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Girls @ Casa da Música

No passado dia 30 de Novembro, os Girls deram o último concerto da digressão de apresentação do novo álbum "Father, Son, Holy Ghost" na Casa da Música e a Rua de Baixo esteve lá para contar.

Depois de conhecermos a conturbada história de vida de Christopher Owens – foi criado na seita religiosa Children of God e, posteriormente, acolhido pelo artista Texas Stanley Marsh 3 – podemos perceber as músicas epicamente tristes que nunca ninguém conseguiria fazer se não passasse por tudo isso.

Apesar da luta de Owens contra a toxicodependência, que nunca escondeu, o autobiográfico “Father, Son, Holy Ghost” dos Girls apresenta-se como uma confusão de experiências vividas numa empatia universal.

A sala 2 da Casa da Música compô-se para ouvir os Girls. O palco pequeno aconchegava os instrumentos e sobre eles, flores. O público rebentou em palmas quando Owens, JR White, Darren Weiss (baterista), Dan Eisenberg (teclista) e John Anderson (guitarrista) subiram com um ar cansado mas entusiasta.

Este seria o último concerto da digressão, dizia Owens, estavam contentes que tivéssemos vindo vê-los, embora estivessem cansados. O que quer dizer duas coisas: ou seria um concerto memorável ou terrivelmente devastador.

Ainda bem que o cansaço não os abateu. Começando com «My Ma», que espelha o relacionamento de Owens com a mãe, a sonoridade Indie Rock com laivos de Beach Boys encheu a sala de olhos brilhantes ao som de uma música que apertou o coração. «Die» compôs os corações com um poder musical quase Heavy Metal.

«Honey Bunny» trouxe-nos à memória o Surf Rock enquanto «Like A River» lembrou-nos a languidez de Elvis Costello. Em toda a actuação dos Girls houve momentos para curtir e para amar e foi tudo tão bem delineado para que entrássemos numa montanha-russa de emoções, ora subindo ora descendo. «HellHole RetRace» do disco “Album” é uma daquelas música para ficar de lágrima no canto do olho, o que nesta banda é o sentimento perfeito.

Todo o concerto foi de coração perto da boca quase à beira de um ataque de lágrimas. Mais para elas do que para eles. Mas o engraçado é que todos tinham um sorriso na cara. Talvez seja isso o que amor, misturado com dor, faça às pessoas. Talvez fosse o sentimento de compreensão perante Owens e JR White. Talvez fosse porque a música dos Girls seja para sentir mais forte de tão boa que é.

As palavras “How can I say I love you, now that you’ve said I love you? and how can I say I need you, now that you’ve said I need you?…” da  última música «How Can I Say I Love You» de um encore merecido, complementaram-se com o atirar dos bouquets para o público, onde miúdas e miúdos (casadoiros ou não) saíram com um ar de que tudo está bem quando acaba bem.

Galeria fotográfica do concerto de Lisboa por Graziela Costa aqui.



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