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Google Buzz

Uma cartada inteligente ou simplesmente pouco original?

As Redes Sociais já fazem parte do dia-a-dia. Posso dizer que já faz parte do meus hábitos começar o dia e ver as minhas notificações no Facebook, dar o bom dia no Twitter e depois ver os meus e-mails ao mesmo tempo que ligo o Messenger. Se falho um dos primeiros dois itens, sinto sempre que faltou alguma coisa ao dia – que estou desligado, que não prestei atenção aos meus “amigos”. Já são hábitos enraizados – se é que hábitos se enraízam em tão pouco tempo…

Logo, não é de estranhar que outros nomes no mercado da Web 2.0 não tentem entrar no mesmo bolo das Redes Sociais como é o caso da Google. Tendo já tentado desbravar território com a compra do Orkut, do Youtube e do Google Wave, não podemos dizer que o Google tenha tido ainda uma entrada eficaz nas redes sociais – o Orkut é gigante só no Brasil, o Youtube não é uma rede social per si e o Google Wave não é uma rede social porque não tem nem pessoas suficientes com login, nem ainda um motivo muito forte para alguém lá voltar. E assim nasceu o Google Buzz.

O Google Buzz foi apresentado no dia 9 de Fevereiro como “uma nova forma de compartilhar e de se comunicar”. Um mashup de Twitter e Facebook, o Buzz encontra-se integrado num Tab dos Gmail de todos os utilizadores (se ainda não tem quando ler este artigo, fique descansado que terá nos próximos dias) e funciona de uma forma muito semelhante ao Twitter – uma pessoa ou é seguida por pessoas que acompanham o que seguimos ou segue pessoas cujo conteúdo interessa. Até aqui não há muitas novidades. A diferença fulcral assenta principalmente em três pontos:

1. Não existe limitação de caracteres – podendo ir além dos 140 caracteres, o Google Buzz permite a postagem de textos longos, para além da ligação com as contas do utilizador do Picasa, Flickr, Google Reader, YouTube e Twitter. Isto significa que a cada update feito num dos sites mencionados este alimenta a timeline do Google Buzz.

2. Respira de mecânicas semelhantes ao Facebook – permite aos utilizadores fazerem “like” e comentarem os posts dos utilizadores. O Twitter permite quase “comentar” os posts através dos replies mas estes não ficam sequenciais na timeline dos utilizadores.

3. Por fim, acedendo via telemóvel ao Google Buzz, o post traz as coordenadas GPS do utilizador, indicando de onde o post foi feito. Integrado com Google Maps, isto dá uma experiência interessante ao consumidor no mesmo tipo que permite o Foursquare.

Um dos pontos que é considerado negativo do Google Buzz é a sua limitação a quem tem uma conta de Gmail. Podendo ou não fazer parte de uma estratégia para apanhar os números de utilizadores que o Hotmail ou Yahoo! Mail têm, a verdade é que esta limitação é um corte para alguns utilizadores. Para além disso, no momento de lançamento várias queixas surgiram relativamente ao Google Buzz pela sua invasão de privacidade a dois níveis – por um lado, por fornecerem automaticamente um serviço na sua inbox que não foi solicitado; por outro, o facto de, no momento de lançamento do Google Buzz, cada utilizador já estava automaticamente a seguir ou a ser seguido pelas pessoas que são frequentes no seu inbox. Este último já suscitou problemas como o caso de uma mulher nos Estados Unidos da América que teve como seu seguidor automático o ex-marido que enviava mails incessantes a ofendê-la. Sim, era um contacto constante da sua inbox – não era propriamente dos mais qualificados.

“O Google Buzz devia ter um rótulo de beta” comentou Armando Alves, Web Strategist e entusiasta da Web Social. “Permitindo apenas o read da informação de outras plataformas para o Buzz e não permitindo o write, é uma plataforma, neste momento, inacabada. É, no entanto, interessante para quem utiliza o e-mail enquanto centro nevrálgico das suas operações do dia-a-dia.” Aproveitei ainda para perguntar ao Armando qual, na sua opinião, a verdadeira utilidade do Buzz quando contraposto com outras redes sociais de uso semelhante. “Neste momento não é muito interessante. Poderia seguir um modelo muito mais semelhante ao Living Stories, utilizando o forte da Google que é a organização de informação”. Claro que o Google já emitiu releases a avisar que iriam ser feitas alterações, inclusivamente o seu lançamento para utilizadores fora do Gmail – o que também é a evolução esperada –  mas citando o próprio Armando, “teria sido muito mais interessante lançar tudo ao mesmo tempo.”

Em suma, o Google Buzz é um mashup de Twitter, Facebook e Foursquare que respira da rede de sites da Google e é exclusivo a quem tem um e-mail Gmail. Tem também umas inspirações de Google Wave e Google Reader. Podendo ter potencial, ainda é cedo para perceber qual o seu papel no panorama das Redes Sociais – não tem a simplicidade do Twitter, nem as aplicações e interacções complexas do Facebook. É algo entre um e o outro, tentando retirar o melhor dos dois. Vamos ver com o tempo se a Google lançou uma cartada inteligente ao unir dois serviços ou se foi simplesmente pouco original.



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Existem 3 comentários

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  1. profanArte

    A Segurança na net, é pouca ou nenhuma. Esta é a realidade, não importa o tamanho do muro que se constrói, pois tem e terá sempre brechas. Por isso o melhor é, ter "online", a privacidade que um dia poderá deixar de ser, sem que isso nos provoque mui dano. Sobre o Buzz… o simples facto de activarem uma janela "destas" no "meu email", teve este acto imediato. Desactivado!

  2. David Carvalho

    Olá ProfanArte,

    Apenas um esclarecimento, que acredito que é daqueles mitos urbanos que perseguem o meio online…muito poucas pessoas tem a noção mas a Internet é segura para ti, para mim e para pessoas que fazem um uso pessoal para aceder a informação no geral…

    Mais de 90% das pessoas que tem problemas de segurança, seja relativamente ao seu computador pessoal, seja num acesso ao site de um banco, seja no seu e-mail, seja onde for, 90% dessas falhas de segurança tem origem na "ignorância" do próprio utilizador que de alguma forma se deixou enganar, na maior parte dos casos são casos de burla e não própriamente falhas de segurança do nosso computador…

    Os verdadeiros Hackers não se dão ao trabalho de andarem atacar computadores pessoais, dão-se sim ao trabalho de atacar as empresas ou mais própriamente os servidores dessas empresas…

    A maior parte das pessoas andam pela internet sempre com medo que os Hackers lhe vão atacar o computador de casa e vão entrar e não sei mais o que, mas como os computadores pessoais não são própriamente servidores o acesso remoto é complicadissimo, normalmente o que acontece são "wanna be hackers" que se fazem por exemplo passar por gajas boas e que burlam as pessoas fazendo elas correrem algum tipo de programinha no computador para eles acederem…ou então um e-mail falso para responderem com o acesso do banco e por ai fora :)

    O que eu quero dizer é que a maior parte das pessoas que navegam e acedem aos serviços não tem de se preocupar com o seu computador pessoal que não tem interesse nenhum para um verdadeiro hacker :) ou seja tem de se preocupar como tu referiste e bem com o sitio onde poem os dados, pois ai sim os servidores dessas empresas podem ser atacados :)

    p.s – desculpem o OFF Topic :)

    Abraço,


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