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Graveola e o Lixo Polifônico @ Bartô (20.7.2014)

Uma banda para irmos visitando e ouvindo com atenção

O sexteto de Belo Horizonte (Brasil) reservou para Lisboa a última data da sua tournée, mais precisamente para o Bartô no Chapitô. E o público apareceu, apesar de ser domingo, preenchendo as duas salas divididas pelo “tanque” que serve de palco.

Apesar de alguns problemas técnicos iniciais, a Graveola e o Lixo Polifônico não se deixou abalar e começou a tocar os temas do seu último trabalho – “Dois e ½ Vozes Invisíveis” – e quem os veio ver não se prendeu e rapidamente começou a bambolear os corpos quentes numa sala que quase se tornou pequena para tanta gente.

Os ritmos quentes de bossa nova reinventada de sons africanos e latinos, que conferem a esta banda o estatuto de experimental, puxam e incentivam à dança a dois, como ainda se pôde assistir por um casal, o que nos leva a pensar que para o final de tour o Bartô foi demasiado fechado para uma noite aquecida pelos ritmos da banda.

O lado mais experimentalista é visível ao longo de todo o concerto; as letras em três idiomas diferentes, os multi-instrumentos e outros objectos adaptados a instrumentos, fazem com que seja interessante ver as transições de Ygor Rajão, mas toda a banda é contagiante, e as três vozes que compõem o grupo (Luiza Brina, Luiz Gabriel Lopes e José Luis Braga) merecem realmente o louvor.

Não menos relevantes são o baixista Bruno de Oliveira e o baterista Gabriel Bruce, que oferecem o ritmo certo e o compasso acertado numa banda em que já se nota a facilidade de encaixe, ou não fosse este o último concerto a ser realizado na Europa.

Os problemas técnicos persistiram durante todo o concerto, solucionados como possível pelo staff do espaço e da banda, mas sempre sem deixar que a música parasse. E nunca parou, havendo espaço para canções novas (que serão editadas no próximo álbum a ser lançado) e músicas mais antigas, que marcam o percurso da banda.

Quinze minutos antes do final do concerto avisam que o “concerto está dando os finalmentes” porque há horários a cumprir, mas ainda há espaço para mais três músicas e um encore de mais duas. Ao todo, 12 canções que provam que Graveola e o Lixo Polifônico são uma banda para irmos visitando e ouvindo com atenção, pois poderemos estar aqui a assistir a um novo fenómeno da música experimental brasileira.



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