Gota d’Água

O espaço alternativo da noite de Sesimbra já reabriu. Entrevista com um dos responsáveis.

A diversidade de cultural na Margem Sul do Tejo sempre foi bastante reduzida, particularmente no que diz respeito a espaços nocturnos. Mesmo com um crescimento populacional bastante significativo, não tem havido uma aposta na criação de espaços “alternativos”, com uma programação e filosofia diferente. Nos últimos tempos temos dado a conhecer alguns desses espaços (o Clubisssimo em Setúbal, por exemplo) e vamos continuar a fazê-lo nas próximas edições. Este mês, fiquem a conhecer o Gota d’Água, o local mais interessante da noite de Sesimbra.

Embora já exista há alguns anos, o “novo” Gota d’Água reabriu apenas há um mês, com o objectivo de recuperar a posição que conseguiu alcançar na noite de Sesimbra. Quando o “antigo” Gota fechou, o espaço estava em clara expansão e já se tinha tornado uma referência para muitos, não só de Sesimbra e arredores, mas também de Almada e Lisboa. A simplicidade decorativa e o extremo bom gosto musical, tornaram o Gota na verdadeira alternativa, numa vila tradicionalmente dominada pela música brasileira e comercial.

O “novo” Gota pretende pegar em tudo o que o “antigo” tinha de bom e acrescentar mais qualquer coisa de forma a aproveitar o espaço e uma lacuna existente na região. Para isso, a programação já está pensada e irá passar por actuações ao vivo e dj set’s que gradualmente serão mais “aliciantes” para o público. Por enquanto, o bom gosto musical continua a ser a maior referência do espaço, onde uma diversidade de géneros (desde o electro, drum n’ bass, indie rock) se unem em prol da qualidade e da diversão.

Estivemos à conversa com Pedro Mateus, responsável pela programação do espaço e dj residente do espaço. Fiquem com a entrevista e visitem o Gota d’Água. De certeza que não se vão arrepender. A RDB recomenda.

RDB: Para quem não conhece o Gota d’Água, apresenta-nos o conceito do espaço e as vossas motivações

Pedro Mateus: O Gota d’Água é um espaço que prima pelo conforto e bom ambiente. As cores quentes e os reflexos espalhados por toda a casa são de facto um espelho da imagem que queremos transmitir. Um espaço onde toda a gente se vislumbra, mantendo a privacidade e a descrição que um ”Lounge” exige.

No que diz respeito às motivações, a resposta é simples e penso que acontece um pouco por todo o lado… Quando, entre vários grupos de amigos, surgem conversas de que faz falta um espaço de certa forma alternativo e que fuja ao mainstream, a resposta imediata de qualquer um é: “se eu pudesse, criava algo íntimo e ao mesmo tempo com esse espírito”. Pois bem, a nós foi-nos dada essa oportunidade, e asas para formularmos o nosso próprio projecto, de acordo com essas convicções. Sabendo à partida que existe muita gente com sede de uma Gota d’água deste género.

RDB: A margem sul em geral, e Sesimbra em particular, tem uma oferta alternativa muito pouco reduzida. Achas que existe público interessado em sonoridades e conceitos fora do mainstream?

Claramente que sim. É óbvio que um espaço alternativo na margem sul é sempre uma opção arriscada, mas temos a perfeita noção de que existe um público para nós. A diversidade de gostos e a exigência sonora são cada vez mais uma realidade, e a margem sul não é excepção.

Não temos meios para de certa forma “educar” um público habituado ao mainstream, portanto apostamos num target que já está dentro dessa onda alternativa, e que pode perfeitamente trazer pessoas com gostos diferentes.

A imagem da noite de Sesimbra está muito ligada ao Carnaval e ao samba. O Gota d’Água pretende ser a alternativa e contrapor este pensamento?

É certo que em Sesimbra se vive muito o Carnaval, é uma altura do ano muito forte, talvez ainda mais forte que os meses de Verão. Nós próprios somos um bom exemplo disso, temos os nossos gostos musicais bem vincados, mas também curtimos o Carnaval.

No que diz respeito ao samba, definitivamente não é a música que passa no Gota d’Água, mas há provas dadas que há muita gente que dança no Carnaval ao som de outros estilos musicais.

O Gota d’Água passou por algumas controvérsias e fechou quando estava a conseguir criar uma “casa”, com pessoas a deslocarem-se de Lisboa (e não só) de propósito para visitar o espaço. Achas que é possível retomar o bom caminho que estavam a seguir? Quais são os trunfos para conseguir isso?

A nossa aposta passa muito por conseguir reconquistar esse público. Daí a nossa opção em contar com caras familiares no staff, pessoas que trabalharam no antigo Gota d’Água, e que estão obrigatoriamente associadas às noites que lá se viveram.
Temos a perfeita noção de que a história não se repete, e por isso mesmo estamos a tomar um caminho paralelo ao anterior, mas que se desvia um pouco dos objectivos dos antigos gerentes. A nova decoração é um bom exemplo disso.

A nível de sonoridades, qual é a aposta do espaço? Tentar ser o mais eclético possível?

Apostamos sem dúvida na qualidade, o som é a alma de qualquer casa. Tentamos abranger uma vasta área musical mas obviamente que nos guiamos muito pela diversidade. Sentimo-nos como uma alternativa e como tal o “comercial” fica à porta. Electro, Reggae, Drum n’ Bass vão ser apostas fortes na cabina do Gota.

Queremos juntar o que é bom, ao que é novidade e pensamos que com essa junção conseguimos marcar a diferença numa noite sesimbrense que peca pela falta de movimento alternativo

Vão apostar em actuações ao vivo?

Sim, claramente. Vamos iniciar este mês de Julho o primeiro evento fruto da parceria Gota d’Água/Soundsnack onde contaremos com a presença de Bad Lover & Histérica Ibérica e Tape Loading Error. Dois concertos numa noite. Estas noites vão realizar-se nesta fase inicial mensalmente, com a particularidade de as bandas iniciarem os espectáculos a horas decentes, ou seja por volta das 2.00h, sendo-lhes dado o papel principal, situação que infelizmente na maioria das casas não acontece, visto as bandas serem normalmente utilizadas para abrir a noite e tocarem para meia dúzia de pessoas que simplesmente foram beber café.

Já tens a programação para os próximos tempos? O que vamos poder encontrar no Gota em Julho?

Para além da noite de música ao vivo que se vai realizar no dia 15 de Julho, vamos contar com vários djs ao longo do mês. Dj Dixi, Djonny Days, Dj Iara, Dj Specter são os nomes que este mês vão passar pelo Gota, contando comigo como residente.

A partir de dia 13 de Julho vamos começar a abrir às Quintas-feiras com o intuito de dinamizar mais a noite semanal em Sesimbra.

Imagina que tens que convencer uma pessoa a ir até Sesimbra ao Gota d’Água. O que lhe dizias?

É uma resposta difícil de dar, porque temos pessoas de grupos diferentes, e cada um deles vem ao Gota d’Água por motivos diferentes. Uns pelo espaço, outros pelas pessoas, outros pela música.

Agora que o Verão começa a dar sinais de vida, acho que a minha proposta seria vir até Sesimbra, beber uns copos junto à praia e depois andar 20 metros até ao Gota d’Água, o local perfeito para acabar a noite em grande.

O convite está feito. Apareçam!



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