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Gold Panda

De Londres, o Japão.

Ainda no rescaldo do Milhões de Festa, apanhámos Gold Panda em Hamburgo, via net, e fomos descobrir mais sobre Derwin – inseguro e depressivo, mas com doçura – uma das mais recentes surpresas da música electrónica da cidade de Londres, com uma obsessão declarada pelo Japão.

Derwin faz música desde os 15 anos, depois de ter recebido do tio um sampler AKAI e um computador ATARI. “Fazia samples dos discos do meu pai a tentar fazer hip-hop piroso como o Puff Daddy”, conta. E foi aí que descobriu o Japão, entre o animé Akira, os jogos de computador japoneses e o Street Fighter 2. Por isso, com o passar do tempo, o hip-hop e o Japão tornaram-se um só.

Fazia música muito louca e barulhenta e mesmo apesar de um amigo – que fazia techno – lhe dizer que era boa, Derwin insistia que não, confessa-nos: “não tinha confiança para a editar mas estava sempre a fazer música e trabalhos de merda e a ser infeliz”. No dia em que esse mesmo amigo morre de enfarte, Derwin pensa que se calhar devia fazer um esforço e talvez o amigo tivesse razão: “criei um myspace e escolhi um nome melhor. As faixas que fazia soavam mais ao menos ao mesmo, e foi aí que surgiu o Gold Panda”.

Foi descoberto pela Wichita Recordings depois de ter feito dois remixes para amigos que as puseram em blogues. Por essa altura, a editora pediu-lhe para fazer a «Bloc Party Remix» e deixar algumas faixas. “Uma semana mais tarde tivemos uma reunião (com álcool) e pediram para me agenciar. Despedi-me (de um trabalho numa sex shop!!) e comecei a fazer remixes”, conta. Depois incentivaram-no a tocar ao vivo e Derwin marcou um gig com um colega: “como não tinha nada feito, preparei um live set em cerca de uma semana que correu bem, fiz algumas apresentações e tudo começou a melhorar. Mas continuo a não gostar”.

“A minha ex-ex-namorada ajudou-me a escolher o nome Gold Panda”. Alter-ego de Derwin na música que faz, não é mais que duas das suas coisas preferidas, uma cor e um animal. Misturadas deram origem a Gold Panda, nome do qual ainda não está convencido: “Ao início não gostei, depois passei a gostar, agora não gosto, talvez volte a gostar outra vez”.

É difícil ouvir Gold Panda dizer que gostou dos concertos, e uma série de outras coisas relacionadas com a sua música. Onde ele está bem, é a produzi-la: “Basicamente, quando não estou a compor sinto-me como se fosse explodir. Fico realmente mal-humorado e frustrado por isso coisas como tours e dar concertos roubam-me muito tempo. Tem que eu preciso para fazer a minha música ou fico triste.” Chega ao cúmulo de ter um concerto num lugar incrível, tipo Nova Iorque, e dois dias antes ligar ao agente e dizer: “cancela todos os concertos, cancela tudo, desisto”. Por isso, quando questionado se a música é para ele o próprio Xanax, Derwin explica: “a música é apenas uma forma de ser eu próprio e fazer o que gosto. Faz-me parar de pensar em outras coisas. Nunca planeei tocar ao vivo ou editar a minha própria música”.

A música electrónica que nos faz chegar, segundo se lê no site do próprio, apresenta faixas diferentes entre elas e incorporam múltiplos estilos e influências, samples obscuros e material de base. É aí que se baseia a sua discografia. Em Agosto de 2009 lançou o seu primeiro EP “Miyamae” (2009); e ainda no mesmo ano brinda-nos com “Quitter’s Ragga” (2009), cuja faixa homónima foi seleccionada no Top 100 Tracks of 2009 do staff da Pitchfork; em Setembro edita já sob o nome de Gold Panda o EP “Before” (2009).

Já este ano, em Maio, ofereceu-nos o EP “You”, editado pela sua própria editora Notown. O LP “Companion” da japonesa AVEX é uma colectânea de 3 EP’s lançados, em 2009, no Reino Unido: “Não queria tê-los lançados como um álbum porque são todos tão diferentes. Queria lançar um álbum que tivesse uma sonoridade, uma direcção”. E não falta tudo, em Setembro, espera-se, será editado “Lucky Shiner”, – “que é o nome da minha avó” – com onze faixas novas.

Com um ano de vida, ainda, leva já na bagagem uma tour com os Caribou na Europa e uma com os HEALTH, nos E.U.A.. Depois desta passagem por Hamburgo, vai andar um pouco por todo o mundo: Reino Unido, E.U.A., Europa, Brasil e depois talvez Japão. “Eu não quero ir, quero ficar em casa a fazer música”, reitera Derwin depois de nos falar da extensa agenda de concertos.

Vir a Lisboa está nos planos, mas pergunta, “posso só beber cerveja e não dar concertos?”. Explica que gostava de tocar em salas pequenas, para 100 ou 200 pessoas porque, na verdade, “eu só quero ir à Feira da Ladra com o Andy”.

Acha que não poderá ser o Gold Panda para sempre, talvez por mais dois álbuns. No futuro gostava de fazer coisas como r&b como o R. Kelly. Ainda assim, e seja qual for o caminho, confessa: “gostava de trabalhar em música a full-time para sempre”.



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