#AGC HANIA RANI 006

Hania Rani @ Musicbox (04.09.2019)

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É véspera do aniversário de Hania Rani e a primeira de duas datas que tem em Portugal, tem lugar na sala da Rua Nova do Carvalho. No palco há um banco, um computador e o incontornável piano.

São 22h30 quando Hania Rani, em silêncio, surge da pequena porta que existe no palco, do lado esquerdo. Por momentos escutamos apenas pássaros e a natureza. É um compasso deliberado e nós aguardamos, serenamente e em silêncio. Depois, os dedos de Rani tocam nas teclas e nada mais será como de antes. O piano torna-se uma entidade viva, uma extensão de si própria.

No centro de tudo está “Esja”, o magnífico álbum que Hania Rani lançou em Abril, mas há mais algumas surpresas em caixa. A polaca é uma executante sublime e apenas está a começar. As suas composições são verdadeiras montanhas-russas de sentimentos. Ora somos inundados de alegria, ora por tristeza. Ora há um sentimento de urgência, ora uma tensão que nos atravessa quando toca repetida e rapidamente numa tecla. «Eden», «Glass», «Biesy», «Now Run», «Today It Came» ou «Hawaii Oslo» são exemplos perfeitos disso. É um privilégio poder assistir a estes momentos. O talento que se “esconde” por detrás de uma pessoa tão tímida e reservada impressiona.

Os momentos mais inesperados surgem quando Rani canta. Numa voz suave, por vezes quase sussurrada e com um toque de jazz, outras vezes bem elevada ou, noutro momento, usando-a para criar camadas. Deixa-nos com um sorriso no rosto. Sempre.

Os pés de Rani são também eles uma parte fulcral de todo o processo. Marcam a cadência e, quando chega o momento de carregarem nos pedais, elevam as composições e nesses momentos conseguimos sentir-nos quase que a flutuar. Em volta, uns fecham os olhos, outros agitam o corpo como que ao sabor de uma qualquer brisa, enquanto outros tocam com as suas mãos num qualquer piano imaginário e outros deixam, simplesmente, lágrimas rolar pelo rosto.

Perto do final há uma longa e merecida ovação e um regresso, mesmo depois de a música ambiente se começar a fazer ouvir. Nós deixamos ali um pouco de nós, num momento único de partilha, mas também trouxemos algo connosco, que não tínhamos à partida: uma bela e inolvidável experiência.

 

Texto por Miguel Barba e fotografia por Andreia Carvalho.



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