a propósito da actuação no Festival Rescaldo

Acaba de figurar como um dos nomes mais sonantes da 6ª edição do Festival Rescaldo, pisando o palco da sala mais importante do Festival – o pequeno auditório da Culturgest. A conquista deve-se à rapidíssima ascensão, no ano que passou, a um patamar de quase unanimidade acerca do carácter imprescindível e desarmante da sua música. O disco “Palácio” trouxe ao mundo todo o seu domínio técnico aliado a um lirismo poético que conduz os ouvidos ao nível primordial das emoções. Sem dúvida, uma aposta segura do Rescaldo, o festival que abre espaço para projectar artistas no sentido de alargar e enriquecer os horizontes da criação musical contemporânea em Portugal.

A Rua de Baixo esteve à conversa com Rui Carvalho, o homem por detrás do pseudónimo Filho da Mãe.

Qual a sensação de ter um lugar guardado na melhor sala do Festival Rescaldo? O que significa isso para Filho da Mãe?

Nunca toquei nesta sala. É claro que aprecio a oportunidade, acho que será compatível com o som que faço.

Em 2012 foste convidado a fazer parte do Misty Fest, sob o tema “Novas Guitarras portuguesas”. O que tem a guitarra de Filho da Mãe de novo para nos mostrar? O que podemos retirar dela?

Não seria próprio se fosse eu a encaminhar uma resposta dessas. Acho que as pessoas que ouvem conseguem fazer isso por si próprias bem melhor que eu. Para mim é uma questão de retirar alguma coisa lá de dentro e cá de dentro. O que tem de novo ou não é menos importante do que me faz sentir quando a toco. Algumas das coisas, embora novas neste tipo de registo (pelo menos para mim), já eram velhas em mim, mas sem nunca ter a ideia de as cristalizar num álbum.

“Palácio” é o primeiro álbum e o que te desligou de outras bandas da quais fizeste parte. De que fala este disco? O que trouxe de novo à música que estavas habituado a fazer?

Não me desliguei de nada. Só deixei entrar ou essencialmente, sair, mais coisas. Novo é, ainda depois de algum tempo, estar ali sozinho.

Tens actuado ao lado de Tó Trips ou Norberto Lobo. Vês algo de semelhante com esses músicos?

Ainda não tive o prazer de tocar mesmo com o Norberto, mas a experiência com o Tó foi bem boa. Se haverá algo de semelhante em mim em relação a eles, enquanto músicos? O gosto pela guitarra, seguramente.

A crítica é unânime em afirmar que a música de Filho da Mãe chega muito aos sentidos. Onde vais buscar inspiração para fazer música para os sentidos?

É difícil responder a estas perguntas. A inspiração aparece depois de horas a tocar, revela-se, ou então já lá estava desde o início. Como em tudo, depende dos dias e às vezes duma boa conversa ou uma igualmente boa garrafa de vinho. Depende…

A aceitação lá fora tem sido tão boa como aqui?

Por enquanto não faço qualquer ideia.

Nunca consideraste juntar a prodigiosa guitarra a outros projectos portugueses, como fadistas ou outros cantores a solo?

Ainda não me tinha ocorrido, mas não ponho de parte uma boa desgarrada um dia destes.

Que novidades para 2013?

Entre outras que podem vir a juntar aquele grupinho do Maria Matos e ZDB, um álbum certamente.

Filho da Mãe actuou na passada sexta-feira, dia 8, no auditório da Culturgest. Concerto integrado na programação do Festival Rescaldo.



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