rdb_artigo_geraldine

Geraldine

A menina adorável de Arroios.

A Geraldine nasceu no centro de Lisboa, mais propriamente no número 56A da rua de Arroios, filha de Eduardo Duarte e Liz Vahia, ele ligado ao restauro e à fotografia, ela ligada à produção de teatro e cinema. A Geraldine é um espaço muito particular e bastante versátil e que se dedica à venda e ao aluguer de mobiliário, adereços e roupa retro, assim como à divulgação das artes performativas, desde a música às noites temáticas.

Rua de Baixo – Quem é a Geraldine?

Eduardo Duarte – A Geraldine era uma roulote. Ou melhor, a placa que agora está na porta, com o nome “Geraldine”, estava numa roulote, um lugar improvável no meio de um campo de morangos em Inglaterra, onde vivíamos cinco pessoas que não tinham nada a ver com aquele sítio. Quando me vim embora não resisti e trouxe a placa comigo, porque acreditava que a Geraldine um dia ia ser alguém. E assim foi, a Geraldine hoje tem uma casa, uma conta de e-mail, uma página web e muitos amigos. E como todas as pessoas, a Geraldine tem vários papéis na sua vida. Interessa-se pelo design retro, mas também pela música, cinema e as artes visuais.

Apesar de termos sido logo confrontados com a imposição de definir o que era concretamete a Geraldine, em vez de ceder, assumimos essa fragmentação e essa indefinição de funções. Aqui como noutras áreas, potenciar, estar disponível ou ser um dispositivo para a imaginação e propostas dos outros é o nosso objectivo.

Como surgiu a ideia de criar este espaço?

É dificil explicar esse processo. Mas ao mesmo tempo foi muito rápido na sua constituição. A Geraldine nasceu e quando demos por isso, ela era já assim. Partiu do nosso interesse pela recolha de objectos antigos, da junção de memórias coleccionadas e do interesse em receber pessoas, como se fazia antes. Só precisava de um espaço físico concreto para se materializar.

E que actividades promove a Geraldine?

A Geraldine é uma plataforma para várias pessoas apresentarem projectos que se enquadrem dentro daquele ambiente. Até agora temos tido mais propostas na área da música, que é menos “intervencionista” no espaço físico. No futuro queremos dar mais relevância à projecção de vídeo e à performance, áreas para as quais já temos algumas propostas, faltam apenas os meios técnicos.

Contrariando a tendência alfacinha, a Geraldine abre as suas portas longe do Bairro Alto ou da Baixa, bairros nos quais estamos mais habituados a encontrar este tipo de espaços. No entanto, a Geraldine não é um espaço convencional, próximo do que estamos habituados a encontrar.

Como tem sido a reacção e a aceitação do público?

A reacção generalizada tem sido de surpresa. O espaço é tão insólito e ao mesmo tempo reconhecível, que os visitantes ficam no início sem saber como comportar-se, mas adaptam-se logo de seguida. Funciona como um jardim, uma espécie de refúgio cheio de referências, mas ao mesmo tempo actualizado e ainda “útil”.

Tem sido fácil manter um espaço como este em Lisboa?

Sim. As pessoas vêm ter connosco na maior parte dos casos. Porque são amigos, porque conhecem alguém que já lá foi, porque ouviram falar. Não são pessoas que passam na rua. Quem vem à Geraldine é porque queria mesmo ir à Geraldine e isso, de certa forma, enriquece o ambiente que se cria. Agora se a Geraldine se aguenta por muito tempo não sabemos. Mas para mim a Grealdine é encantadora e isso fala por si. Isto é um jogo de tempo e as coisas demoram tempo a ser criadas. Não é um produto da sociedade de consumo imediato.

Para quem não conhece a Geraldine, como podem convencê-los a irem visitar-vos?

Mostramos as fotos, como se mostram as fotos das crianças. A Geraldine é aquela menina adorável que sorri e não deixa ninguém indiferente, mesmo que não faça o estilo de toda a gente.
Observem as fotos e digam lá que a Geraldine não é mesmo uma menina adorável.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This