Florence and the Machine

Florence and The Machine @ MEO Arena (18.04.2016)

Se todas as segundas-feiras fossem assim, poderia-se mesmo dizer que os dias de cão tinham acabado

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Num concerto já marcado há algum tempo, Florence and The Machine voltaram ao MEO Arena para apresentar a mesma “How Blue Tour” do último Super Bock Super Rock. Desenganem-se no entanto aqueles que pensam que ver Florence Welch uma vez chega. Não só não chega como se fica sempre a querer mais, muito mais.

Ir a concertos numa segunda-feira é desafiante. Por um lado é o primeiro dia da semana (e decerto que todos entendem o que se quer dizer) mas por outro há aquela ansiedade para que a hora chegue e consigamos encerrar da melhor forma esse dia mal-amado. Às 19h45 ainda estava muita gente na zona de restauração do centro comercial que serve de porta de entrada para a maioria das pessoas que vão ao antigo Pavilhão Atlântico, o que faz prever uma entrada pacífica no recinto. Assim foi, e facilmente se chega ao primeiro terço da sala para ver Gabriel Bruce, a banda escolhida por Florence para fazer o aquecimento aos poucos que estavam na sala principal. Não aqueceram e penso que facilmente se desvanecerá da memória aquele som rock comum que parece pincelado a Nick Cave. Não encheram as medidas ou talvez estivesse o público de medida cheia do que comeu à pressa de forma a estar ali uma uma hora antes da banda principal. Seja como for, a banda está a acabar o seu segundo álbum, talvez no futuro se volte a ouvir falar deles.

21h02. Entram os 11 elementos que compõem a máquina guiada magistralmente por Welch.

E começam em grande com «What the water gave me» seguido de «Ship to wreck» e puxaram pelo público, que ao início do concerto acabou por compor de forma mais do que satisfatória a sala – não esgotou mas não deve ter andado tão longe disso. Chega «Rabbit heart (raise it up )» e é com «Shake it out» que a Arena se rende por completo a Florence Welch e à sua electrizante presença em palco.

Dotada de um controlo vocal irrepreensível, é quase mágico acompanhar as corridas, danças e espasmos que a cantora tem e de seguida a forma como se lança em notas mais longas. Deixa, quem está atento a estes detalhes, em suspense constante ao mesmo tempo que transmite a certeza de que nada vai falhar. E a verdade é que nada falhou; ao longo de uma hora e meia de concerto vê-se muito mais do que uma banda a tocar com uma vocalista hiperactiva, vê-se um concerto focado numa artista que dá muito mais do que a sua voz ao espectáculo, há toda uma performance que se complementa e que não é exagerada mas sim contagiante.

E o contágio é também emocional. Há uma ligação entre Florence e o público e isso sente-se. Sentiu-se principalmente quando contou que quando escreveu «How big, how blue, how beautifull» percebeu que mesmo depois de passar por uma muito má fase, essa má fase foi boa porque lhe permitiu estar ali, junto a este público e que isso faz com que seja bonito. Lamechas ou não, o público respondeu com um enorme aplauso… e balões em forma de coração que foram saltitando enquanto se ouvia «Cosmic Love».

Tempo para aquele agradecimento que deixa sempre a pulga atrás da orelha. Diz Florence que deram seis concertos em sete dias e que este foi o público mais caloroso. Seja como for é bom ouvir esses clichés, principalmente quando a nosso lado está um grupo de estrangeiros que não se calou o tempo todo. Faz mesmo com que acreditemos que Portugal tem um público respeitador e que reage bem às músicas. Falta agora validar essa teoria no terreno!

O concerto fecha com um encore de duas músicas: «The dog days are over» e «Drumming song».

Pouco menos de dúzia e meia de canções, cheias de energia e boa vibração para aguentar mais uma semana.
Se todas as segundas-feiras fossem assim, poderia-se mesmo dizer que os dias de cão tinham acabado. Com mais ou menos expectativas em relação ao concerto, pode-se garantir que Florence Welch deixa tudo em palco e por isso percebe-se a legião de fãs, o sucesso dos seus três álbuns e porque é considerada uma das melhores da actualidade.

Fotografia © José Eduardo Real

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