goldfrapp_header

Goldfrapp @ Coliseu dos Recreios, 22 de Setembro de 2010

Os Goldfrapp que surgiram em 2000 com "Felt Mountain" não são os mesmos que, em 2010, nos ofereceram "Head First".

Esta prosa vai tomar como base a seguinte premissa: Os Goldfrapp que surgiram em 2000 com “Felt Mountain” não são os mesmos que, em 2010, nos ofereceram “Head First”. Isto não deve ser interpretado como algo negativo porque, pura e simplesmente, não o é.

A entrada do Coliseu na Rua das Portas de Santo Antão deixou desde logo antever o que se veio a confirmar alguns minutos depois. Não houve casa cheia. Talvez um pouco mais de metade. O público que perfez essa meia casa era o mais diverso e eclético possível. Quase que era possível especular que aquela pessoa à direita era uma admiradora confessa de “Felt Mountain” e que a pessoa atrás de si tinha uma manifesta inclinação pelas sonoridades de “Black Cherry” ou “Supernature”. Em comum, a admiração e reverência pela banda. Essas, foram inquestionáveis.

Alison Goldfrapp empresta o seu apelido ao projecto que partilha com Will Gregory, sempre com um papel mais contido mas não menos atento e controlando sempre as operações em seu redor. Assim, cabem a Alison as despesas da casa, papel que lhe assenta que nem uma luva.

O relógio assinalava as 21h40 quando os Goldfrapp subiram ao palco do Coliseu. Logo à vista, saltou a aura eighties em redor da banda e da própria Alison, com uma indumentária brilhante que nunca poderia ter sido inspirada por nenhuma outra década e com o seu cabelo loiro e ondulado ao sabor do vento que ia sendo gerado por uma ventoinha colocada à sua frente.

O concerto teve uma alinhamento com uma estrutura claramente delineada. Desde logo ficou no ar que qualquer passagem por “Felt Mountain” seria pouco provável ou simplesmente muito pontual, como de facto se veio a verificar já lá mais para o final do espectáculo. Alison e companhia atiraram-se de imediato às canções do último “Head First”, um álbum onde os anos 80 e os teclados dos sintetizadores característicos dão cartas. Temas como «Rocket», «Alive», «Believer» ou o tema que dá também título ao álbum, foram bastante bem recebidos pelo público, que demonstrou estar bem familiarizado com o mais recente trabalho do duo.

Porém, não deixava de ser notório que muitos estavam ali à procura das canções de outros álbuns do duo britânico. A primeira grande explosão de alegria, o primeiro momento em que Alison Goldfrapp teve realmente o público na mão, ocorreu ao som de «Train», do já velhinho “Black Cherry”. Nesses minutos qualquer preocupação ou stress foram momentaneamente colocados de lado, enquanto largas centenas de braços no ar faziam do Coliseu dos Recreios um belo cenário. “Black Cherry” voltou a ser visitado durante o concerto, com especial destaque para «Strict Machine».

Foi notória uma crescente satisfação em Alison e nos restantes elementos da banda que acompanham os Goldfrapp em palco com o decorrer do concerto, muito por culpa da forma como os temas iam sendo recebidos pela assistência.

O alinhamento passou também por “Supernature” que encheu a sala ao som de «Ooh La La» (muito celebrada e dançada entre o público), «Ride a White Horse» e «Number 1». Continuava a não ser audível qualquer acorde ou verso de “Felt Mountain” mas eis que «Seventh Tree» surge e com ele as expectativas do que se poderia seguir.

Quando o relógio marcava as 22h40 e 1h de duração no que ao concerto diz respeito, dá-se a primeira saída de palco. Muitos aplausos, gritos e assobios (e alguns narizes torcidos em jeito de desagrado) pediram o regresso da banda que, como seria de esperar, acedeu. Nesse momento foi, finalmente, possível regressar a “Felt Mountain”. O som escolhido foi «Lovely Head», interpretado por Alison com recurso a dois microfones, por forma a que um deles pudesse conferir a distorção desejada à sua voz nas partes em que o tema assim o exigia. Soube a pouco mas soube bem. Por esta altura já perceberam quais os Goldfrapp que este escriba prefere.

Pouco tempo depois o concerto chegava ao fim, ainda a tempo de uma rápida saída de palco em que Alison Goldfrapp aproveitou para trocar o casaco vistoso que trazia vestido, por um mais simples. Foi por esta altura que «Strict Machine» se fez ouvir.

Foi um bom concerto dos Goldfrapp, pleno de competência, bem tocado e com uma interpretação vocal imaculada de Alison. Porém não foi possível abandonar o Coliseu sem a sensação que bastava os Goldfrapp terem querido um pouco mais, e teriam levado o concerto para outro nível. A curta duração do concerto (cerca de 1h20) também não terá ajudado. Felizmente ficaram óptimos momentos para recordar.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This