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Florence and The Machine

Aula Magna, 16 de Março de 2010.

Ao primeiro álbum, “Lungs”, lançado no Verão do ano passado, Florence Welch e os seus Machine já são um fenómeno apreciável em Portugal. O concerto estava esgotado há algumas semanas, o que se notou pela dificuldade em encontrar lugar para o carro e pela pequena multidão à porta da Aula Magna à espera dos amigos e pela hora do concerto.

Quando os Sian Alice Group sobem ao palco para fazer a primeira parte é altura de arranjar lugar sentado. Já não há muitos. Um grupo de amigos toma conta de três filas. Entretanto uns levantam-se para ir à casa-de-banho, beber uma cervejola e outros afazeres, enquanto outros guardam as cadeiras e vão gritando com os que estão duas filas à frente. Isto é um bocado chato para quem quer ouvir a primeira e bem interessante banda – descrevendo-os de maneira grosseira, são uns Siouxsie and the Banshees levados pela motorik do krautrock. Também é um desrespeito, mas já é habitual, muitos só prestam atenção aos Sian Alice Group quando Florence se lhes junta para tocar tambor (inaudível) na última canção.

A estrela da noite é indiscutivelmente Florence Welch e o público, rendido, presta-lhe vassalagem desde o primeiro momento. Acede a todos os seus pedidos, aproxima-se do palco, salta e canta, a dada altura parece uma marioneta nas mãos da cantora, que se diverte a ver até onde pode chegar. Mas o amor parece ser mútuo, Florence não se cansa de dizer como este concerto é a melhor maneira de encerrar a sua digressão europeia e de distribuir carinho pelos fãs mais próximos.

Não é fácil, por muito predisposto que o público esteja a isso, criar e manter este tipo de empatia. Florence adora ser o centro das atenções, a forma como a sua banda de apoio se veste toda de preto e fica lá para trás ou para os lados do palco, deixando-lhe a boca de cena e o foco das luzes só para ela, é ilustrativa. É deste material que se fazem as grandes estrelas pop e, ou muito me engano, ou Florence Welch caminha a passo seguro para lá. As flores postiças, a harpa, a diáfana camisa de dormir que veste, os pés descalços e demais excentricidades não escondem o propósito.

De qualquer forma, o rótulo indie é muito limitador (e até enganador) para Florence. A sua música é daquela que enche os grandes estádios (a Aula Magna foi demasiado pequena), são canções pop até ao tutano (são quase só refrães), orelhudas, grandiloquentes, que trazem à memória os U2 do início, os Killers actuais e muita canção dos tops dos anos 80. Não há espaço para subtilezas, os Machine estão lá para servir a voz grande e estridente (muitas vezes os agudos perdem em limpidez o que ganham em volume) da cantora e a teatralidade dos seus gestos.

Esta teatralidade, esta estridência, esta grandiloquência podem ser bastante eficazes – são-no na maioria das canções – e às vezes mais do que isso – a melhor canção foi a nova «Hardest of Hearts», que leva ao extremo todos estes aspectos  -, mas também podem resvalar para algum excesso de gordura musical à la Meat Loaf. Felizmente não aconteceu muito, o concerto teve poucos momentos mortos, mas por muita aeróbica que Florence faça em palco teme-se pelo futuro.

Resumindo e concluindo, o concerto de Florence and The Machine nunca foi menos do que agradável, e se musicalmente os Sian Alice Group são mais apreciáveis, Florence foi sempre mais interessante e arrebatadora. Veremos se o futuro nos reserva uma versão mais leve da Céline Dion ou uma artista mais aventureira.



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