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Grand Sun | Entrevista

Estamos a equacionar hipóteses de apresentar o disco ao vivo, quer seja numa sala em streaming, ao ar livre, em drive in, todas essas opções estão a ser estudadas.

Os Grand Sun editaram há pouco tempo “Sal Y Amore” e foi esse o pretexto para lhes colocarmos algumas questões. Bem, isso e o momento ímpar que vivemos. 2020 era um ano em que todos tínhamos sonhos e objetivos para concretizar e, de um momento para o outro, ficou tudo suspenso.

Como têm encarado tudo isto e, em particular, a forma como vos afectou?

Agora já estamos na fase do reaproveitamento de ideias e a planear coisas que possam acontecer, mas lembro-me bem que no início disto tudo ficámos todos com aquele feeling de ‘bem, os concertos de Março e Abril já arderam, mas pode ser que a partir de Maio…”. Mas não, logicamente cancelou-se mesmo muita coisa, e sendo este disco um disco mais de estrada foi um grande balde de água fria por cima de todo o planeamento de imprensa e concertos. Mas a ordem do dia agora é reinvenção.

O artwork de “Sal Y Amore”, bem como os vídeos dos singles «Feeling Tired» e «Veera» seguem uma estética muito própria e fica claramente a sensação que não foi deixado nada ao acaso. Confere-vos um toque artsy, com pinta e acaba injetando ainda mais personalidade nas vossas canções. Era esse o vosso objectivo? Em que se inspiraram?

Sim, definitivamente. Estamos muito contentes com a arte final do disco, inspirámo-nos aqui um pouco na onda ‘betamax’ para este projeto e as cores casam bem com o cenário industrial. Nos vídeos, apesar do storytelling de alguns deles (adicionando aqui a Circles, que saiu entretanto) poder ser idealizado mais no momento, a ideia latente a todos é que a estética, as cores e a imagética se mantenha mais ou menos consentânea.

Porque escolheram “Sal Y Amore” para título do vosso álbum?

O nome surgiu aqui antes do significado. Nós sabíamos que queríamos um nome mais reduzido que o do EP anterior e que fosse mais na linha do momentum da banda. Entretanto percebemos que pode significar o contraste entre o amor idilico que falávamos no trabalho passado e o amor maturado, das aventuras e dos dissabores, daí o sal.

Escutar «Veera» faz-me lembrar muito o psicadelismo meio lo-fi que os Real Estate tinham no início da carreira (e que infelizmente foram perdendo). Lembro-me de os ver actuar já há alguns anos no Aquário da ZdB e consigo imaginar-vos perfeitamente a abrir para eles. Acho que encaixavam que nem uma luva. Para que outras bandas olham como influência?

Ena, que boa onda! Os Real Estate são uma influencia nossa, sim. Sem ordem específica admiramos muito os trabalhos de Silver Jews, Deerhunter, Parquet Courts, Talking Heads, King Gizzard & The Lizzard Wizzard, Stone Dead, Brian Jonestown Massacre, Stereolab, IDLES, Flaming Lips e Fontaines DC.

Já agora, a «Veera» baseia-se em alguém real? É que ouvimos a canção, seguimos as letras e no fim o que fica é a vontade de descobrir mais sobre ela.

Sim. Mas o nome é um wordplay com a cidade de Tavira. Vira = Veera.

A pergunta que se segue é mera curiosidade. Porque motivo «Dear Ruby II» não faz parte de «Dear Ruby» e, em vez disso, tornaram-na uma música por si mesma?

Acho que por uma certa questão de fluidez, neste disco optamos por seccionar as malhas maiores (River/She Wants You, Dear Ruby I e II, Palo Santo/Santo Palo) e também porque a Dear Ruby II ao vivo é o momento jam do concerto. Pareceu-nos também interessante a saída da frase ‘i’ll be sitting and drinking, drinking, drinking (…)” para um interlúdio mais etéreo.

Já em «Palo Santo» e «Santo Palo» fica no ar uma ideia de se estar perante um princípio e um fim. Quando a primeira canção termina nem nos apercebemos que já estamos na outra. A diferença torna-se palpável logo de seguida com o crescendo que nos conduz até ao fim da composição. Isto foi algo que surgiu de forma natural enquanto iam compondo o álbum ou foi algo deliberado?

Esta Palo Santo surgiu como uma seccão da Santo Palo em que a banda se vira para um lado mais progressivo e instrumental, sendo que a primeira metade da canção era mais garageira e a segunda mais levitante, então no estúdio a decisão que houve foi somente a de onde cortar a fita.

Por esta altura já sabemos que não vamos ter festivais de Verão. Estamos a perceber os moldes em que os concertos em sala vão poder acontecer. Nos dias de hoje tocar ao vivo é vital para uma banda. Como estão a encarar toda esta situação?

Um pouco com alguma ansiedade na medida de tentar perceber o que fazer. A nossa agência está a tentar tirar o melhor partido da situação imaginando formatos de concerto e minimizando ao máximo o número de concertos ao vivo cancelados, e maximizando o cenário de adiamento para a próxima temporada de concertos.

Já estão no horizonte planos para apresentar “Sal Y Amore” ao vivo?

Estamos a equacionar hipóteses de apresentar o disco ao vivo, quer seja numa sala em streaming, ao ar livre, em drive in, todas essas opções estão a ser estudadas. É perceber quando haverá vazão para isto acontecer.



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