Gotan Project

O cibertango está de volta. Dia 26 de Novembro no Coliseu de Lisboa e, no dia seguinte, no Coliseu do Porto.

Gotan Project é um projecto formado por um trio franco-suiço-argentino em 1999. O guitarrista de rock argentino Eduardo Makaroff conheceu, em Paris, Philippe Cohen-Solal (fundador da etiqueta discográfica Ya Basta!) e o suíço Christoph Müller, ambos produtores de música electrónica.

O objectivo destes três amigos era a fusão, até a data inédita, da música tradicional da Argentina de Eduardo, o tango, com música electrónica. O resultado foi uma sonoridade que vai muito mais além do que muitos inicialmente esperariam. Os Gotan conseguiram aliar a esta fusão elementos do dub e algumas influências do jazz. Toda esta mistura sonora, completamente nova, foi bastante apreciada pela crítica (conquistaram o Prémio Revelação nos World Music Awards da BBC em 2003).

Em 2001 lançam o aclamado “Revancha del Tango”, que viria a tornar-se um sucesso de vendas (cerca de um milhão de cópias). Deste álbum seriam extraídos mega êxitos que ecoavam em todas as rádios, em que «Epocha», «Santa Maria» e «Tripico» são alguns dos exemplos.

Desde então, inúmeras bandas surgiram na cena musical porteña. Nomes como Bajafondo, Ultratango e Otros Aires estão nos escaparates das lojas, ouvem-se nas ruas, nos salões onde os argentinos se encontram para conviver, beber e dançar tango. Seguem os passos pioneiros do Gotan Project, combinando sons teoricamente inconciliáveis. Produzem música dançável e aprazível, à qual adicionam uma componente multimédia durante as apresentações ao vivo ou, mesmo como os Gotan costumam fazer, um duo a dançar Tango puro em palco. Uma mistura de sons tradicionais, batidas electrónicas, vídeo e imagem, luz e cor.

Gotan Project foi um elemento fundamental, talvez o mais importante, para a, cada vez maior, procura do tango além-fronteiras argentinas. E, embora os argentinos mais conservadores continuem a achar que os Gotan andam a brincar com o género, a Argentina só tem a agradecer a este trio pelo reavivar de um estilo que parecia perdido.

Curiosamente o fenómeno Gotan não vingou logo de raiz. Foi preciso algum tempo até ocorrer assimilação de uma forma completamente diferente de encarar o Tango. Entretanto, alguns DJ´s iam aproveitando as obras-primas criadas pelo trio para fazer remisturas, originando algo altamente improvável até há bem pouco tempo: clubs a moverem-se aos ritmos do Tango. Peter Kruder, Antipop Consortium e Pepe Bradock foram alguns dos ilustres nomes que remisturam este novo “cibertango”.

Em 2004, Philippe Cohen-Solal edita “Inspiracion Expiracion”, uma colectânea com remixes e “funky” tango seleccionados e remisturados pelo próprio. Obviamente que um álbum de remisturas não teve o mesmo impacto que o “Revancha del Tango” (nem provavelmente mais nenhum editado pelo trio terá) mas este álbum permitiu ir ainda mais além da fusão do tango com outros estilos; Dub, Rn’B, ou mesmo Hip-hop foram aqui apresentados, em conjunto com uma electrónica ainda mais acentuada.

Portugal é, segundo os próprios, um local bastante querido para este trio, visto que foi justamente no Coliseu de Lisboa, em 2003, que se davam os primeiros passos para a grande aceitação que este projecto viria a ter. Ainda nesse ano, voltam a Portugal para um concerto mais discreto no 7º festival da Marina de Albufeira.

O lançamento do novo álbum, “Lunático” (cujo nome é inspirado no cavalo de corrida de Carlos Gardel , valeu uma nova aparição destes “Cibertangos” por terras lusas e, apenas três meses depois, de esgotarem os Coliseus de Lisboa e Porto somos brindados com a presença destes pioneiros da música argentina.

“Lunático” foi gravado em Buenos Aires e Paris com músicos locais, contando ainda com a participação de vocalistas como Caceres, Jimi Santos, Koxmoz  (o duo de rappers) e Cristina Vilallonga, mais a colaboração dos pianistas argentinos Gustavo Beytelmann e Tuscon, a base do grupo Caléxico. A apresentação do seu novo single «Mi Confessión» é uma “desculpa” mais que aceitável para comparecer no dia 26 de Novembro no Coliseu de Lisboa ou no dia seguinte no Coliseu do Porto.



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