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GT 6

De quatro rodas até à Lua

Viviam-se os últimos dias de 1997 e a Sony a par da Polyphony Digital, empresa sua subsidiária, apresentavam ao mundo um simulador de automóveis cuja capa era constituída por um vulto de um carro coberto com uma “lona” sob um céu ameaçador. Na época a plataforma explorada era a primeira Play Station e para atrair os ávidos amantes de simuladores auto os japoneses avançavam com a ideia de um jogo que permitia a “condução” de 140 carros desportivos exibidos através de um revolucionário grafismo 3D.

Muitos anos depois, a saga idealizada por Kazunori Yamauchi, designer de jogos de consola e antigo piloto profissional de automóveis, está de volta e Gran Turismo 6 promete deixar a concorrência a anos-luz de distância assumindo-se como o mais completo e perfeito episódio da série, um exclusivo PS3 que promete deixar todos colados à magia inata deste jogo.

É pertinente iniciar esta análise fazendo referência à reputação que a Polyphony tem vindo a construir em volta dos lançamentos da sua responsabilidade, todos eles envoltos de uma reputação e evidentes credenciais cujo fator comum tem o realismo como filosofia o que levou mesmo a empresa a envolver-se no desenvolvimento de simuladores automóveis para algumas marcas nipónicas.

Ao colocar pela primeira vez GT6 na PS3 o frenesim começa a tomar conta do nosso sistema nervoso. Por vezes são poucas as diferentes em termos de filosofia de jogo e novidades gráficas entre evoluções dentro da mesma saga. Que esperar de Gran Turismo 6? Ao som do piano de Lang Lang, surgem as primeiras imagens da intro. A retina fixa-se na memória de Ayrton Senna, no circuito paulista de Interlagos e a momentos passados dentro das instalações da Fundação do referido malogrado campeão brasileiro de F1. Comemoram-se os 15 anos de Gran Turismo e a Polyphony mostra imagens dos bastidores dos construtores a par de apontamentos de diferentes cenários onde as poderosas máquinas presentes em GT6 podem atuar.

Introduções à parte, chega a hora de dar nome ao nosso piloto. O barulho dos motores ecoam na nossa mente e estamos quase prontos a agarrar o volante. A aventura começa no circuito de Brands Hatch, Grã-Bretanha, e é sugerida uma Track Day a bordo de um Renault Sport Clio R.S de 2011. Progressivamente, o sonho torna-se realidade…

E esse realismo sente-se, e entranha-se, depois de tomar de assalto o novo GT6 e vibrar com a loucura que é sentir a velocidade a bordo de alguns dos melhores e mais rápidos carros do mundo, ingredientes principais de alguns dos suculentos menus servidos através da PS3. Em poucos minutos, sejamos já fãs da saga GT ou não, é impossível não sentir que aqueles carros são extensões de nós próprios. Fisicamente, sentimos a força do carro e o corpo balança a cada pião, a cada mudança de velocidade ou travagem a fundo. A missão é clara: agarrar o volante e deixar-se levar. Ainda que possamos estar perante alguns dos normais tiques dos simuladores do género, GT6 leva-nos mais longe, faz-nos sentir, a fundo, o poder de decisão e a arrebatadora certeza da envolvência.

Pensado para todos, GT6 permite várias experiências. Podemos “simplesmente” optar por uma condução aceleração/travagem ou aventurar-nos numa condução de perícia onde se aconselha o domínio total da máquina quando só a vitória interessa e o desafiador sistema “e-brake” é o que mais ordena. Para tirar partido do realismo do jogo, aconselhamos uma condução manual que permite atingir, de facto, novos patamares de realização pessoal enquanto condutor virtual ávido de uma intensa estratégia de uma corrida que aumenta de intensidade. Essa é um das marcas que diferem a família GT dos menos audazes e ambiciosos simuladores como Need for Speed ou Burnout…

Mas GT6 leva-nos, definitivamente, mais longe. As fronteiras são quebradas e o céu deixou de ser o limite pois é possível correr na Lua. Sim, ao volante de um veículo lunar – o buggy Roving Vehicle LRV-001 – cujo red line resiste até às 80 milhas por hora. A falta de gravidade é outra desafio a ter em conta e GT6 e é sinónimo de outro delicioso desafio.

