Gatekeeper + d’Eon @ ZDB (14.02.2013)

Gatekeeper + d’Eon @ ZDB (14.02.2013)

Noite de dualidade: arranjos experimentalistas de d'Eon e abrir calabouços frenéticos de Gatekeeper

A noite prometia dualidade na certa. Os arranjos experimentalistas do canadense d’Eon a abrir os calabouços frenéticos da dupla Gatekeeper, tão aguardada pelo aclamado EP “Giza”, já do ano de 2010, tecem os contornos de um plano, no mínimo, expectante.

Perto da hora marcada, Chris d’Eon sobe ao palco tenuemente iluminado da Zé dos Bois, esgazeado e de sorriso pueril. O artista, especialmente conhecido pelo seu split album “Darkbloom” (2011) com a artista Claire Boucher (tão mais bem conhecida por Grimes) reúne os espectadores com as primeiras notas de uma sonoridade mística e de reminiscências a roçar o medieval. As faixas mais bem conseguidas repercutem-se pelos seus dois álbuns “Palinopsia” (2010) e “LP” (2012). As experiências sonoras de d’Eon são viagens entre o pitoresco e o cósmico, mixando hip hop com o automatismo tecnológico numa espécie de incursão intergaláctica.

Assinalam-se trechos como a vibrante «Transparency», «What We Want To Be», «Virgin Body» ou uma das variações de «Whatsmyageagain», da compilação “Music for Keyboards Vol. II”, a partir do original «What’s My Age Again?» dos Blink-182.

Uma primeira parte que confirmou o que se podia esperar de d’Eon: uma aura etérea, experimentalista e cosmológica emanada por um artista disposto a assumir a metamorfose e a desconstrução musical, segundo movimentos que se podem tornar insípidos quando num período alargado. Contudo, os movimentos de d’Eon reportam-nos a convulsões supra-sensoriais incontornáveis que fazem o momento valer completamente a pena.

As luzes mitigam-se e uma nuvem de fumo engole a sala depois de uma breve pausa – a dupla Gatekeeper dá seguimento à noite. Os seus corpos e os do público são camuflados pela névoa claustrofóbica que tanto liberta os corpos dançantes. A surpresa é incontestável – Gatekeeper são óptimos na sua performance e a curta duração deixou o público pouco saciado. «Chains», «Giza» e «Bog» despoletaram revoluções interiores passíveis de qualidades terapêuticas.

Os autores do “Giza” e “Exo” (álbum do ano passado), fazem – e tão bem – ressoar uma espécie de electrónica do submundo, um som disco que poderia ouvir-se numa festa de um Nosferatu pós-moderno.

A actuação termina, os músicos deixam o palco e os fumos esvanecem-se ao som de «My Funny Valentine».

Fotografia de Luís Martins



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