Haim

Haim

Já fazia falta um trio feminino assim

Comecei e recomecei este texto uma série de vezes. Há muito a dizer sobre as Haim e tudo me parecia um início forçado e francamente mau. Uma das vezes comecei pelo facto de serem três e pus-me a dissertar sobre a falta que já fazia à música um trio feminino com qualidade suficiente para voltar a encher as rádios, como no passado fizeram as Destinys Child, as Supremes ou, se quisermos ir ainda mais longe, as Andrew Sisters nos anos 40. E daqui fiz a ponte para o facto de ainda por cima serem irmãs, o que dá um toque de mistério e aponta para um futuro por desvendar (será que vamos ter mais um caso de pancadaria e lavagem de roupa suja a la manos Gallagher?).

Noutra das vezes puxei ao local de origem da banda; afinal, se a Califórnia já foi inspiração para tantos, também o poderia ser para mim. Mas de repente dei por mim a dissertar sobre aquilo que diferencia as Haim de muita da música que de lá sai, já aqui não temos a folk fofinha a escorrer mel do Jason Mraz, a pop plastificada da Katy Perry, a pop surfista dos Beach Boys ou o rock de uns Grateful Dead; temos um pouco de tudo e isso não é necessariamente mau.

Voltou a não me parecer bem começar o artigo assim e parti para as distinções que esta banda, iniciada em 2006 mas que só em 2012 começou a gravar, já teve ao ser escolhida pela BBC e pelo NME como a banda revelação para 2013. Convém não esquecer que entre os nomes que já tiveram a mesma distinção podemos encontrar Michael Kiwanuka, Adele, Mika, Jessie J, Keane ou 50 Cent. Penso que é seguro dizer que estas escolhas não andam a ser tiros no escuro. E isto, goste-se ou não, é sempre um grande feito, principalmente para uma banda que conta com apenas três EPs no currículo.

Sim, podia ter dito isto tudo, mas no fundo prefiro ficar-me pelo mais simples. As Haim são para quem gosta de pop com toques folk, muito na onda de Mumford & Sons, mas com menos bandolins e mais rock na veia, e coros orelhudos de fazer bater o pé, abanar a cabeça e sonhar com tardes de Verão que nunca mais acabam. E sinto-me confiante em afirmar que qualquer uma dessas pessoas estará, como eu, ansiosamente à espera do tão badalado álbum de estreia; ou, se não estão, deveriam estar.



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