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Fire Emblem Fates | Análise

A melhor série de estratégia por turnos está de volta à 3DS!

Fire Emblem Fates chega à Nintendo 3DS em três versões diferentes: duas versões físicas (Birthright e Conquest) e uma versão DLC (Revelation). Com elas regressa a melhor estratégia por turnos à portátil da Nintendo, num título cuja personagem principal se encontra no epicentro do conflito entre dois reinos.

Depois de personalizada a nossa personagem, um príncipe do reino de Nohr, é-nos introduzido o seu reino e – à boa fórmula básica de combate em Fire Emblem Fates – somos contextualizados sobre o conflito que perdura entre os reinos de Hoshido e Nohr. No meio de algumas personagens que vamos conhecendo a inicio e com as quais ganhamos empatia, rapidamente nos apercebemos que Garon, o rei de Nohr, não é propriamente um monarca bondoso na sua luta pelo alcance da vitória na guerra entre Nohr e Hoshido. A dada altura da história (e não vamos alongar-nos muito para não a estragar ao leitor), somos capturados pelo reino de Hoshido e tudo ganha novos contornos quando vemos o reino de Nohr a atacar de uma forma cobarde este reino. Quando se dá um novo confronto e voltamos a ver os nossos amigos de Nohr, somos obrigados a tomar a decisão que define para que campanha iremos: Conquest ou Birthright (com uma terceira alternativa em DLC, Revelation, mas que só ficará disponível depois de terminada uma das campanhas). O único problema aqui é que a sensação de escolha é ilusória. Para poder jogar a qualquer uma das duas primeiras campanhas há que possuir a versão respetiva do jogo, sendo que para o fazer em Revelation é também necessário o DLC. Um, claro, ponto negativo a apontar a Fire Emblem Fates que poderia ser solucionado com um pacote integral com todas as campanhas, conseguindo assim valorizar de uma forma tripla o mesmo produto. Algo que parecia a abordagem mais sensata em prol do consumidor mas que, economicamente falando, não o era para a Nintendo. O maior problema aqui prende-se com o facto de este sistema de venda obrigar os jogadores a investigar qual a campanha que querem terminar, ainda antes sequer de começar a jogar o jogo, de modo a que possam decidir qual a versão que devem comprar de Fire Emblem Fates. Isto é quase contraproducente, uma vez que esta investigação obriga a que os jogadores conheçam momentos importantes da história, os quais lhes deviam ter sido introduzidos pela via normal: jogando o jogo.

Não obstante, a verdade é que ambas as campanhas principais são fascinantes. Enquanto Conquest é mais dirigido, ao nível da jogabilidade, a jogadores já familiarizados com os anteriores jogos da saga Fire Emblem, Birthright é mais aconselhável aos recém-chegados. Seja como for, ambas as versões possuem momentos brilhantes e as personagens que compõem ambos os elencos, com algumas a aparecerem em ambas as versões, como seria de esperar, são profundas e possuem muita narrativa intrínseca que é empolgante de descobrir ao longo de toda a história. Narrativa essa à qual não poderia faltar a já habitual trama política tradicional da série Fire Emblem, assim como os dragões que, afinal de contas, são a principal razão para a divisão ideológica entre as duas famílias principais da história: Nohr e Hoshido.

