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“Gravidade”

A corrida ao Óscar finalmente começou

Foi preciso esperar até Outubro, mas as salas de cinema já começam a ficar mais “compostas” de bons filmes. Finalmente. Depois da estreia de “Rush”, de Ron Howard, a marcar a entrada oficial na época da caça ao Óscar (ignoramos o estreladíssimo mas desapontante “O Mordomo” de propósito) eis que surge o estonteante “Gravidade”, de Alfonso Cuarón.

E “estonteante” é capaz de ser mesmo a melhor palavra para descrever esta película… em todos os sentidos e mais alguns. A história que se relata é a de Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalsky (George Clooney), uma dupla improvável de astronautas que se vê forçada a lidar com a sua própria solidão em pleno espaço quando uma chuva de detritos os coloca numa posição desconfortável e perigosa. Até aqui tudo “normal”, não fosse o realizador Alfonso Cuarón ter muita vontade de nos fazer sentir tudo o que se passa como se lá estivéssemos. E não há pior sítio para se estar em apuros do que no espaço…

O espectador é transportado para o local da acção (neste caso, as ruínas de uma expedição espacial que correu mal) e vive intensamente o que vai acontecendo, sentindo na pele o pânico, deixando de respirar com as personagens, ouvindo o que elas ouvem (e o que não ouvem) e chorando com elas. É uma experiência imersiva a tal ponto que ver “Gravidade” no cinema, e em 3D, chega a ser mesmo angustiante (mas no bom sentido, claro).

No entanto, não há outra forma de apreciar convenientemente este belíssimo filme (exceptuando, talvez, o IMAX) que, arriscamo-nos a afirmar, vai entrar directamente na história da indústria. Sim, não estamos a exagerar.

“Gravidade” tem tudo para se tornar num clássico instantâneo: uma história relativamente original (que prende o espectador sem utilizar grandes diálogos ou técnicas de “engaging” altamente complexas), a que se juntam efeitos especiais e sonoros de cortar a respiração, utilizados de forma a usar e abusar do nosso sistema nervoso. Pode-se juntar a isto o facto de ser um filme curto e bastante directo, não dando muito espaço para que o espectador se “perca” ou se distraia: está sempre qualquer coisa a acontecer, ao ponto de quase dar vontade de pedir uma pausa para respirar.

Tudo isto sem grandes pretensões e frases feitas, o que muito se agradece. E sem grandes desvios dos elementos que constróem o que realmente se pretende de um bom filme: que seja, acima de tudo, uma boa experiência cinematográfica. Que valha a pena ir ver ao cinema. Que nos faça sair da sala a pensar “Ainda bem que não vi isto no Wareztuga”.

No final, e feitas todas as contas, fica a sensação de que este filme nos proporcionou a experiência mais próxima possível do que é estar no espaço sem, efectivamente, lá estar. Pelo caminho, e quase sem querer, vamos aprendendo umas lições, como convém, mas sem grande enfoque no cliché (excepção feita à tentativa de humanização da personagem de Bullock, que sai forçada). Estamos no espaço, mas a moral da história é sempre a mesma: a solidão enlouquece e todos precisamos de nos sentir conectados para que a vida faça sentido. E, já agora, não há nada como ter os pés bem assentes na Terra.



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