fimfa2011

FIMFA Lx 2011

A Tarumba realiza em Lisboa, de 12 de Maio a 6 de Junho, a 11ª edição do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, um projecto multidisciplinar de dimensão internacional, empenhado na promoção, divulgação e reconhecimento de uma área específica de expressão artística: o universo das formas animadas.

O FIMFA Lx afirmou-se nacional e internacionalmente, desde 2001, como um espaço de programação contemporânea, inovadora e alternativa, que se desenrola a partir de critérios rigorosos de qualidade e reconhecido mérito artístico. É sustentado por um conjunto amplo de parcerias de programação e descentralização, apresentando as formas contemporâneas de teatro de marionetas para um público adulto, mas não esquecendo o seu contraponto com as mais tradicionais. Espectáculos que revelam técnicas ancestrais estarão aqui em confronto com linguagens inovadoras.

No âmbito do seu programa de descentralização, o FIMFA Lx11 continua a desenvolver o programa de extensões com o objectivo de difusão dos espectáculos do Festival, estabelecendo parcerias com o Centro Cultural de Vila Flor – Guimarães, a Fundação de Serralves – Porto, o Teatro Municipal da Guarda – Guarda, o Teatro Virgínia – Torres Novas e o Teatro Viriato – Viseu.

Conversámos com Luís Vieira, director artístico do Festival, sobre a edição deste ano do FIMFA Lx.

De que forma os cortes orçamentais afectaram a programação deste ano do FIMFA Lx?

Os cortes orçamentais afectaram o Festival e A Tarumba. Principalmente porque queremos continuar a promover formação de qualidade e desejávamos apoiar a criação de artistas portugueses, em intercâmbio com artistas de outras nacionalidades. Mesmo assim foi possível lançar como previsto o Projecto Embrião, apoio à nova criação de espectáculos de pequenas formas. A nossa equipa é muito reduzida e a manutenção do FIMFA só é possível pela grande dedicação de todos e gostaria ainda de destacar o papel dos voluntários, pois sem eles e sem a ajuda de todas as instituições envolvidas nesta edição não seria possível nos moldes em que está desenhada.

O que gostarias de destacar da programação deste ano do festival?

Este ano iremos receber vinte e três companhias e criadores, oriundos de diversos países, como a Alemanha, Bélgica, Espanha, Estados Unidos da América, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Portugal. Os espaços de apresentação são o Museu da Marioneta, o Teatro Maria Matos, o Teatro Nacional D. Maria II, o Centro Cultural de Belém, o Cinema S. Jorge, o CAMa – Centro de Artes da Marioneta e, é claro, as ruas de Lisboa.

Gostava de destacar o espectáculo-instalação de abertura, da jovem companhia francesa Théâtre de l’Entrouvert, onde vamos ser surpreendidos com o seu sensível trabalho criativo, e levados à “luz de velas” por um percurso, onde seremos surpreendidos por marionetas, silhuetas, imagens, reflexos…

A não perder o espectáculo “Jerk” de Gisèle Vienne, que era algo que o FIMFA desejava apresentar há já algum tempo em Lisboa. Um espectáculo arrepiante, polémico, posso mesmo afirmar que está no limiar do suportável, com uma interpretação fantástica de Jonathan Capdevielle e com texto de Dennis Cooper, onde é abordado o universo de um serial killer, e que pensamos que não deixará ninguém indiferente e que não aconselhamos a pessoas sensíveis…

O Teatro de Marionetas do Porto volta a apresentar o “Capuchinho Vermelho XXX”, agora com Sérgio Rolo no papel de João Paulo Seara Cardoso, uma estreia que será emotiva para todos.

O novo projecto do grupo finlandês WHS, da autoria de Kalle Hakkarainen, cuja imagem foi escolhida para o cartaz deste ano do festival, vai surpreender-nos com o seu espectáculo que nos lembra o mundo surreal de David Lynch, numa sincronização perfeita com o vídeo, os últimos momentos do embate de um carro e a dilatação que produz no corpo e na matéria, depois deste choque. É magia “nova”: imagens estáticas ou em câmara lenta que julgávamos só serem possíveis de visualizar em cinema, acontecem agora no palco à nossa frente… e o ambiente sonoro de Samuli Kosminen, entrelaça-se neste universo de experimentação.

O grupo holandês TinkerTing apresenta o universo de um escritor com marionetas fantásticas… e há também muita música. A não perder uma inspirada adaptação da ópera “A Flauta Mágica” com uma orquestra ao vivo, dois marionetistas e um contratenor fantástico, em que recorrem a marionetas de luva e vídeo numa interessante conjugação, utilizando uma técnica semelhante ao grupo holandês Hotel Modern.

