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GMR 360º | Dia 2

Foi o 360º, uma experiência no alto, com mais excelsos que baixos

Depois de um primeiro dia atípico, cheio de casalinhos embalados pela pop característica de David Fonseca e Fragmentos, ontem foi a malta mais alternativa da cidade que montou o teleférico da Penha para o segundo dia do GMR 360º.

É verdade que os franceses só actuavam às 23h30m, mas ainda assim não se deveu apenas ao frio a quantidade de asfalto descoberto que se contemplava quando MIUDA subiu ao palco.

Fred, dos Orelha Negra, acompanhado de Pedro Puppe e Tiago Bettencourt, procuravam um som novo. Um som que permitisse à “pequena” Mel emancipar-se e conquistar um palco que parecia cada vez maior para ela. A própria admitiu que era o seu primeiro grande concerto e arriscou enfardelar o público com o tema «Enquanto», para depois arremessar o seu principal êxito: «Com Quem Eu Quero». Já tirava o casaco “com calor”. As coisas melhoravam e o público começava a experimentar fintar o frio regamboleando ao som de um single que não lhes era estranho.

Mel sentia-se mais à vontade e ia adolescendo em palco. O segundo trunfo era a «Cidade», que depois de «Ténis» e «Chicote» iam deixando o público cada vez mais empanturrado com a sua capacidade de entreter em palco. O encore de «Com Quem Eu Quero» escorregou da melhor forma e era um aquecimento merecido para o concerto seguinte. Nota positiva no primeiro grande teste ao vivo.

Nouvelle Vague trouxeram uma nova onda. Nouvelle Vague é um colectivo musical francês arranjado por Marc Collin e Olivier Libaux. Dos dois, apenas Olivier esteve presente. Da composição original, apenas o nome compareceu.

“Bon soir”! Arranhou Helena, a vocalista, de dentro do seu vestido preto que levantava mais e mais apupos. Foi tempo de tocar uma música e “Au Revoir”. A electricidade descarrilou e adivinhava-se o pior, pelo menos para a coitada da Helena que precisava de dançar muito para se manter minimamente aquecida.

Depois de cinco minutos de treta encontrou-se uma “espécie” de solução. Porque não fazer no GMR 360º uma extensão de “A Tua Cara Não Me É Estranha”, ao vivo? Fez-se luz! E Helena entra em palco como se nada fosse, ao telemóvel e pronta para contar ao público as boas novas. “Temos Rui Pregal da Cunha!”

O Herói do Mar, de capacete, armou-se em Peste e Sida e o desafio era interpretar o «Sol da Caparica». Mesmo com muita cerveja, José Carlos Pereira na mesa de júris, nem vê-lo! Contudo, nota 10.

Os concorrentes seguintes, Dalila Carmo e Teresa Lopes Alves, não chegaram nem aos calcanhares do “Rei Rui” e a cena descambou. Com o “fato de bombeiro”, lá veio Helena pôr água na fervura e manter o público animado. Ao mesmo tempo de «Too Drunk To Fuck» soltava-se a primeira confissão da noite. “Já bebi de mais”. Quem diria, viesses agasalhada.

Neste tipo de concursos há de tudo. Desde o João Paulo Rodrigues que canta e encanta, até às “canas rachadas” que são um primor a soltar gargalhadas lá em casa. Infelizmente, para ela, Inês Castel-Branco vestiu o papel de Romana na noite de ontem e animou o certame. Não pelos maus motivos, mas sim por aqueles que às vezes também é preciso. Viva o luxo.

A segunda confissão da taciturnidade estava para breve. Percebeu-se finalmente o porquê das intervenções num português requintado, roçando o chauvinismo francês por vezes. “A minha mãe é portuguesa”. E pronto, dúvida esclarecida com o cover de «Love Will Tear Us Apart» dos Joy Division. Helena era a rainha da noite, por esta altura.

Feitas as contas lá em casa, Cristina Ferreira esganiçou um vencedor. “Rui Pregal da Cunha”. E este, com indumentária de vencedor, saiu-se com o «Portugal na CEE» dos GNR. Tínhamos vencedor.

Depois do horário nobre bem atestado, os Orelha Negra iam finalmente mostrar que não são precisos muitos malabarismos para dar um verdadeiro espetáculo. Enquanto os franceses actuavam, Sam The Kid já lançava um olhar do género: “Esperem para ver quem manda”.

Sempre no cerne da criação da música, o quinteto foi incansável numa actuação ao vivo que pouca margem de palavras deixa para descrever. “O todo é mais do que a simples soma de todas as partes”. A combinação da experiência pessoal com o objectivo comum dá origem a Orelha Negra, os amotinados.

Orelha Negra é o resultado da junção das peças de um quebra-cabeças. Em cada peça que se encontra na história, as raízes da música negra como Jazz, Soul, Funk, Groove e Hip-Hop, e muita cultura portuguesa, é representada por músicos renomados que foram traduzidas para a linguagem do colectivo. Eles são Francisco Rebelo no baixo, João Gomes dos Cool Hipnoise nas teclas, o rapper Sam The Kid, o baterista dos Buraka (Fred) e o DJ Cruzfader.

Um som de bater pés, espancar palmas e abanar cabeças que só não é mais recomendado que a final do Europeu logo à noite.

Orelha Negra foram sublimes, qual Félix da Housecat qual quê.

Foi o 360º, uma experiência no alto, com mais excelsos que baixos.



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