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Graveola e o Lixo Polifónico

O sucesso brasileiro da reciclagem musical.

São seis músicos em palco, com instrumentos tão variados quanto os gostos musicais de cada elemento. Apoderam-se de trechos e melodias deixados pelo mundo contemporâneo e mostram que afinal reciclar é o melhor caminho para reinventar a música. Directamente do Brasil para Portugal, Graveola e o Lixo Polifónico.

Não é fácil definir esta banda. A multiplicidade de estilos e gostos musicais deram origem ao que o grupo chama de uma “oficina de experimentação, uma caixa de possibilidades poético-sonoras”. Nos concertos, Luiz Gabriel Lopes, José Luís Braga, Yuri Vellasco, Flora Lopes, Juliana Perdigão e Bruno de Oliveira juntam materiais do quotidiano à bateria, guitarra e saxofone. Todos tocam instrumentos, todos são vocalistas e o resultado das actuações são verdadeiras peças líricas. O sexteto que tem actuação marcada amanhã, dia 28, no Festival Músicas do Mundo em Sines vai percorrer o país de norte a sul durante duas semanas. Trazem na bagagem o disco “Um e meio”, e entretanto vão revelando algumas novidades sobre o próximo trabalho.

A descontracção que marca a entrevista é a mesma que se vive nos concertos. E é essa alegria, essa disposição, que os Graveola querem mostrar ao público português. Juliana Perdigão, que toca clarinete, saxofone e flauta diz que este projecto “trabalha muito com as emoções, com muitas referências brasileiras”. E acredita que é esta identificação e familiaridade que leva tantas pessoas aos concertos.

“A originalidade total não existe”

Com gostos e estilos musicais diferentes, que variam entre o pagode e a pop, é normal que surjam grandes discussões, mas também é verdade que todos os elementos se esforçam para encontrar uma similaridade. Luiz Gabriel Lopes revela: “há uma unicidade forçada mas que se tornou orgânica, é uma conjuntura meio bizarra de actuações e histórias.” Juliana vai mais longe. “Para mim é incrível ter vindo parar no Graveola, porque são histórias muito diferentes, há muitas referências. A gente estar todos na mesma banda é um milagre”.

Numa coisa todos estão de acordo, nomes incontornáveis da música brasileira não podem deixar de estar presentes nos seus álbuns e exemplo disso é o compositor Tom Zé que afirmam estar na génese da formação da banda. Nas músicas reconhecem-se, ainda, as influências de nomes como Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Jards Macalé ou Sérgio Sampaio.

A ideia de reciclagem e da cópia valer tanto quanto o original foi e continua a ser a matriz pela qual a banda se rege. “Nós queremos ser mais autênticos do que originais. A questão do plágio é mais no sentido criativo, da necessidade de releitura que existe de tudo o que já se produziu. Quando você junta uma música dos Mutantes com Caetano Veloso você dá um novo sentido”, conta Luiz. Os Graveola e o Lixo Polifónico acreditam que esta familiaridade é fulcral para os dias de hoje.” Para a Juliana “a originalidade total não existe” e exemplo disso é que o uso das notas musicais não se esgota.

De Belo Horizonte para o Mundo

Em 2004, Luiz Gabriel Lopes, Marcelo Pedestá (que já não faz parte da banda) e José Luis Braga, colegas de faculdade, decidiram formar a banda que se apoiava na recolha de “resíduos e destroços” da música contemporânea para compor as suas melodias. Cinco anos depois, é lançado o primeiro disco homónimo, com ajuda da Lei do incentivo cultural do Estado de Minas Gerais, e o grupo é considerado a revelação da música independente de Belo Horizonte. Um ano depois surge mais um sucesso, o álbum “Um e meio”.

A expansão do grupo para o mundo deu-se através de um clique. Disponibilizar os downloads gratuitos dos álbuns contribuiu para divulgar e promover o trabalho. “O facto de a gente distribuir mostra que a gente não é dono. Queremos fomentar esse compartilhamento para usufruto do público”, afirma José Luis Braga. No entanto, os músicos procuram novas soluções para rentabilizar o projecto. “Estamos a procurar uma plataforma que tenha custos para o artista mesmo que em porções mais reduzidas, mas sem custos para o utilizador”, revela.

Para Setembro a banda conta lançar o terceiro disco no Brasil, cujo nome ainda não está bem definido. Juliana Perdigão assume que “é um disco mais maduro, com um pouco de pop e de canção, mas que dentro disso tem várias camadas.” Por agora, os Graveola e o Lixo Polifónico querem ter casa cheia nos seus concertos e deixam o apelo: “Juntem a malta e venham para o Grave!”.



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