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Fuck Buttons

Entrevista e antecipação da passagem por Portugal do duo de Worcester.

Esta é uma forma incorrecta de começar qualquer texto sobre os Fuck Buttons: “Os Fuck Buttons são originários de Bristol, um local com uma aura muito especial, que deu ao mundo os Portishead, Tricky ou o Massive Attack.”

São dois os erros aqui. Dois erros relativamente comuns, como poderão constatar nas linhas que se seguem, algumas vezes escritas na terceira pessoa do singular ou do plural e outras em discurso directo, fruto das perguntas que tive oportunidade de fazer chegar aos Fuck Buttons via email.

Em primeiro lugar, Andrew Humg e Benjamin John Power são de Worcester, que fica algures entre Birmingham e Bristol. Conheceram-se por Worcester durante a adolescência e, alguns anos mais tarde, foram para a universidade em Bristol. Aí, começaram a perceber que partilhavam muitos dos gostos musicais. Quando lhes pergunto como vêm tudo o que aconteceu desde 2004, ano da sua formação, Benjamin John Power diz que  sente que “percorreram um longo caminho desde a altura em que os Fuck Buttons se formaram”. Acrescenta também que “cresceram como indivíduos e tiveram de aprender a trabalhar como uma unidade”, porque “quando começámos nunca nos apercebemos que isto se poderia tornar um modo de vida”. Já Andrew Hung não se inibe de dizer que foi um processo que “passou por várias fases” mas que, “após uma reflexão concluo que a viagem tem sido incrível”.

O segundo erro está nas bandas referidas. O simples facto de Bristol surgir de alguma forma associado ao nome dos Fuck Buttons, despoleta quase automaticamente perguntas do tipo “consideram-se influenciados pelas bandas de Bristol?” ou simplesmente “quais as vossas influências?”. Neste ponto em particular os Fuck Buttons são bastante peremptórios nas suas respostas: “Experimentação e exploração não seguem nenhuma fórmula por inerência e nós aprendemos a abraçar isso mesmo. Obviamente, alguns resultados podem ser previstos mas são os elementos surpresa que procuramos. “ – refere Andrew Hung, ao que Benjamin John Power acrescenta ainda que tentam “sempre trabalhar dentro da sua pequena bolha”.

Se bem que já andem entre nós desde 2004, os Fuck Buttons só se deram a conhecer ao resto do mundo em 2008, com Street Horrsing, e pela mão da ATP Recordings. Nos tempos que correm a mudança é quase uma contante absoluta. Onde antes se assistia a bandas assinando contratos discográficos para três, quatro ou cinco álbuns, agora vêm-se bandas a mudarem de editora entre álbuns, editando EPs e singles. Os Fuck Buttons têm-se mantido ‘fiéis’ (se é que esta é a melhor palavra) à ATP Recordings desde que assinaram em 2007 e segundo Benjamin não existe nenhum segredo que não “trabalho sério”, e que por incrível que pareça foi simplesmete uma questão de “estar no lugar certo à hora certa” para tudo começar a ganhar forma com a ATP. Para alem disso os Fuck Buttons vêm a mudança como uma necessidade e uma realidade nos dias que correm e nesse aspecto estão completamente alinhados com a forma de estar e actuar da ATP.

Street Horrrsing apanhou muito boa gente desprevenida, e pela positiva. Quase de imediato, os Fuck Buttons começaram a ser encarados como a resposta europeia, e mais em particular a inglesa, à cena noise norte-americana. Músicas como Colours Move e Sweet Love For Planet Earth rapidamente caíram nas boas graças de muitos.

A tour que levou os Fuck Buttons aos mais variados locais, permitiu à banda partilhar o palco com nomes tão distintos como Caribou ou, mais recentemente, os Mogwai. Foi aliás John Cumming, guitarrista dos Mogwai que assinou a produção de Tarot Sport, o novíssimo álbum dos Fuck Buttons.

Tarot Sport pode e deve ser encarado como uma evolução natural de Street Horrrsing. É um álbum mais maduro, mais trabalhado, mais refinado e, por ventura, nalguns aspectos mais experimental que o seu predecessor. Outra característica que rapidamente salta à vista (ou ao ouvido) é que Tarot Sport é mais dançável. Naturalmente convida a isso. Embora não tivesse sido premeditado, pouco depois de começar a escrever estas linhas, dou por mim a fazê-lo ao som de Tarot Sport e um leve abanar de cabeça torna-se quase de imediato inevitável.

Para Andrew Hung, Tarot Sport é “Ska Punk Fusion… não é bem isso. Tem certamente elementos de dança, mas não o vejo como um álbum de dança. Nós descrevêmo-lo como não sendo nada em particular. Não tentámos seguir propositadamente uma estética comum pelo álbum. É simplesmente um documento das nossas descobertas nessa altura.”. Benjamin John Powers continua, dizendo que “certamente não queríamos lançar o mesmo álbum novamente, por isso penso que o nosso som desde então, evoluiu e desenvolveu-se. Quanto ao ser mais dançável, claro, existem mais alguns beats que podem ser considerados dançáveis mas julgo que eles já eram visíveis no primeiro disco”. Em jeito de remate considera que Tarot Sport tem um “som mais complexo” e  sente que “o primeiro disco era mais directo, um estalo na cara. Tarot Sport entrega-se à exploração de uma forma mais profunda, algo que se encontra no topo daquilo que fazemos.”

Quando surgiram as primeiras notícias que davam a conhecer o alinhamento de Tarot Sport, um dos temas acabou chamando a atenção, não tanto pelo som em si (até porque não o tinha tido oportunidade de o ouvir então), mas pelo título: The Lisbon Maru. Decidi então investigar o assunto e descobri uma história da Segunda Guerra Mundial que desconhecia por completo. O Lisbon Maru era um navio comandado por japoneses que transportava prisioneiros de guerra britânicos, tendo sido afundado por um submarino norte-americano que desconhecia o facto. A razão pela qual os Fuck Buttons decidiram atribuir este nome ao tema foi no mínimo surpreendente e foi explicada por Benjamin numa única frase: “O meu avô era um dos prisioneiros a bordo do Lisbon Maru que conseguiu escapar antes deste afundar”.

Será exactamente Tarot Sport o pretexto para a muito aguardada estreia dos Fuck Buttons em Portugal. Conta quem viu (basta procurar no Google), que um concerto dos ingleses é algo intenso, uma experiência sónica de consequências imprevisíveis. Dia 30 de Setembro no Porto, no Plano B. Dia 1 de Outubro em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois, em pleno coração do Bairro Alto. Lá estaremos para contar como foi, se se sobreviver à experiência…



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