Found Magazine

Pedaços da vida real encontrados por acaso. Afinal, o achado não é roubado.

Todos escrevemos. Listas de compras, por exemplo. Cartas ou emails. Ou ensaios poéticos bem intencionados. Esboçamos a planta da casa perfeita. Anotamos aquela citação genial nas costas do bilhete do cinema. Descarregamos a frustração em páginas de cadernos. Até os mais pequenos escrevem cartas ao Pai Natal e bilhetinhos aos colegas de carteira.

Às vezes não sabemos onde pomos estas coisas… Estarão perdidas? E se alguém as encontrou?

“Found: The Best Lost, Tossed and Forgotten Items from Around The World” é uma compilação destas pequenas preciosidades, encontradas um pouco por todo o lado. Notas de condutores que não gostaram da maneira de estacionar de outros, ou um balão de hélio com uma folha rabiscada na ponta que diz “Espero passar o sexto ano!” são exemplos do curioso conteúdo do livro. Como ficar indiferente?

Há muito que Davy Rothbart colecciona estes pequenos tesouros, inesperadas janelas para o mundo de outras pessoas. Um dia, ao sair de casa de um amigo, quando encontrou no parabrisas do seu carro uma nota irada:

Mário,
Odeio-te. Disseste que tinhas de ir trabalhar. Então o que é que está o teu carro a fazer em frente a casa dela? És um mentiroso. Odeio-te.
Amber
P.S. – Liga-me.

Foi o princípio. O bilhete de Amber para Mario (personagens que não conhecia de lado nenhum), simultaneamente amargo e doce inspirou-o na criação da Found Magazine. A ideia inicial era fazer uma revista fotocopiada, só para os amigos, construída a partir de colagens dos objectos que estes lhe enviavam e que ele próprio coleccionava. Mas num instante a palavra se espalhou e muitas mais pessoas, um pouco por todo o mundo quiseram contribuir, confirmando a genialidade de uma ideia tão simples. Passou a receber na caixa de correio centenas de envelopes, desde desenhos e polaroids descartadas a inquéritos mal preenchidos.

Após 3 edições irregulares da revista, cada vez com mais procura, nasceu um site de achados inéditos, que proporciona mais facilidade de submissão (em formato digital) das descobertas e o “objecto da semana”. E depois do sucesso inesperado e das críticas extraordinárias nos jornais americanos veio o livro, no mesmo estilo descontraído das revistas, a fazer lembrar um scrapbook de recortes e notas laterais.

Voyeurismo? Um pouco, claro. Mas fica também uma sensação irresistível de empatia com os anónimos heróis e vilões, numa familiaridade inegável com grande parte dos conteúdos.

Um livro viciante, para ler ao sabor da curiosidade.



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