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Gainsbourg (vie héroïque)

Estarão os biopic ainda na moda?

O passado recente diz que sim e, apanhando a boleia de algumas das películas mais marcantes nesse campeonato (“Control” e “La Vie En Rose” a encabeçar a lista) surge, agora, a história sobre a vida de excessos e obra de sucessos do francês Serge Gainsbourg (1928-1991). Aquele que é, ainda hoje, recordado como um dos mais bem sucedidos compositores da chanson française é, da mesma forma, reconhecido como um dos maiores boémios da cultura francesa.

A matéria para compor esta obra ambiciosa, realizada pelo francês Joann Sfar, era mais que muita. Aliás, algo me diz que o principal contratempo de “Gainsbourg (vie héroïque)” residiu no argumento e na edição de uma história tão vasta, com tantos motivos de interesse e contornos luxuriosos. A película está muito bem estruturada e documentada, espelhando o fenómeno Gainsbourg e expondo o duplo de Serge Gainsbourg (aqui personificado numa impressionante figura em forma de marioneta).

Paralelamente “Gainsbourg” revela um personagem que desde cedo mostrou a apetência para a arte e para a provocação. Filho de judeus russos que haviam emigrado para França aquando da revolução de 1917, Lucien Ginzburg sempre soube retirar o melhor das suas valências artísticas. Se na adolescência e juventude era a pintura que o apaixonava, com o passar do tempo dedicou-se com mais afinco ao piano (recorde-se que o Pai era pianista profissional) e à canção. É em 1958, e com 30 anos, que Serge Gainsbourg se estreia nas edições discográficas, com «Du Chant À La Une!», mas é só nos anos 60 que atinge o sucesso.

Homem do espectáculo que descobria a inspiração nas musas e amantes que marcaram alguns dos seus trabalhos mais importantes, acabando, também, por delinear as várias fases da sua vida. De Juliette Gréco, a Brigitte Bardot (fenomenal a forma como Laetitia Casta veste a sua pele), passando por Jane Birkin e, já numa fase mais decadente, a modelo Bambou. Episódios que deram cor à vida de Serge Gainsbourg e alimentam a mais recente obra de Joann Sfar. Filme que nos oferece uma visão inteligente de Lucien Ginzburg pintor, músico, cantor, compositor e bon vivant. Serge Gainsbourg pode ter vivido pouco, mas viveu intensamente.



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