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Grasspoppers

“África está na moda e ainda bem”.

Na altura em que avançámos para esta entrevista aos Grasspoppers, supergrupo à portuguesa que reúne vários ilustres do panorama nacional, não fazíamos ideia que a banda tinha acabado de editar um novo disco, “Lovers Rock Inna Week”, talvez pela ausência de promoção e alarido à volta do disco. Esse facto levou a que uma ou outra questão tenha saído ao lado, uma vez que o disco que vai ser apresentado no Musicbox é precisamente esse, “Lovers Rock Inna Week”, uma “homenagem aos clássicos do reggae romântico”, e não “Dub Inna Week”, disco dub de 2010. Nada que tenha impedido as respostas (de Milton Gulli) de virem ao de cima.

O texto que apresenta o disco refere que o álbum foi gravado numa altura em que se disputava o Campeonato do Mundo da África do Sul, em 2010, a mesma altura em que projectos sul-africanos como, por exemplo, os Die Antwoord explodiam, tornando-os fenómenos globais. Acompanharam essa ascensão? Acham que o Ocidente está definitivamente a dar uma maior atenção à música africana e/ou que vem de África?

Esse texto é referente ao nosso primeiro disco, o “Dub Inna Week”. Este ano estivemos envolvidos noutro projecto chamado “Lovers Rock Inna Week”, onde prestámos homenagem aos grandes clássicos do reggae romântico, desde Gregory Isaacs a Dennis Brown, entre outros. É este último disco que vamos apresentar no Musicbox, no dia 20 de Outubro. Temos andado sempre atentos a toda a música que vem de África. O Campeonato do Mundo de 2010 deu alguma visibilidade a vários nomes que nós já acompanhávamos, como é o caso dos BLK JKS, dos Tumi and The Volume, entre outros. Creio que há uma maior procura da nova música africana, fugindo um bocado ao estigma da world music, onde já existem vários artistas africanos bem posicionados. Procura-se hoje em dia, e podemos ver pela quantidades de novas editoras ocidentais a lançar música africana, a nova música africana. Sons urbanos de Angola, do Quénia, do Gana já invadem as pistas de dança um pouco por todo o mundo. Existem bandas como os Vampire Weekend que vão beber do grande espólio da música africana, ou até mesmo o Damon Albarn, que sempre que pode dá um saltinho ao continente africano e presenteia-nos com nova música. África está na moda e ainda bem.

No mesmo texto referem que as gravações tiveram “muito fumo, algumas cervejas, ocasionais copos de vinho e de whisky”. E Rum, não houve Rum?

Por acaso não houve Rum… foi uma falha…

Ainda no mesmo texto refere-se que foi tudo gravado nos estúdios Abyssinia Studios 03. Sentiram que tinham ali o vosso próprio Studio 1? Como foram as coisas em estúdio, todos participaram na composição?

O Abyssinia Studio 03 é um estúdio caseiro, com pouco material mas com muita liberdade para se fazer coisas. Podemos dizer que é o nosso Studio 1, porque a porta está sempre aberta para novas pessoas, novas ideias. Este novo disco teve mais participantes do que o “Dub Inna Week”, e todos com liberdade para criarem, opinarem, etc. Toda a gente participou na composição, apesar de não estar toda a gente [presente] em todas as fases da gravação. O pessoal ia entrando e saindo do estúdio conforme a sua disponibilidade e pegando sempre na música que nós estávamos a trabalhar no momento. Podemos dizer que o núcleo duro dos Grasspoppers sou eu, a minha irmã Marisa, o Renato Almeida e o Fred Munguambe. mas com muito input de todos os participantes.

Com o que saciavam a fome? Com tantas e distintas influências foi fácil decidir entre uma Muamba e uma Dambun Nama?

Saciávamos a fome com que houvesse na altura… Lembro-me de frango com cerveja, saladas, pizzas, pastas, churrasco de carne e peixe…

“Reggae only sounds right when recorded in Jamaica”. Esta citação está no documentário “Beats of the Heart: Roots Rock Reggae”. Ainda que o que fazem extravasa o reggae, acham que esta é uma afirmação que faz sentido?

Creio  que os discos gravados na Jamaica têm uma sonoridade muita própria, difícil de recriar. Mas isso deve-se ao material analógico que estes estúdios usavam, principalmente nas coisas mais antigas. Se estivermos a falar de canções já não concordo com essa afirmação. Faz-se muito bom reggae em todo o mundo e com altíssima qualidade. E isto verifica-se também em termos de conteúdo lírico. O reggae jamaicano falava muito dos problemas da Jamaica e hoje em dia é fácil ouvir uma banda da Costa do Marfim a tocar bom reggae e a falar dos seus problemas internos. A música é uma coisa universal, não interessa onde foi feita desde que genuína.

Porquê um espectáculo ao vivo só agora, um ano depois de gravarem o “Dub Inna Week”?

Este segundo disco “Lovers Rock” saiu já em finais de Agosto de 2011, por isso não passou assim tanto tempo. Nunca foi intenção nossa fazer espectáculos destes discos. O nosso objectivo era gravar e mandá-lo cá para fora de uma forma gratuita. Enquanto gravávamos o “Lovers Rock Inna Week” começou-se a falar na possibilidade de fazermos um único concerto de apresentação com todos os convidados. A ideia foi crescendo e dia 20 estaremos no Musicbox.

O concerto é também apresentado como o primeiro e o último. Porquê um único concerto?

Porque nunca foi nossa intenção levar este disco para a estrada. O conceito é compor e gravar discos numa semana e não apresentá-lo ao vivo. Tem mais a ver com o nosso prazer em fazer música em conjunto do que tornarmos os Grasspoppers num projecto sério, que ande na estrada com concertos, etc. Por isso será o único, também para saciar a fome de alguns fãs…



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