Filho da Mãe, Frankie Chavez & Tó Trips @ São Jorge

Filho da Mãe, Frankie Chavez & Tó Trips @ São Jorge (2.11.2012)

O resto do País merece ouvir o que estes "meninos" andam a fazer com as guitarras!

O festival Sintra Misty mudou de ambiente e apresenta agora novos locais, onde se podem ouvir os mais místicos artistas – tanto nacionais como internacionais.

No dia 2 de Novembro, na sala Manoel de OliveiraCinema São Jorge, o agora intitulado Misty Fest juntou três dos melhores guitarristas da actualidade: Filho da Mãe (Rui Carvalho), Frankie Chavez e Tó Trips. Um concerto único do trio de Nova Guitarra Portuguesa, para o qual as expectativas estavam bastante elevadas.

Às 22:15, Tó Trips dá início as hostilidades, tocando cinco músicas. A forma como toca guitarra é especial, o seu som é mais áspero e austero.

Cinco músicas tocou também Filho da Mãe, que entrou em palco com a guitarra em punho, afinando-a para a temperatura gélida do São Jorge (estava realmente muito frio dentro da sala!). É incrível vê-lo a tocar; o seu dedilhar e a forma como distorce o som da guitarra é especial, o trabalho de pedais é digno de ser ver. A forma como se embala na cadeira, parecendo estar possuído, faz com que o seu segmento seja repleto de tensão. O público já conhece o seu trabalho e reage quando apresenta «Helena Aquática», rasgando do um aplauso bastante longo e caloroso.

Terminadas as suas cinco músicas, entra Frankie Chavez. Talvez por também cantar, confessa-se a apreensão e curiosidade pelo que iria ser apresentado. No seu segmento, Frankie toca três guitarras diferentes. A slide-guitar e a guitarra portuguesa marcaram realmente a diferença. A forma como toca a guitarra portuguesa transforma-o num respeitável protagonista da contemporaneidade do instrumento mais nacional de Portugal. Ele reinventa o seu som, o seu ritmo, leva-a ao limite.

Juntam-se todos em palco, Tó com a sua guitarra mais “àspera”, Filho da Mãe com intensidade e Frankie com um som cristalino. A emoção de ouvir estes seres em conjunto faz com que seja difícil transpor em palavras o que se viveu neste último pedaço de concerto. Eles são a nata daquilo que se faz bem em Portugal no que toca a instrumentalidade. E ficar sem palavras é o mesmo que dizer que quem não assistiu a este concerto único, simplesmente perdeu um espectáculo que vai para além do que os ouvidos podem absorver, entra-se na alma e entoa no mais profundo do nosso ser.

Tocaram também cinco músicas em conjunto, saíram e tocaram mais uma, sendo que neste encore Filho da Mãe adverte que não sabem bem o que vão fazer. A culpa, essa, remete-a para quem aplaudiu de pé. Ouviu-se na sala que o que se estava a assistir era “ouro acústico”, e é verdade. Bem haja a quem decidiu juntar estes três, parabéns a Uguru Produções por mais um ano de festival, por mais uma aposta ganha.

Esperamos que este projecto da “Nova Guitarra Portuguesa” circule agora pelas estradas nacionais. O resto do País merece ouvir o que estes “meninos” andam a fazer com as guitarras!



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