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For Honor | Análise

Uma das mais originais e cruéis experiências multijogador

A premissa principal de For Honor conta que, após um apocalipse e a consequente falta de recursos, três reinos (os Cavaleiros, os Vikings e os Samurais) tentam alastrar os seus domínios a novas zonas e o assunto é resolvido através de batalhas em que o combate é brutal. For Honor é um jogo de combate 1 contra 1, 2 contra 2 ou até 4 contra 4 num universo de ficção medieval. A Ubisoft sempre foi uma das minhas produtoras favoritas e isso muito se deve ao facto de ser formado em História. Por consequência disso mesmo, Assassin’s Creed sempre foi das minhas séries de eleição no mundo dos videojogos, graças à forma como recria os eventos históricos que todos conhecemos. Mas foi também por essa mesma razão que For Honor me deixou de pé atrás… Não que não fosse exequível o encontro entre estas três facções, mas nunca a esta escala e a verdade é que este jogo colocava tudo aquilo que me foi ensinado na minha formação num verdadeiro rebuliço. Mesmo assim, decidi dar uma oportunidade a For Honor e acompanhei-o desde a fase de closed beta até ao seu lançamento oficial.

O sistema de combate é bastante único e muitas vezes semelhante a um jogo de luta, onde alternarmos entre ataques leves ou fortes, agarrares, ou mesmo entre o esquivar e o executar de combinações de ataques. Mas a chave da especificidade de For Honor está na forma como nos podemos inclinar para três posições distintas: esquerda, direita e cima. É através delas que definimos a partir de que lado atacamos o nosso inimigo e em que direcção bloqueamos os seus respectivos ataques. O combate resulta de uma forma estrondosa e cada combate resulta numa história para contar mais tarde. O conceito até pode parecer simples numa primeira instância, mas a verdade é que proporciona momentos de tensão únicos. Para além do mais, apesar da sua simplicidade, a curva de aprendizagem é íngreme e não será para todos os jogadores por esse mesmo factor. Há que saber esperar pelo momento certo para atacar, gerir a barra de stamina e ainda saber cansar o nosso inimigo para expor os seus flancos e oferecer-nos a oportunidade certa para desferir o golpe final. Já Sun Tzu, na sua obra Arte da Guerra, dizia: “Aquele que é prudente e espera por um inimigo imprudente será vitorioso.”

Sem sombra para dúvida, os momentos em que a jogabilidade de For Honor mais deslumbra acontecem durante os combates singulares e de pares. Assim que adicionamos mais jogadores ao combate, concretamente nas situações de quatro para quatro, a confusão instala-se e a jogabilidade já não funciona da mesma forma. Em muitos casos, em mapas maiores, quando pensamos que estamos a combater um espectacular duelo com outro jogador, rapidamente as nossas expectativas vão pelo cano abaixo quando sofremos um gank, táctica habitual noutros jogos multijogador que também funcionam em mapas de larga escala. Ainda assim, a Ubisoft preparou o sistema de Revenge que, quando activado, pode ser suficiente para equilibrar a balança se dermos por nós em desvantagem numérica face aos nossos oponentes. Não obstante, nestes casos a melhor solução será sempre bater em retirada e esperar por uma oportunidade que mais nos favoreça. Mesmo que isso signifique colocar a nossa “honra” em causa.

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For Honor conta ainda com um sistema de progressão assente em equipamento que recebemos como recompensa de cada vez que terminamos cada um dos combates. Os equipamentos afectam não só o aspecto físico das nossas personagens, como ainda oferecem alguns benefícios ao nível das suas capacidades. Felizmente, estas diferenças que poderiam beneficiar os jogadores experientes em detrimento daqueles que acabam de entrar, só entram em efeito nos combates de quatro contra quatro, deixando o equilíbrio presente sem alteração nos mapas de duelo, beneficiando sempre a perícia dos jogadores. O equipamento pode ainda ser melhorado e podemos comprar conjuntos aleatórios de equipamento através da moeda de troca de For Honor: o steel. Uma compra que também pode ser feita com dinheiro real mas que pode ser evitada totalmente se não o quisermos fazer. Isto porque o steel pode ser facilmente adquirido no final dos combates e através do completar dos objectivos diários que vão surgindo nos menus.

Aparte do multijogador, For Honor possui ainda uma campanha de história que nos transporta através das três facções presentes no jogo. Pessoalmente, admito que o modo de história não me cativou e parece-me que For Honor nunca poderá ser comprado exclusivamente só por este modo. A narrativa acaba por introduzir os jogadores, de uma forma leve, às mecânicas gerais de jogabilidade e prepara o contexto para tudo aquilo que depois fazemos online. O modo multijogador é simplesmente mais interessante e o universo aqui criado não é profundo o suficiente para que a narrativa ganhe contornos que nos permitam dizer o mesmo sobre ela.

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Não obstante, o combate em For Honor é brutalmente viciante e a experiência de jogo é tensa, como se exige numa experiência multijogador de excelência. Poucos foram os jogos que fizeram o meu coração bater de ansiedade à medida que o combate avança para a sua conclusão e For Honor entrou definitivamente para um lugar de honra nessa lista. O jogo corre muito bem na PlayStation 4, onde tivemos oportunidade de analisar For Honor graças à cópia de imprensa que nos foi enviada pela Ubisoft e apenas sentimos algumas quebras dos servidores em alguns momentos esporádicos que podem ser ainda fruto do arranque deste excelente jogo multijogador. A verdade é que For Honor me proporcionou alguns dos melhores momentos que senti num videojogo multijogador nos últimos tempos e isso a muito se deve à sua excelente mecânica de jogo que me convenceu a ignorar toda a confusão que ver estas três facções em conflito directo me fazia. Se gostas de sentir a emoção de um combate sem tréguas, num cenário medieval, então este jogo é para ti. Aceitas um duelo?



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