FUMO

Há FUMO na Margem Sul

O FUMO (Festival Urbano de Música e Outras coisas) volta a espalhar-se pela cidade de Setúbal. O festival arranca no próximo dia 20 de Junho e prolonga-se até ao dia 30 do mesmo mês. Osso Vaidoso, Legendary Tigerman e Rita Redshoes, e Mão Morta são algumas das bandas mais esperada desta terceira edição, estes últimos a fechar o festival num dos espaços mais bonitos da cidade, os claustros do Convento de Jesus. Mas o cinema ocupa também destaque especial na programação deste ano

Depois de ter trazido ao público sadino nomes como Dead Combo, Mazgani, Tó Trips, Tiago Sousa, B Fachada, PAUS, entre outros, o FUMO volta a pautar-se pela qualidade e pela aposta na nova música portuguesa. Exemplo disso é o cartaz que este ano conta com a presença dos Osso Vaidoso, o mais recente projecto dos músicos Alexandre Soares (guitarrista dos GNR) e Ana Deus (a inconfundível voz da banda que marcou o rock português dos anos 90, os Três Tristes Tigres). O duo apresenta o mais recente disco, “Animal”, considerado um dos melhores álbuns de 2011 e que oscila entre o rock e as sonoridades mais electrónicas. O concerto acontece no dia 23 de Junho nos Claustros do Convento de Jesus e é a primeira proposta musical da edição deste ano do festival.

APOSTA NOS NOVOS TALENTOS

No mesmo dia, e no mesmo espaço, sobem ao palco os Um Corpo Estranho, a nova coqueluche da música setubalense. Composto por Pedro Franco e João Mota, naturais de Setúbal, eles assumem-se como contadores de anti-estórias e vêm apresentar o seu primeiro EP que tem o carimbo da Experimentáculo Records. O duo estreia-se assim nos palcos e nos discos, mas promete dar cartas na música nacional. “Este ano a nossa aposta em novos valores não foi tão grande como gostaríamos. No entanto, temos os Um Corpo Estranho no cartaz, o que nos deixa muito felizes. Os Um Corpo Estranho são uma nova banda setubalense, cujo disco de estreia foi editado pela Experimentáculo Records e, apesar de isto parecer suspeito, não me importo de confessar que acho que são uma das melhores coisas que apareceu este ano a cantar em Portugal”, diz Pedro Soares, um dos membros da organização do FUMO e mentor da Experimentáculo.

Há ainda espaço para a música electrónica com Vitor Joaquim, um dos nomes mais sonantes da música electrónica experimental, não só a nível nacional, mas sobretudo internacionalmente. O programador, natural de Setúbal, vem acompanhado pela dupla espanhola Thr3hold que devolve as imagens frenéticas ao som, transformando este “Geography” numa experiência audiovisual intensa. Como se não bastasse, Ricardo Martins, baterista luso de bandas como os Lobster ou I Had Plans, junta-se ao colectivo para dar largas ao hardcore e noise mais exploratório. O Auditório Municipal Charlot irá certamente abaixo no dia 24 de Junho com esta performance.

E, por fim, o nome mais aguardado da edição deste ano do FUMO é sem dúvida Mão Morta. A celebrar os seus 28 anos de carreira, os Mão Morta são uma das bandas mais conceituadas da música nacional e actuam pela primeira vez em Setúbal. O local escolhido não podia ser mais apropriado. Será nos sombrios e mágicos Claustros do Convento de Jesus que o colectivo de Adolfo Luxúria Canibal dará um concerto que com certeza ficará na memória dos setubalenses.

MÚSICA VS CINEMA

Mas nem só de música se faz o FUMO. Aliás, o festival arranca precisamente com a projecção de “Um sítio onde pousar a cabeça” de Ricardo Espírito Santo, no dia 20 de Junho na Casa do Corpo Santo, com a presença do realizador. Um documentário na primeira pessoa sobre a vida e obra de Manuel António Pina, um dos maiores romancistas e cronistas portugueses. E continua com “R.Stevie Moore – A Tape Disc”, um documentário do it yourself da autoria de R.Stevie Moore, conhecido como o “Padrinho da Gravação Caseira”. O filme é editado a partir de um extenso arquivo áudio e musical do autor desde os anos 70 e que contempla mais de 400 gravações desde Brian Wilson a Killing Joke.

O FUMO tem apostado, desde a primeira edição, na divulgação do cinema português mais alternativo com a projecção de documentários de produção nacional e com forte ligação à música. E, nesta edição, essa vertente está ainda mais viva. Pedro Soares explica porquê. “O FUMO não é um festival exclusivamente dedicado à música. Tem também a componente do cinema, com uma programação à parte, e não só. Pessoalmente, é um formato que me agrada bastante e, sempre que o pudermos fazer, iremos fazê-lo. No primeiro ano já tínhamos ensaiado uma coisa parecida com o Tiago Sousa”.

Desta feita, o público poderá assistir a dois cine-concertos. O primeiro fica a cargo de Mazgani, que regressa aos palcos do FUMO. Depois de ter encerrado a primeira edição do festival com um concerto memorável nos Claustros do Convento de Jesus, este filho da terra prepara-se para oferecer uma actuação intimista seguida do documentário “Estrada para Mazgani”, no Auditório do Cinema Charlot, dia 22 de Junho. O filme, realizado por Rui Pedro Tendinha, foi aclamado no Indie Lisboa e é um retrato do músico com a sua guitarra pela estrada fora.

O segundo conta com a actuação de Legendary Tigerman e Rita Redshoes durante a projecção de “Estrada de Palha” de Rodrigo Areias. O filme conta a história de um homem que, após ter vivido longe do seu País durante mais de uma década, volta à sua aldeia para vingar a morte do irmão. Inspirado nos escritos de Henry David Thoreau, traduz “Desobediência Civil” para o universo português. O título do filme faz referência também ao nome dado ao percurso mais perigoso do trajecto que os pastores tinham que percorrer anualmente em Portugal em busca de pastagens mais verdes para os seus rebanhos. Legendary Tigerman e Rita Redshoes entram nesse universo e criam sons para as imagens do filme de Rodrigo Areias. A actuação está marcada para o dia 29 de Junho no Auditório Municipal Charlot.

UM FESTIVAL PARA A CIDADE

À terceira edição, o FUMO mantém a missão e os valores da primeira edição: promover a cultura e aliar as diversas expressões artísticas aos espaços históricos da cidade em que nasceu. O festival está cada vez mais sólido, com uma programação consistente e com um cada vez maior número de público, não só de Setúbal, mas também de outras localidades, facto que se deve à qualidade do projecto e da persistência dos seus organizadores. “Creio que o FUMO, nesta terceira edição, deu mais um passo na sua afirmação e consolidação no panorama cultural da cidade e da região. Isso tem sido conseguido com esforço e empenho, num melhoramento que tem privilegiado a qualidade e não tanto a quantidade. A afluência do público no FUMO tem sido boa e tem crescido de edição para edição. Esperamos que se mantenha uma adesão exponencial este ano. Temos tido espectadores de muitas outras localidades, especialmente do distrito de Setúbal, até porque a ponte continua a ser um obstáculo psicológico complicado. Isso é bastante positivo porque mostra que Setúbal pode e deve ser um centro de oferta cultural. No entanto, gostava que o interesse do público de Setúbal se mantivesse ao longo dos anos, nas restantes actividades que vão havendo na cidade, nomeadamente no que diz respeito à música”.



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