Françoiz Breut & Bastien Lallemant

Ao vivo em Coimbra, dia 13 de Outubro, na apresentação da grelha de Inverno da RUC.

Mantendo a sua tradição, a RUC (Rádio Universidade de Coimbra) apresenta a sua nova grelha de programação de Inverno com um concerto. Este ano os convidados são de índole francófona.

São eles Françoiz Breut e Bastien Lallemant. Sendo nomes desconhecidos da maioria do público português, também aqui a RUC mantêm a sua tradição ao privilegiar no seu espaço de antena a revista de sonoridades que normalmente não constam de playlists.

Françoiz Breut descobriu-se para a música, nomeadamente para o canto, no início da década de 90, enquanto estudava Belas-Artes em Nantes, e travou conhecimento com Dominique A., que se viria a tornar o seu constante companheiro de trabalho. Foi com ele que desenvolveu o seu potencial começando com uma modesta colaboração a fazer coros no seu álbum, ‘Si je connais Harry’, evoluindo para ser uma constante presença nos álbuns seguintes, ‘La Mémoire neuve’ e ‘Le Twenty-Two bar’, e também nos concertos.

Com a descoberta de novas sensações e novos públicos Françoiz e Dominique dedicaram-se ao álbum de estreia da menina, onde Dominique assume os papéis de produtor, autor e compositor. Com este álbum conseguiu atravessar fronteiras, tendo sido distribuído em Inglaterra e chegou mesmo ao Arizona e aos ouvidos de Howie Gelb, dos Giant Sand, que dedicou uma canção a esta jovem menina. Após uma pequena pausa, aquando do nascimento do seu primeiro filho em que se dedicou à ilustração, regressou com um segundo álbum, ‘De Vingt à Trente Mille Jours’, que conta com colaborações de Philippe Poirier (Kat Onoma), Katerine, Jérome Minière, Yann Tiersen, Pierre Bondu, Joey Burns (Calexico) e Gaëtan Chataigner (The Little Rabbits).

Aberto o caminho ao enriquecimento que outros compositores trazem ao seu trabalho, Françoiz Breut reuniu à sua volta, para ‘Une saison volée’, o seu terceiro álbum, colaboradores como Herman Düne, Federico Pellegrini(Little Rabbits), Fabio Viscogliosi(The Married Monk),os Deziel, Jaime Cristobal, Jérome Minière, Philippe Poirier e o sempre presente Dominique Ané. Gravado em Abril de 2004 em Bruxelas, onde vive, este álbum é mais subtil e introspectivo onde se misturam variadas proveniências sonoras operando-se algumas transfigurações sonoras em cada canção. Conduzido por uma sonoridade rock que explora as limitações da Pop, há espaço para algum trip-hop ou downtempo blues. Confusos? Pois é assim que devem estar já que esta artista transporta consigo música nada usual.

Mas a beleza deste álbum encontra-se na voz sensual e apaixonada de Françoiz, que com um timbre semelhante ao de Jeanne Moreau nos canta palavras em francês, inglês, espanhol e italiano. A língua não interessa, o que é dito quase que é secundário, a aura de cada música transparece na voz e, ao vivo, no seu sorriso que acompanha os últimos acordes de cada canção.

Guitarra e voz. São estes os instrumentos de Bastien. E ocasionalmente, aquando da composição das suas canções, adicionem o lápis e o papel aos seus instrumentos de trabalho.

E juntem-lhe também Albin de la Simone, Bertrand Belin, Emily Loizeau, Simon Edwards (ex-baixista dos Talk Talk), Laurent e Jacques Tellitocci que adicionaram piano, guitarras, baixo, bateria e percussão a ‘Les érotiques’. Gravado em apenas quatro dias, o que dá uma média de quatro horas e meia para cada uma das onze canções que podemos encontrar no álbum, não se perde em qualidade no resultado final e ainda se ganha a espontaneidade que marcou o estado de espírito do grupo nas sessões de gravação. Este álbum é o segundo da sua, ainda, curta carreira, o primeiro ‘Premiers Instants’, ao contrário deste último, resultou de muita ponderação e amadurecimento de cada canção, dedica-se às evocações.

E o produto é o quê? Pop? Não será exactamente, apesar da estrutura apontar pistas nesta direcção.

‘Les érotiques’ tem na sua existência uma leve roupagem de ironia que conduz o ouvinte aos mistérios de outras existências alheias trazidas por fragmentos, por imagens.
O erotismo deste amante encontra-nos “sur la commode, entre les pots, sous les dorures, sous les tableaux” e nós questionamo-nos se não deveria ser sempre assim.

Françoiz Breut e Bastien Lallemant vêm apresentar, respectivamente, ‘Une saison volée’ e ‘Les érotiques’, ambos editados pela tôt Ou tard, numa data única em Portugal a 13 de Outubro no Teatro Académico de Gil Vicente em Coimbra.



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