De regresso à Terra, GT6 dá-nos a possibilidade de participar, por exemplo, no britânico Festival de Velocidade de Goodwood que possibilita percorrer os pouco menos de dois quilómetros da verdejante colina localizada em West Sussex. Neste evento é possível conduzir veículos históricos como o Porsche 917 ou o McLaren MP4-12C, uma “bomba” de sete velocidades cujo velocímetro pode marcar os 350 (!) quilómetros por hora. Neste desafio de três níveis, ainda que Porsche e McLaren sejam boas máquinas, é ao volante do Ferrari Dino 246 GT que a exigência da pista mais se faz sentir e a adrenalina resultante da experiência é apenas descritível por quem já a viveu.

Não é fácil decidir de entre os cerca de 1400 carros disponíveis em GT6 aquele que mais nos agrada ou decidir qual das corridas escolher tal é a abundância quantitativa e qualitativa deste jogo. Para além da habitual parafernália de escolhas de jogabilidade GT6 oferece ainda o Coffe Break, uma funcionalidade que engloba alguns mini-games que vão testar algumas das capacidades do jogador enquanto piloto que aumentam progressivamente de dificuldade.

Bastante divertido, este Coffe Break permite, por exemplo, derrubar pinos de sinalização em pista e carros díspares. Noutro mini-game, denominado desafio-eco, a tarefa consiste em percorrer uma determinada distância utilizando apenas um litro de combustível e pela nossa experiência esta tarefa surpreende os mais otimistas pelo elevado grau de dificuldade e gestão. À medida que são superadas estas provas os jogadores vão conquistando troféus que são sinónimo de pontos ou créditos que dão acesso a outros itens como novos carros. Se a destreza levar o jogador a conquistar o mais alto lugar do pódio destes troféus a recompensa monetária é também uma realidade. Estes novos aliciantes encontram reflexo no modo carreira que conta com três diferentes níveis de prova: campeonato nacional (nível a e b), campeonato internacional (níveis a e b). Depois de ultrapassados estes quatro patamares resta abraçar a competição Super destinada aos veículos de maior potência.

Nas mais recentes versões dos jogos de consola a possibilidade de interagir com a loja PSN é cada vez mais pertinente e GT6 não foge à regra. Verdadeiro aliciante, este fato permite consolidar o modo de jogo online e se optarmos por jogar através de uma carreira individual basta abrir os cordões à bolsa e conseguir progredir no jogo sem ter de fazer todas as etapas de GT6. Ainda assim, tal “facilitismo” pode ser contraproducente em termos de realização pessoal enquanto piloto de sucesso na PS3. Ainda que a referida possibilidade seja de considerar aconselhamos a sentir na íntegra todas as etapas e dificuldades deste fantástico jogo.

Este novo episódio de Gran Turismo faz jus à magnificência dos outros jogos da saga e apesar de GT6 não introduzir novidades de monta ou grandes ideias revolucionárias mantém a qualidade que os fãs deste simulador apreciam com elevadas doses de diversão, tensão e velocidade, fatores multiplicados por inúmeras horas ao “volante” da PS3 ainda que a saída da nova PS4 possam assumir-se como um desafio para a equipa da Polyphony Digital nos próximos tempos.

Não tanto como um “normal” jogo de corridas e mais como um simulador de condução, GT6 é o expoente máximo do seu segmento mantendo o perfil da sua génese. Os controlos são relativamente acessíveis e o vício da condução ganha-se a cada quilómetro. Um must have, definitivamente!



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