“Guarda como um segredo” | Sandol Stoddard e Ivan Chermayeff

“Guarda como um segredo” | Sandol Stoddard e Ivan Chermayeff

Simples e grandes descobertas

No dia em que nasce um bebé, nasce também um novo “eu” em todos os que assistem a tal acontecimento. A partir daquele momento o mundo abre-se, torna-se infinito e as descobertas sucedem-se, em flashes contínuos que inundam olhares. Tudo o que sempre existira ganha um novo brilho e as coisas pequeninas realçam-se, enquanto as coisas maiores se agigantam.

Guarda como um segredo” (Bruaá, 2013) foi um pequeno presente da Bruaá para fechar o ano que já lá vai, enlaçando-nos em páginas de descobertas e emoções, numa renovação tão própria de um ano novo que começa.

Para um bebé que acaba de chegar, há todo um mundo a desvendar. Um tudo tão vago que nos deixa perdidos entre mostrar-lhe uma maçã ou um pedaço de neve, um balde ou uma pá ou, então, explicar-lhe como as manhãs são lentas e precedem as tardes e o anoitecer.

De tão simples, o texto da escritora Sandol Stoddard desconcerta-nos. Enleia-nos entre tudo o que existe e é tão real, as coisas da natureza e do dia-a-dia, as cores e os objetos, para depois nos fazer entrar naquilo que sentimos, nos dias em que tudo está bem e nos outros, em que até os brinquedos ficam tristes.

Ilustrado pelo designer gráfico Ivan Chermayeff, “Guarda como um segredo” revela-se um folhear de coisas simples, um livro deliciosamente ternurento que imaginamos ler junto a um berço no lusco-fusco do quarto.

Um segredo que queremos sussurrar a um bebé, acabado de chegar, de pensamento e olhar límpidos, com todas as memórias por construir, a quem podemos mostrar a força do vento ou o calor do céu, o canto dos pássaros ou o cheiro da erva. Coisas de gente gorda ou magra, nova ou velha, mas que ri quando tem graça e chora quando dói. Podemos dar tudo a quem ainda não sabe nada, mas que sente as dádivas como uma bênção e cada lição como uma nova emoção.



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