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Gala Drop

Entrevista com Afonso Simões em antecipação à actuação no Vodafone Mexefest 2012

Gala Drop estará pela primeira vez no Vodafone Mexefest, em Lisboa, e levará já a bagagem cheia de concertos intensos e intensivas experiências.

Uma banda com vibrações tão distintas como estimulantes, percorrem exotismos melódicos e não se encerram em tribalismos quiméricos. Vão por aí, elevando-se ao mínimo som, e atestam a complexidade do minimal… Sim, é pleonástico. Mas é assim que lança criação quem compõe aquilo de que é feito, deixando-nos cair (ou não) na falível tentação lynchiana: tentar decifrar o que não é conclusivo. Nem precisa ser.

Estrearam-se em 2008 com o álbum homónimo que reunia, predominantemente, temas de tónicas instrumentais, passeados por uma jornada exploratória de montagens e dissecações – do rock mais experimental ao afrobeat mais electrónico.

Depois, no passado Março, veio “Broda”, o segundo disco da banda, com uma nova diligência mais batente, rítmica e realista, que tem vindo a despertar, um pouco por toda a parte, altas antevisões e desejos de sentir: o mesmo que “eles”.

Para a actuação de dia 7 de Dezembro, no Maxime, atrevemo-nos a não presumir nada. (Sobre)tudo porque a música de Gala Drop fala por si mesma e “quem quiser perceber que a ouça”. Entrevista com Afonso Simões.

Gala Drop tem sido frequentemente conotado em rodapé como “psicadélico”, mediante uma necessidade de vos categorizar, ou rotular. Concordam com esta distinção?

Eu gosto de muita música psicadélica de várias eras e sítios, sejam os Beach Boys, Skip Spence, Alceu Valença, Black Dice, Red Krayola, Funkadelic, Spacemen 3, Cosmic Jokers, e afins. Como tal não me desagrada que se refiram à nossa música como psicadélica, especialmente se isso não for uma forma fácil de se defrontarem com ela ou com o que representa.

Como se juntou o vosso quinteto? Tinham ideias do que queriam, onde e como lá chegar?

Começou como um duo com o Nelson e o Tiago, e agora é um quinteto com o Afonso, o Nelson, o Rui, o Jerry e o Guilherme. Eu não estive na banda desde o início mas desde que entrei que sempre houve uma ideia definida do que se queria fazer. E neste momento sabemos melhor do que nunca aquilo que queremos fazer.

Lisboa, com todos os actuais cenários – ricos, pobres, geniais ou apodrecidos – inspira-vos? Onde (mais) vão buscar a vossa “bagagem”?

Lisboa é uma das minhas cidades preferidas de todas as que conheço e onde já toquei e é o sítio onde nasci. Penso que, se quiser ser o mais honesto possível, a minha resposta à tantas vezes repetida questão da inspiração é: ela virá, no caso dos Gala Drop, da vida de cada um e do encontro entre todas as partes que fazem os Gala Drop, e como é óbvio tudo o que aí está contido como a música e os sons que ouvimos nas nossas vidas -em disco, ao vivo e não só -, as viagens que fizemos, as pessoas que conhecemos.

Esta relação com Ben Chasny, o senhor de Six Organs of Admittance… como aconteceu? “Broda”, a vossa mais recente obra, é fruto (também) dessa relação. Como e porquê ele?

Ele convidou-nos, na sequência de termos feito uma tour há dois anos na Europa a abrir para Six Organs of Admittance, a gravar uma colaboração em Lisboa quando cá viesse. Nós tratámos de tudo, arranjámos o estúdio (Namouche), uma pessoa para misturar e masterizar (Rafael Toral) e acabámos por editar nós na Gala Drop Records sem sequer pensarmos em abordar editoras para o fazer. De resto, a nível musical, o Ben participou na composição do disco na medida em que houve ideias que surgiram inicialmente e foram desenvolvidas por nós (era essa a sua ideia), às quais ele se juntou depois em Lisboa . Estivemos 2 a 3 dias na sala de ensaios e mais 2 no estúdio e compusemos, gravámos, neste espaço de tempo. Sabíamos que o disco não ia ser exclusivamente uma jam, mas uma parte substancial do disco contem alguma improvisação. O Ben é nosso amigo e conhece-nos há alguns anos desde que começou a tocar em Lisboa e adora a nossa música e nós a dele, houve um convite por parte dele e nós pensámos que podia ser interessante visto haver uma proximidade humana e artística – ainda que não evidente nesta última.

