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Fixed Gear Bikes

Too cool for my Bicycle (not!)

Quando me pediram para escrever um artigo sobre esta nova moda no transporte urbano, vi-me obrigado a confessar que não sou nenhuma entidade em bicicletas; Nem tenho sido assim tão cosmopolita ao ponto de ter tomado conhecimento desta nova moda in loco, perguntando-me o que estariam tantas bicicletas, que mais pareciam usadas na volta à França de 1979, a fazer estacionadas à porta das coffeeshops mais hips de Brooklyn, Londres ou São Francisco.

Tudo começou quando decidi que tinha de arranjar uma alternativa ao meu automóvel…à falta de estacionamento e às constantes multas da Emel. Com meia dúzia de cliques, 15 minutos depois já tinha umas 10 tabs do browser carregadas de fotografias e informação, mais ou menos técnica, sobre umas bicicletas vulgarmente denominadas de fixies, por serem muitas vezes Fixed Gear – em português, Roda Fixa. A Internet está cheia de sites densos em informação, imagens, pessoal a fazer truques e o chamado Bike Porn – que são fotos das bicicletas mais bombshell que possam imaginar (em algum bike porn até aparecem miúdas desnudas, mas sinceramente, who cares?)

Do ponto de visto mecânico estas bicicletas são muito simples. Cada vez que pedalam a roda gira, se pedalarem para trás a roda gira para trás. Muitas das vezes quem conduz uma fixie nem se dá ao trabalho de colocar travões na bicicleta ou colocam apenas o da frente. Para parar dão um impulso rápido para trás nos pedais o que resulta, se bem feito, em pequenas derrapagens que vão permitir controlar a velocidade e parar (dentro do possível).

Escusado será dizer que não é muito seguro e desgasta imenso os joelhos…para quem está com dúvidas, não aconselho andar sem travões – mesmo. Muitas das pessoas nem sequer pedala numa Fixed Gear, podem ter só uma mudança – Single-speed – usando um cubo com roda livre – Free Wheel. Por outro lado, uma mudança também dá pouca margem de manobra para uma cidade com as subidas e descidas que tem Lisboa, por isso podem sempre optar por cubos que já trazem três mudanças internas.

Quando decidi que queria ter uma fixie tive de optar por um dos quantos caminhos disponíveis. Existem imensas boutiques por essa internet fora que vendem bicicletas já montadas, sendo que o comprador tem mais ou menos escolha nos componentes. A maior parte destas lojas existe fisicamente em Brooklyn ou em Londres. Hoje em dia já há quadros a serem desenhados e produzidos para serem comercializados especificamente neste mercado, mas são sempre super inflacionados…se tivermos em conta que são de ferro e o design é em tudo igual a um quadro com 30 anos ou mais. O resto dos componentes deve ser mais ainda, há lojas que importam peças do Japão por motivos que fogem absolutamente à minha compreensão. Não esquecer que outro – grave – problema nesta opção são os custos de transporte e/ou alfandegários que fariam com que uma bicicleta acabasse por sair quase pelo dobro do preço.

Outra das opções é meter mãos à obra e recuperar uma bicicleta velha. Aqui têm de ter especial atenção ao quadro, principalmente se quiserem uma bicicleta sem esticador, neste caso têm de optar por um quadro cujo os dropouts – os encaixes da roda traseira – sejam na horizontal ou diagonal. As bicicletas dos últimos 10 anos têm os dropouts na vertical ou então são um furo, sem espaço para puxar a roda e esticar a corrente.

Nunca vão ter tudo o que precisam na bicicleta que comprarem, mas com sorte e mais meia dúzia de trocos conseguem mete-la a andar rapidamente, depois é uma questão de recorrer ao digging como qualquer coleccionador que se preze. Acho que é isto que tem dado tanta força a este movimento e que está a provar que é mais um hobby do que propriamente um hipster fad.

Dentro daqueles que preferem o recuperar, as peças vintage mais cobiçadas são os quadros Campagnolo, os hubs Sturmey-Archer e os selins Brooks…entre muitas outras marcas. Normalmente, tudo o que seja marcas inglesas, francesas ou italianas é muito hip e bem valorizado no ebay. Em Portugal as nossas escolhas são mais limitadas, principalmente porque não importávamos muita coisa até ao início dos anos 80 e então as bicicletas que ainda existem por aí perdidas são na sua maioria portuguesas. Algumas são de estrada mas há um número muito maior de pasteleiras, com muitas Yé-Yé ainda em uso por essas aldeias do nosso Portugal.

Depois de muito procurar encontrei uma bicicleta de estrada que me interessou num site português de classificados; pedi ao dono para fazer umas medidas, tirar umas fotos dos drop-outs e finalmente disse-lhe que estava interessado. No total gastei 90 euros – 75 na bicicleta e 15 euros de portes (veio do Porto para Lisboa). Quando chegou vi que era uma bicicleta Portuguesa porque ainda tinha alguns dos autocolantes com a marca. Procurei na internet e encontrei algumas referências.

Saudosismo à parte a bicicleta estava bem desgastada. Decidi que as rodas iam fora e acabei por ter de partir a pedaleira ao tentar tirá-la do quadro, optando por umas rodas mais largas para poder andar nas estradas esburacadas de Lisboa – sim, que aqui não é bem o asfalto de Brooklyn. Os cubos vão ser Sturmey-Archer e o da frente vai ter travão interno. O quadro está desmontado à espera que eu tenha tempo para o decapar e desenferrujar.

Enfim, ainda vou ter muito trabalho e gastar algum dinheiro, mas sei que vai valer a pena.



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