GNR

25 anos para celebrar nos Coliseus.

São um dos mais carismáticos emblemas do campeonato musical português. Apesar de terem sido dos últimos a irromper do boom que foi o novo rock português, nos anos 80, os GNR (sigla polémica para Grupo Novo Rock) rapidamente ganharam um lugar de destaque no panorama pop português, que até à última década sempre se manteve muito frágil.

Começaram por exigir “Portugal na CEE”, em 1981, mas com a entrada do jovem Rui Reininho, ex-vocalista do estranho projecto Anar Band, os GNR ganharam novas roupagens musicais: Reininho viria-se a revelar num dos mais iconoclastas letristas nacionais e um dos mais respeitados compositores em língua portuguesa.

E ao terceiro disco surgia o reconhecimento. “Os Homens Não Se Querem Bonitos”, o álbum de 1985, é hoje um importante documento da história da pop portuguesa e inclui um dos temas mais comuns ao ouvido nacional; falo, obviamente, de «Dunas», canção que todos sabemos cantarolar e tocar uns acordes na viola.

Os GNR são também uma das bandas nacionais mais singulares, cuja carreira corre lado a lado com as polémicas e alguns marcos históricos. Um dos episódios mais relevantes foi a acesa polémica que opôs os GNR ao seu ex-baixista Vítor Rua. Este último interditou o álbum ao vivo “In Vivo”, que registava as actuações dos GNR em dois Coliseus esgotados, por conter temas que ele próprio compusera para o grupo. A primeira edição do disco foi mesmo retirada do mercado, transformando as poucas cópias vendidas em verdadeiros objectos de colecção.

Outro importante marco da carreira dos GNR ocorreu em 1992, após a edição de “Rock In Rio Douro”, a aclamada obra-prima da banda. Aproveitando o seu sucesso estrondoso, num ano em que se voltava a redescobrir o rock cantado em português (depois de “Ar de Rock”, Rui Veloso abria mais uma vez a porta à música cantada na língua de Camões com o outro clássico “Mingos & Samurais”), os GNR iriam encher o Estádio de Alvalade e o das Antas, tornando-se na única banda nacional a esgotar um concerto de estádio.

Num ano em que atingem a bonita idade de 25 anos de carreira, os GNR voltam a ver a sua carreira relançada. Primeiro foi o álbum de tributo “Revisistados”, onde o seu reportório foi adaptado às sonoridades do hip-hop, do reggae e do r&b por vários projectos nacionais, dando novo fôlego ao trio de Rui Reininho, Tóli César Machado e José Romão. E depois foi o lançamento de “ContinuAcção”, o terceiro volume da colectânea que reúne os maiores êxitos da banda e que inclui um inédito e uma original versão de «Quero Que Vá Tudo Para O Inferno», um original do rei da música ligeira brasileira, Roberto Carlos.

Como não há duas sem três, os GNR decidiram completar as comemorações destes 25 anos de carreira com o regresso aos Coliseus do Porto e de Lisboa. O primeiro está marcado para o dia 25, enquanto que a visita à capital está agendada para dia 31. Agora é esperar que a história se repita e que as duas actuações possam vir a resultar em mais um inesquecível registo ao vivo.



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