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Foder e Ir às Compras

“A partir do momento em que eu pago, nada disto significa nada.”

Em cena no São Luiz Teatro Municipal até 15 de Maio, “Foder e Ir às Compras” apresenta um texto de Mark Ravenhill encenado por Gonçalo Amorim. Em palco pela primeira vez em 1996, “Shopping and F***king”, foi duramente recebido pela crítica devido ao seu conteúdo sexual explícito.

“Foder e Ir às Compras” analisa de um modo, ora distante, ora emocionalmente comprometido a sociedade de consumo, ficcionando o extremo dessa ordem social ao apresentar um universo onde as relações humanas se medem em dólares e as pessoas são “objectos” que se podem adquirir no supermercado.

Ao pensar não apenas no corpo, mas na totalidade do ser como transaccionavel, descobrimos, com Ravenhill, uma forma contemporânea de escravatura: a escravatura da individualidade. A dado momento Mark, o protagonista, afirma tomado de pânico: “tenho tendência para me definir única e exclusivamente pela minha relação com os outros”. È esta tendência que o estabelecer de relações comerciais pretende evitar. A tendência de empatizarmos, gostarmos ou dependermos do outro.

Porém, na impossibilidade de materializar a alma como mercadoria, inevitavelmente a natureza das relações em torno dos protagonistas torna-se maioritariamente sexual. A violência sexual de “Foder e Ir às Compras” desvenda uma realidade em que o consumismo substitui todos os outros códigos morais.

São notáveis as interpretações de Carla Maciel, Carloto Cotta, Pedro Carmo, Pedro Gil e Romeu Costa, bem como o espaço cénico de autoria de Rita Abreu que, construindo em cartão cinza e despido de ornamentos, sublinha o vazio e a fragilidade que corroí a vida interior das personagens.



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