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Como também já é habitual na série, Fire Emblem Fates desenvolve-se na jogabilidade como um JRPG de estratégia por turnos. O jogador move as personagens do seu exército como se de pequenas peças de um jogo de tabuleiro se tratasse e, a cada turno que terminamos, temos que aguardar que as personagens do exército inimigo façam a sua jogada. À medida que vamos jogando, conseguimos ver qual a distância que conseguimos avançar com cada uma das personagens através de uma grelha que vai surgindo no nosso ecrã. Essa mesma grelha serve ainda para perceber se conseguimos alcançar o inimigo com os nossos ataques. Pelo meio, podemos ir usando itens, melhorando os equipamentos das nossas personagens, ao mesmo tempo que os vamos evoluindo e tornando mais fortes. No que diz respeito a seu antecessor na saga, Fire Emblem Awakening, a maior diferença que os jogadores vão encontrar prende-se precisamente com as armas e o desaparecimento, em relação a este título, de uma mecânica que deixava os jogadores em fúria. Em Awakening, à medida que íamos utilizando as armas, elas acabavam eventualmente por se quebrar. Uma mecânica que obrigava os jogadores, muitas vezes, a carregar mais do que uma arma nas suas personagens e a gastar espaço precioso no inventário. Felizmente, em Fates esta mecânica foi completamente abandonada e as armas possuem uma capacidade de uso infinito. No campo de batalha podemos ainda beneficiar das relações entre as várias personagens que compõem o nosso exército. Relações essas que, em muitos casos se podem intensificar de tal forma que podem originar um casamento que, posteriormente, pode dar resultado a um filho que se junta à nossa equipa no futuro. Como novidade em Fates, existe ainda a presença de um castelo com várias mecânicas de jogabilidade que enriquecem a experiência Fire Emblem. Podemos desenvolver o interior do complexo com vários edifícios (em alguns deles podemos ainda comprar equipamento e outros acessórios) e onde teremos ainda os nossos aposentos privados. Por lá podemos convidar outras personagens e desenvolver relacionamentos que depois podem dar frutos no campo de batalha.

Ao nível da dificuldade, o jogador pode optar entre três diferentes níveis. No modo Phoenix, as personagens da nossa equipa podem morrer durante uma batalha, mas rapidamente estarão de regresso à vida. No modo Casual, todas as personagens que morrerem durante uma batalha regressarão no capítulo seguinte. O modo clássico, o preferido dos veteranos da série, torna tudo muito mais sério ao fazer com que, de cada vez que uma personagem morre num combate, a morte seja mesmo a sério e torne todos os movimentos no campo de batalha muito mais intensos e, obrigatoriamente, mais pensados pelo jogador de forma a elaborar as melhores estratégias. O modo clássico, também conhecido como permadeath, não é para todos e eu próprio, apesar de já jogar a saga Fire Emblem há alguns anos, dou por mim a jogar no modo Casual, muitas vezes porque simplesmente me custa demasiado ver algumas das personagens das quais aprendi a gostar a irem desta para melhor. Contudo, se realmente querem viver a verdadeira experiência de jogo Fire Emblem, há que jogar no modo Clássico.

Relativamente aos departamentos técnicos visual e de áudio, Fire Emblem Fates é uma pérola para a Nintendo 3DS. As animações CGI que surgem várias vezes durante a narrativa estão muito bem executadas, assim como os movimentos 3D das personagens. Dignas de destaque estão ainda as transições entre os planos 2D e 3D, ou seja, entre os momentos em que estamos a planear os movimentos das nossas personagens, no mapa a duas dimensões, e os momentos em que os ataques são executados já a três dimensões. As passagens estão de tal maneira conseguidas que nem parecem duas formas de representação diferentes. Aquilo que vemos no mapa a duas dimensões, surge depois nos cenários a três dimensões. Também a banda sonora é riquíssima com excelentes temas que insistem em ficar na nossa cabeça durante todo o dia. Apenas um ligeiro apontamento negativo a algumas vozes na dobragem em inglês, mas que podemos rapidamente desligar através do menu de opções.

Se és um daqueles jogadores que adorou a experiência de jogo de Fire Emblem Awakening na 3DS, então dar uma oportunidade a Fire Emblem Fates é mais do que obrigatório. A única ressalva prende-se com qual versão vais arrancar, uma decisão que tem de ser tomada antes do jogo. Se és um veterano da série, muito provavelmente encontrarás um maior desafio em Conquest, enquanto aqueles que ainda se vão iniciando na saga provavelmente se sentirão mais confortáveis em Birthright. Não obstante, há que investigar primeiro antes de comprar qualquer uma das duas e até equacionar, caso pretendam comprar ambas, assim como o DLC que merece bem a pena ser jogado, que a despesa para a carteira do jogador é bastante avultada para “um só jogo”. Não obstante, a verdade é que todos os sacrifícios são recompensados pela excelente construção da narrativa e pela jogabilidade clássica da série Fire Emblem que é já incontornável no mundo dos videojogos.



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