Os Jéranium & Man’Hu voltam com o seu peculiar projecto artístico e poético em volta dos objectos e da música, com um concerto-instalação que nos fará sonhar com máquinas sonoras e sensíveis. Os CaboSanRoque marcam um outro grande momento do FIMFA, um concerto de música que revela como a reutilização e transformação de maquinaria e de objectos podem produzir música, neste caso, a linha de produção de uma antiga fábrica de bolachas foi utilizada para a construção de uma orquestra mecânica completa. Os músicos são os novos operários. O Teatro de Ferro apresenta o seu último espectáculo, “Pandora”, bem como Madalena Victorino, num trabalho que alia objectos e dança. Camille Boitel… enfim e muitos mais, numa verdadeira maratona marionetística. Destaco ainda o Projecto Embrião com a apresentação de três pequenas formas por artistas portugueses.

No campo das actividades complementares realço a exibição do Documentário “Turnabout: The Yale Puppeteers” e a presença do realizador Dan Bessie. Um documentário histórico e comovente que recorda a vida de três artistas gay, Forman Brown, Harry Burnett e Roddy Brandon, que fazem parte da história do teatro norte-americano e muito em especial do teatro de marionetas. Viajaram pela América, durante setenta anos, com as suas marionetas únicas e canções satíricas e foram fundadores do Turnabout Theater, uma verdadeira instituição de Hollywood. Entre os seus fãs e espectadores estavam Greta Garbo, Charlie Chaplin, Albert Einstein, para além de muitos outros. Mais do que um documentário sobre estes três homens e a sua carreira de setenta anos como artistas e marionetistas, é uma celebração da diversidade e da vontade de fazerem o que queriam. O realizador Dan Bessie, sobrinho de um destes artistas, fez a sua carreira em Hollywood e no campo da animação trabalhou nos estúdios da MGM e em desenhos animados históricos como “Tom & Jerry”, “Spiderman” ou “Mr. McGoo“. Mas há também workshops… são vinte seis dias muito intensos!

Porque dizes que esta edição será uma das mais interessantes de sempre?

Para nós todas as edições são especiais, mas este ano, para além de artistas consagrados, o foque está na apresentação de jovens artistas de diversos campos artísticos que trabalham com e/ou sobre marionetas e formas animadas. Um teatro de Imagens, de objectos, do mundo.

Podemos afirmar que com a décima primeira edição o FIMFA entra na puberdade, mais rebelde e mais controverso do que nunca, e que uma era revolucionária irá tingir esta edição. Os espectáculos programados revelarão a múltipla presença da marioneta nas artes cénicas de vários países.

Marionetas, punk, música mecânica, autómatos, formas animadas, cinema, pintura, ópera, nova magia, vídeo, sombras, performances, morte, vida… Temas actuais controversos, projectos polémicos, a tradição vs contemporaneidade… Uma reflexão artística sobre estes pequenos seres e os seus manipuladores.

Nestes tempos conturbados aguardamos ansiosamente a visita de todos ao universo da marioneta contemporânea e das suas metamorfoses… Objectos, sombras, espelhos, reflexos, cabos eléctricos, dança, pintura, vídeo, numa infinidade de formas e conceitos que abordam a política, a literatura, o ambiente, a revolução, assassinatos… ficaremos atónito com o que pode ganhar vida perante os nossos olhos e com a imaginação destes artistas!

Quais são os objectivos deste ano a nível de público?

Este ano, à imagem das últimas edições, esperamos novamente uma grande afluência de público e salas lotadas. O festival tem em média 15 mil espectadores e, mesmo nesta situação de crise, contamos com o nosso público que tem apadrinhado verdadeiramente o festival e… já sentimos a grande curiosidade por esta décima primeira edição.

Qual a importância do festival passar por diversas cidades portuguesas?

Para nós esta questão é muito gratificante e extremamente importante e, por isso, todos os anos tentamos desenvolver o máximo possível a descentralização do festival. Para além do festival sair de Lisboa, revela-se muito importante poder mostrar o universo contemporâneo do Teatro de Marionetas a um maior número de pessoas possível e já que as companhias se deslocam a Lisboa, faz muito mais sentido partilharmos os espectáculos com os diversos públicos e instituições do nosso país.

O que mais posso dizer é que esperamos por todos nesta décima primeira edição, um festival que desejamos que seja uma partilha artística e, mais que tudo, de uma eterna descoberta desta arte milenar que nos continua a surpreender.

Ilustração de Isabel Salvado – RDB Portfolio – isabelsalvado@gmx.com



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This