ROCK-IN-RIO

Há cinema no Rock in Rio

Muito mais do que um festival de música.

Não sou fã do Rock in Rio; há todo um conceito de “massas” que sempre me incomodou, sobretudo quando associado a festivais ou à música em si. O mainstream chateia. Mas como em tudo na vida, há que ver para crer, ou para admitir que também nós somos permeáveis ao erro.

Comigo, a permeabilidade provou-se algures em 2012. Com convites para a zona VIP, ainda que renitente, arrastei-me até à Bela Vista e, embora não saindo rendida, saí convicta do talento que ele encerra. Há que dar crédito ao conceito, à dedicação, ao suor e lágrimas que se vê em cada pormenor, e ao sucesso de conseguir um festival que agrada às massas (e a todas as massas). Há para todos os gostos, desde música a diversão, desde passatempos a jogos radicais, desde música jazz a rock ou pop brasileira em palco. Nada escapa (ou assim nos parecia), e increvelmente tudo funciona.

Roberta Medina é mais do que a cara do Rock in Rio (RiR), é a alma, e quem a ouve sabe porquê. Sabe reinventar onde parecia já não haver margem de manobra, sabe inovar trazendo o conceito “cultura” ao seu expoente. E a ela se deve a visão de juntar ainda mais uma componente “pop” e de massas ao RiR, praticamente impensável para quem, como eu, foi frequentadora assídua de festivais durante décadas. Cinema em festivais de música? Além de parecer impraticável, soa a forçado e, pior, iniciativa condenada ao fracasso. Pensei eu, claro está. E embora não tenha ainda visto para crer, acredito que a edição do RiR de 2018 vai convencer os mais cépticos de que, enquanto conceito “pop”, o RiR poderá ter acertado em cheio ao convidar o cinema para brincar.

“Há cinema no Rock in Rio” é o teaser. Mas desenganem-se os que se vêem de pipoca na mão, sentados durante 2 horas com apenas o dolby sorround de fundo. Isso seria “só” levar o cinema para um recinto de festival, e fazê-lo coexistir com a música (e a comida de gabarito, outra das novidades deste ano). E não é esse o slogan de Medina – reinvenção é a palavra.

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O cinema irá entrar no Rock in Rio, não como um intruso, mas como um dos “da casa”, que juntará como que outros amigos de sempre mas que já não víamos há uns anos. É assim que vejo o anunciado “Pop District”. O conceito é o mesmo, mas há uma reinvenção – a mesma que décadas e filhos nos amigos de sempre os tornam diferentes mas ainda assim familiares.

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É nesta mistura de nostalgia e futuro, tão bem defendida por Ana Markl, curadora do RiR, que reside o segredo do novo bairro da Pop: conteúdos exclusivos em vestes familiares.

Haverá “Gaming” integrado no Super Bock Digital Stage, e a promessa é que não se renderão só os fanáticos, haverá música africana e performances de rua na EDP Rock (or no longer just rock) Street, haverá chefs com estrelas Michelin no Time Out Market, haverá o Espaço Família que promete agradar pequenos e graúdos, e vem tudo com a promessa que agrada às novas gerações: será um RiR “instangramável”, “youtubável”,”blogável”, mas em que nada decepcionará os “clientes do costume”. Haverá um Wall of Fame (sim, leu bem, um muro!), para não fugir da reinvenção que guia a edição de 2018.

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E, quem adivinharia, haverá cinema! Não sessões de cinema, mas sim a reinvenção da mistura ficção / realidade em que a experiência cinematográfica vai saltar do ecrã. Para jogar em pleno com este conceito de pop, não há nada de acaso na selecção cinematográfica (como nada do que é pensado e executado por Roberta Medina se permite aleatoriedade). Misturar blockbusters explosivos com cinema de autor português tem de ser golpe de génio (se resultar; e tudo indica que se há coisa que RiR faz bem é misturar com sucesso). Prometer experiências bombásticas ao mesmo tempo que se promove o que de bom e inovador se faz cá dentro ao nível da 7ª arte aguça até a minha curiosidade céptica, pelo que espero que com o cartaz abaixo não pensem duas vezes e vejam por vocês se esta simbiose cinema no RiR e se o casamento blockbuster & cinema português poderá ser relação para durar. Não temam ser a prima invejosa que aposta que o casamento não durará mais de meses  ao mesmo tempo que ansiosa se agarra ao bouquet da noiva. Partilho o cepticismo, mas confesso que não sei se será a minha paixão por cinema a falar mais alto, a voz cá dentro que garante “o RiR já te enganou antes”, ou mesmo a energia da Roberta ainda a ecoar, há uma parte de mim que quer estar presente nestes 4 dias para deixar a magia do cinema conquistar.

Teaser perfeito: nenhum dos filmes seleccionados terá ainda estreado nas salas. O RiR terá primazia. Não há promessas de versões na íntegra, mas aposto que haverá um touch and feel que nenhuma sala de cinema poderá proporcionar. E aposto que, se a vontade dos mais conservadores falar mais alto, também haverá pipocas!

 

23 Junho

Mission Impossible: Fallout
Leviano

24 Junho

The Incredibles II
Pedro e Inês

29 Junho

Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindenwald
Linhas de Sangue

30 Junho

Mama Mia! Here we go again
Quero-te Tanto

Uma nota final para a produção portuguesa: parece inédita e extraordinária. Há uma energia contagiante, há caras novas a acompanhar quem já a sabe toda, e há um sentido de possibilidade no ar. Relembro os títulos para atiçar a memória: “Leviano”, “Pedro e Inês”, “Linhas de Sangue” e “Quero-te Tanto”. Realizadores, técnicos e actores (e que selecção de profissionais!) garantem estar presentes para dar autógrafos, promover, falar e viver em comunidade o RiR – não é essa a promessa desde a 1ª edição? O festival para todos. E, ainda que não seja “tudo novo”,  duvido que não vá surpreender.



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