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FITEI sai à rua

Os destaques e iniciativas da edição 2010 do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica que também sai para a rua, com nove espectáculos em praças e ruas do Porto e Matosinhos.

Se as pessoas não vão ao FITEI, o FITEI vai às pessoas. O festival quer levar o teatro às pessoas que passam na rua, a caminho do trabalho ou de casa, surpreendê-las e envolvê-las no espectáculo. A edição deste ano caracteriza-se por uma “maior intervenção no espaço urbano”, antecipou à Rua de Baixo o director artístico do festival, Mário Moutinho. “É a grande mudança no festival deste ano.”

Além de mais espectáculos de rua, o FITEI tem nesta edição um projecto inovador: dar o nome de um portuense desconhecido a uma rua da cidade. A ideia é do Núcleo de Experimentação Coreográfica (NEC), que lançou um concurso para eleger um cidadão anónimo para baptizar uma rua, com o apoio da Câmara Municipal do Porto. Até 10 de Junho, qualquer pessoa de qualquer parte do mundo pode participar, enviando a candidatura com o nome proposto e a razão da nomeação através do site da iniciativa (ver link externo). No final, o júri vai decidir quem merece o reconhecimento público na cidade do Porto, e a rua será inaugurada no FITEI de 2011.

Este ano, de 28 de Maio a 10 de Junho, o FITEI vai andar nas ruas, com nove espectáculos em 11 locais públicos da cidade do Porto e Matosinhos. As companhias que asseguram esta vertente mais próxima do público são oriundas do Chile, Espanha, Reino Unido, Itália e também de Portugal. Todos os espectáculos de rua são de entrada livre, excepto “Emotikon”, da companhia Ados Teatroa, do País Basco, que tem limite de lotação, e para o qual é necessário levantar previamente os bilhetes grátis.

Mas não se fica por aqui: o festival estende-se mais uma vez às áreas circundantes do Porto, com representações em Matosinhos e zonas periféricas da cidade, bem como as já tradicionais extensões a cidades como Estarreja, Guarda, Vila Real, Bragança, Lisboa e  Santiago de Compostela.

Para ver também, há espectáculos em seis salas disponibilizadas para o festival. Tal como em anos anteriores, o FITEI conta com a parceria do Teatro Nacional de São João (TNSJ), que cede ainda mais dois espaços de espectáculos para além do seu: o Teatro Carlos Alberto e o Mosteiro de São Bento da Vitória. Mais espectáculos no Teatro Helena Sá e Costa, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett e no Cine-Teatro Constantino Nery, em Matosinhos.

Outros espaços incluem o Palácio da Bolsa, o Espaço de Intervenção Cultural Maus Hábitos e o Palacete Pinto Leite. É aliás neste último que se pode ver um dos espectáculos mais originais da edição deste ano – uma versão contemporânea do clássico “O Cerejal”, de Tchékov. “El Jardin de los cerezos”, da companhia espanhola Rayuela, de Valladolid, leva os espectadores a seguir os actores pelos salões, escadarias e quartos do Palacete. Um espectáculo diferente, em que os espectadores são também “um pouco voyeurs” das dificuldades financeiras da família aristocrata retratada pelo escritor russo, antecipa Mário Moutinho.

O festival arrancou na sexta-feira, dia 28 de Maio, no TNSJ (com reposição no Sábado, dia 29 de Maio), com o espectáculo “Hnuy Illa”, que junta pela terceira vez a companhia de dança Kukai à companhia de teatro Tanttaka.

No espaço Maus Hábitos, uma proposta interessante da companhia Le Théâtre de la Démesure. “Uma Grosseira Imitação da Vida” é o resultado de um projecto de residência em que os actores e encenadores vivem naquele espaço durante a preparação do espectáculo. A ver em récita única dia 8 de Junho, às 23h00.

E não há que ter medo do castelhano, garante Mário Moutinho: “O teatro ibérico tem a possibilidade de ser representado com plena compreensão da população portuguesa”, e para quem não se entende com a língua de nuestros hermanos, “os espectáculos mais complexos são legendados em português”.

Com uma média a rondar os 20 mil espectadores nos últimos anos, o FITEI continua a revelar novas companhias e projectos, e acolhe também novamente companhias presentes em edições anteriores, como a Companhia Teatral Kudumba, de Moçambique. Um festival que vai já na 33a edição e que este ano reincide na aposta de formar o público. “Só há uma maneira de criar públicos: é programar, produzir e criar produtos de qualidade e interessantes, e depois dar-lhe continuidade; é criar hábitos”, diz Mário Moutinho, director artístico desde 2005.

São 26 propostas de teatro, dança e artes performativas para descobrir no Porto, de 28 de Maio a 10 de Junho.

Destaques: Se não tiver tempo para mais, veja pelo menos estes três espectáculos recomendados pelo director artístico do FITEI: “A Descoberta das Américas”, da companhia brasileira Leões de Circo Pequenos Empreendimentos (31 de Maio às 21h30, Cine-Teatro Constantino Nery); “Dies Irae”, da companhia Marta Carrasco, de Barcelona (7 de Junho às 21h30, TNSJ); e o já referido “El jardin de los cerezos”, da companhia Rayuela (1, 2, 3 e 4 de Junho às 23h00, Palacete Pinto Leite).



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