Entrevista a Filipa Gomes

Entrou pela televisão adentro e a sua imagem carismática marcou o pequeno écrã. Falamos de Filipa Gomes, a apaixonada por comida que recusa o título de chef e que nos manda comer bem e ser felizes. Em entrevista à RDB, Filipa contou-nos como começou a sua aventura no mundo da cozinha e quem são as suas inspirações.

Quem é a Filipa Gomes?
É uma miúda (ainda é assim que me vejo) que nasceu em plenos anos 80, que cresceu no meio do campo, que é muito ligada à família e que ama comer e cozinhar. Acredito que a comida une as pessoas.

Quando e como começaste a cozinhar?
Quando fui viver com o meu namorado. Até aí havia muita gente a cozinhar em minha casa. Eu só me chegava à cozinha para fazer uns doces em dias de festa.

Da publicidade para a cozinha. Como se deu essa viragem?
Parece (e é) uma volta de 180º, por isso ou foi um acaso ou foi o destino. :) Eu trabalhava em publicidade há uns 6 ou 7 anos e desde que descobri o amor pela cozinha que esse passou a ser o meu escape. Aí eu podia fazer o que me apetecia e era muito gratificante. Entretanto, no início de 2013 o meu namorado soube do casting do 24 Kitchen, insistiu para que eu participasse e juntamente com uns amigos gravámos um video de uma receita minha. E foi assim que tudo começou!

O teu estilo, o teu à vontade e a tua personalidade contagiaram o país, através do “Prato do Dia”, no 24 Kitchen. Estavas preparada para este boom? Como foi lidar com este novo mundo?
Não, não estava nada preparada, porque eu nunca tinha projectado esta situação na minha vida. Mas fui aprendendo a lidar. E sempre com os pés bem assentes na terra. Não sou mais que ninguém e é importante respeitar as pessoas que estão do outro lado. É por causa delas que a “Filipa que cozinha na Tv” existe! Nem sempre é fácil, claro. Mas na maioria das vezes é muito bom. Considero-me uma grande sortuda por poder ver o meu trabalho reconhecido e por ser tão acarinhada pelas pessoas.

Ajudaste a descomplexar a cozinha, e isso certamente aproximou muita gente dos tachos. Ousaste e quebraste algumas regras na forma de cozinhar em televisão. Sentes que estás a entrar na história da cozinha em Portugal? De que maneira?
Quem quebrou realmente as regras da cozinha na televisão foram grandes chefs como a Nigella e o Jamie. Eles abriram portas para que pessoas como eu pudessem ter espaço para crescer e ser ouvidas com atenção. Não sou uma pessoa convencional no meu dia-a-dia, também não sou na cozinha. Mas gosto das coisas bem explicadas, para que, quem quiser reproduzir ou até inventar a partir dali, tenha bons resultados. Mas já agora aproveito para dizer que acho que este boom da cozinha está a criar um preconceito gigante nas pessoas: Parece que agora toda a gente tem de saber cozinha e se não souber já não faz parte do clube. Mentira. Toda a gente tem de saber kitar carros? Jogar à bola? Fazer bricolage? Ser modelo? Não, e a televisão esta cheia de programas desses. Então porque raio toda a gente tem de saber cozinhar? Sentem-se e aproveitem. O meu programa, mais do que culinária, é entretenimento. E não faz mal se a seguir não forem a correr fazer macarrons e souflés.

Qual é o teu objectivo na cozinha? Abrir um restaurante, por exemplo, está nos teus planos?
Não, de todo. Bom, a vida tem-me ensinado a não fazer grandes planos, portanto nunca se sabe. Mas para já, abrir um restaurante não é uma coisa que me apetece. Quero continuar a cozinhar e a comunicar. De preferência com estas duas coisas juntas. Eventualmente, separadas.

Que projectos tens em mãos para os próximos tempos?
Tenho um projecto que está a sair há 4 semana e ainda vai sair até ao final do Junho. São 6 suplementos, num total de 90 receitas minhas, gratuitas com a revista Flash. A colecção chama-se “Receitas para todos os Gostos” e todas as semanas há um tema novo. Estou super feliz com o facto de as minhas primeiras receitas em papel poderem chegar a Portugal inteiro de forma gratuita. Entretanto, há mais projectos na calha. Tenho mil ideias, algumas que estão já em banho-maria. A ver se vão para o forno e do forno para a mesa!

Quem são as tuas principais inspirações e referências na cozinha? Porquê?
Claramente o Jamie e a Nigella. São os maiores, grandes comunicadores e mentes criativas. Para além dos programas de televisão, o Jamie é a cabeça por detrás de projectos incríveis que estão realmente a mudar o mundo e a forma como as pessoas se alimentam. A Nigella, não sendo tão activista, consegue provocar a gulodice até na mais insípida das pessoas! E isso é saber comunicar. Depois há o Gordon Ramsey. Um mestre! E também adoro o Anthony Bourdain. Os projectos dele estão cada vez mais controversos e interessante. Não tem vergonha das opiniões que tem, nem das artérias entupidas à conta de comer porco com fartura e beber bem, e ainda consegue falar de assuntos seríssimos e actuais à boleia de coisas aparentemente inofensivas como “Ó para mim aqui sentado num food court na China”.

Que características atribuis à tua cozinha?
Autêntica, deliciosa e fácil.

Para saber cozinhar é preciso saber comer. Qual é o teu prato preferido?
Diria que sim. Já o contrário não acontece. Prato favorito… impossível responder.

Um dia perfeito na tua cozinha é quando…?
Os amigos se juntam, eu tenho tempo para fazer tudo o que tenho em mente e no final a loiça aparece lavada como que por magia.

Para ti, a cozinha é…?
Amor e alegria.



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