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FMM Sines 2022 (29.07.2022)

A tarde de sexta-feira no Castelo de Sines voltou a abrir com gente de muitas e prementes causas, desta feita pela mão do Fado Bicha, que desde os direitos LGBT ao racismo, escarafuncharam diversos problemas sociais. A dupla Lila Fadista e João Caçador, acompanhados por Labaq que ficou responsável pelas restantes coisas a fazer em palco, foram trazendo o seu imaginário muito próprio para as suas canções, ou inclusivamente injectando-o em temas do cancioneiro popular, adaptando-as de forma bem inteligente. Uma das prestações mais surpreendentes e positivas do certame.

Fado Bicha.

Já sob o luar de sexta-feira, o Niño De Elche apresentou as suas acrobacias e experimentalismos vocais com base no flamenco, além de outras correntes tradicionais. Sempre honrado em transportar o nome da sua cidade para todos os cantos do globo, Francisco Molina, o cérebro e a voz super experimental por detrás do nome artístico, remexe nas sons mais tradicionais como se de plasticina se tratasse, não admirando portanto que estique os limites dessas sonoridades inclusivamente ao ponto de lhes adicionar alguma electrónica, exibindo por conseguinte o dinamismo e potencial das mesmas.

Niño De Elche.

Crystal Murray foi a senhora que se seguiu em palco que, jogando em casa dado que boa parte da sua vida decorreu em Sines, nos deliciou com um verdadeiro desfile da pop urbana actual. Por entre R&B e hip-hop, a francesa foi patenteando a sua veia de escritora de canções, com uma banda sempre auxiliou a projecção dessas mesmas qualidades, transmitindo uma aura de frescura às mesmas. Embora a sua discografia contenha apenas um EP ainda, escrito em Sines, Crystal Murray não deixou os seus créditos por palcos alheios, mostrando uma enorme presença defronte da multidão, que sempre aumenta ao fim-de-semana.

Crystal Murray.

Coube a Queen Ifrica e à sua banda fecharem as portas do castelo nesta noite, numa performance que foi algo errática. Pese embora o bom espírito das suas obras reggae, que nos aqueciam sempre num ritmo em lume brando, que tendia a torná-las mais saborosas ainda, a banda não parecia encontrar-se. Foram diversas as canções em que houve que repetir o início das mesmas, dado que algo falhava ou não se encontrava nas condições ideias para a rainha.

Com a energia que o alinhamento da noite nos doou, tivemos ainda energia de apreciar a prestação de Club Makumba, que assinam um dos discos mais valorosos do ano, no Palco Galp, na sempre aprazível Av. Vasco da Gama. O agrupamento liderado por João Doce e Tó Trips manteve a voltagem em altas, com a sua forte componente rítmica, burilada ao pormenor, e que mantém a audiência sempre em bicos pés. Os câmbios de cadência e as constantes repetições das melodias colocam o povo numa espécie de transe, conseguindo a proeza de nunca soar a cansado ou demasiado repetitivo.

Club Makumba.

Podem encontrar aqui as reportagens referentes a Quarta dia 27 de Julho, Quinta 28 e Sábado 30, respectivamente.



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