Foxygen | “We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic”

Foxygen | “We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic”

Um duo do pop-rock psicadélico desafogado

Um dia, ia eu no meu carro e deparei-me com «In The Darkness» a tocar na rádio. Escusado será dizer que fiquei logo hipnotizada por aquele som. No pico das modernices, liguei o génio musical no telemóvel e o nome Foxygen apareceu no ecrã. Por breves segundos, voltei a saborear os tempos em que ouvia The Beatles no auge do psicadelismo ou The Black Keys, com o rock pincelado de blues. Um som “antigo”, experimental, pop e surpreendentemente cheio de boa energia.

Senhoras e senhores eles são: Sam France (voz) e Jonathan Rado (guitarra, teclas). Vêm acompanhados com uma apetrechada lista de EP’s, editada pelos próprios: “Electric Sun Machine” (2005), “Jurrassic Exxplosion Phillipic” (2007), “Kill Art” (2009), “Ghettoplastikk!” (2009), “Take the Kids Off Broadway” (2011).

Em 2012, lançam pela Jagjaguwar o primeiro disco – “Take the Kids Off Broadway” – e este ano regressam com o segundo: “We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic”, produzido por Richard Swift. É caso para dizer que quase que imitam a Fiona Apple com os seus extensos títulos de discos, e mais tarde toda a gente os abrevia. Portanto, se me permitem, vou passar a tratá-lo por “We Are”.

“We Are” tem o selo da Pitchfork como Best New Music, pontuação 8.4 (escala 0-10) e é composto por 9 temas. O single de arranque, «Shuggie», tem uma voz do além que diz com toda a garra ‘’If you believe in yourself you can free your soul’’. Admito, encheu-me a alma. Ao ouvirem “We Are” na integra, há uns temas que rapidamente saltam também para a ribalta. Falo de «San Francisco», «No Destruction» e «Oh Yeah». As canções contam histórias complexas. São demasiado pessoais, descritivas e despidas de preconceitos na sua linguagem. Sam canta ‘’I left my love in San Francisco. That’s okay, I was born in L.A.’’ em «San Francisco» e na música «No Destruction» podemos ouvir ‘’Now you think that I don’t know but I know you to know quite well. That I caught you sipping milkshakes in the parlor of the hotel. There’s no need to be an asshole, you’re not in Brooklyn anymore’’. Trazem-nos a eterna entropia dos relacionamentos.

A música que tem o mesmo nome do disco é, na minha humilde opinião, a menos boa e «Oh No 2» não aquece nem arrefece. «On Blue Mountain» tem pilhas duracell com 5’49’’ divididos por várias alterações no próprio ritmo da música, que nos dão a sensação de estar a ouvir temas diferentes – “That what you see is just what you know. So I hide my feelings, yeah, for you, to find”.

Os Foxygen actuaram recentemente no SXSW a promoverem “We Are” mas cancelaram dois dos concertos previstos para o mesmo festival. Entretanto, também cancelaram as marcações para Maio/Junho na Europa e para os festivais de Verão alegando problemas na “saúde criativa”… parece que vai ser difícil conseguirmos vê-los ao vivo por cá.



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