Se vos pedirmos para discorrer sobre “Broda”… que adjectivos e caracterizantes fundamentais nos podem elucidar sobre a atitude musical dos seus autores? Contem-nos um pouco sobre a imaginação e construção deste álbum.

Eu acho que o facto de fazermos a música que fazemos nos pode e deve ilibar de certa forma de falar sobre ela. A nossa música vale por si só e explica-se a ela mesma. Quem a quiser perceber que a ouça. Depois existe a liberdade para pessoas, tal como jornalistas, escreverem sobre ela – alguns bem outros mal – e darem interpretações verbais e escritas da mesma, e para nós está bem assim. Não querendo dizer com isto que não há músicos que falam muito bem sobre aquilo que fazem e sobre a música dos outros, mas isso não nos interessa muito.

Alteraram recentemente a vossa disposição, com as entradas de Jerry the Cat e Rui Dâmaso na estrutura da banda. Que contributos e alterações podem daqui surgir?

O Jerry vai cada vez cantar mais e talvez ter um papel mais de frontman da banda em palco e o Rui vai tocar baixo, como toca e bem, e ambos vão participar na composição das músicas.

Com quem gostam de trabalhar, em terreno “tuga”, e com quem gostariam ainda de vir a colaborar, em qualquer terreno?

Penso que já trabalhamos ou trabalhámos com todas as pessoas que queríamos em Portugal, mas nunca se sabe se vai mudar no futuro. Em qualquer terreno diria, a nível pessoal, que gostaria muito de trabalhar com o Adrian Sherwood, o Scientist, o Theo Parrish ou o Brian Eno, para dar alguns exemplos.

Homem, máquina, os dois em uníssono, ou por oposição? Durante o processo de criação, contam com resultados mais electrónicos e orgânicos, ou o factor humano é decisivo nesses momentos?

Mais em uníssono do que em oposição, funcionam os dois um com o outro e complementam-se um ao outro. Mas o humano prevalece sempre.

Como estamos de actuações, dentro e fora de Portugal? Como têm corrido / Quais vos arrebataram mais?

Estamos bem, nunca tocámos tanto em Portugal como neste ano e espero que para o próximo seja melhor. Nos últimos dois anos fizemos quatro tours diferentes e demos ao todo dezenas de concertos um pouco por quase toda a Europa. Penso que a que nos marcou mais foi a primeira que fizemos com o Jerry o ano passado porque houve um elan muito grande e uma empatia enorme com todos os membros da banda e foram três semanas a tocar todos os dias sem excepção durante o verão. A tour que fizemos este ano na Dinamarca e na Suécia foi incrível, culminou com um festival numa pequena ilha na costa dinamarquesa chamada Sejero onde vimos e revimos amigos nossos como os Excepter e o Norberto Lobo que também lá tocou. De 5 ou 6 concertos que demos foram todos óptimos e serviram para cimentar o nosso nome lá. Tal como a maior parte das pessoas pensa e nos diz, está comprovado que andar na estrada no Verão é o melhor.

Alguma na manga para os próximos tempos (que nos queiram contar)?

Temos várias nas várias mangas, mas de momento não podemos contar algumas delas. Uma podemos que é : estamos neste momento a compor material para o próximo disco dos Gala Drop que vai sair para o ano, o mais cedo possível mas não antes de Março, na Gala Drop Records. A julgar pelo que já está mais ou menos escrito o disco vai ter várias novidades tais como temas com voz, e alguns outros recursos que não usámos antes.

Ponto de situação: o que está acontecer, com Gala Drop e a níveis pessoais, é o que queriam? Ou: o que esperavam que acontecesse com a vossa música e respectivas reacções?

Era isto que queríamos definitivamente em termos de reacções, visto que são cada vez mais e melhores, e a nível pessoal estamos a caminhar lentamente para onde queríamos. Infelizmente por uma questão de termos todos trabalhos e vidas pessoais que nos ocupam, e só há pouco tempo termos estabilizado uma formação sólida da banda, é que conseguimos cumprir ou começar a cumprir com o trabalho a que nos propusemos. E daqui para a frente é sempre a subir!



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