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Hard Ass!

"Hard Ass Compilation" é lançada a 28 de Maio, acompanhada por uma tour europeia, e deu-nos a desculpa ideal para falar com J-WOW

“Era inevitável”, diz-nos o press release que recebemos acerca da “Hard Ass Compilation”, que será lançada no próximo dia 28 de Maio pela Enchufada. João Barbosa (J-WOW) começou a “recrutar os seus produtores favoritos à volta do globo e desafiou-os a reinterpretar o fenómeno do Kuduru”. O resultado é uma compilação recheada de temas “eclécticos, estranhos, loucos e fantásticos” que reúne nomes como Bok Bok, Douster, Seiji, Zombies For Money ou Canblaster.

A par da compilação vem uma tour europeia, que começa já a 24 de Maio, no Razzmatazz em Barcelona, seguindo-se o Lux, em Lisboa, a 25 de Maio. Dia 1 de Junho é a vez de o Fabric de Londres receber o Kuduru, terminando a tour dia 15 de Junho em Budapeste, no A38.

Fomos falar com J-WOW e descobrir um pouco mais da saga “Hard Ass”.

Quais foram os critérios para a escolha das faixas desta compilação?

No fundo a escolha começou na selecção dos produtores para criarem as músicas originais para os diversos volumes digitais que fomos lançando até agora. Escolhi produtores que achei que poderiam trazer um sabor novo e uma fusão interessante ao género do kuduro e que ao mesmo tempo fossem pessoas com abertura suficiente para criarem algo fora do baralho e genial. Depois na compilação foi só construir um percurso interessante, da mesma forma que organizo uma sessão de DJ, que soasse fluída desde o início ao final do CD.

Como encaras a forma como o Kuduro foi integrado por diferentes músicos pelo mundo fora? Apesar das vantagens óbvias que isso traz, não há também um risco de o som ficar descaracterizado?

Acho que não existe esse risco. Tudo isto acontece de forma totalmente paralela ao universo do kuduro que se vive em Angola. A intenção inicial é mesmo só partir de uma matriz rítmica e numa certa postura de abordar a música e aplicá-la às mais variadíssimas influências.

Ninguém está a afirmar que este é o “novo kuduro”, apenas se está a alargar o espectro de possibilidades e a criar música interessante e fora do baralho para ser consumida pelas pessoas… novas pistas de dança… novas formas de encarar a pista de dança.

Encontraste, entre estas selecções, alguma que te tenha apanhado completamente de surpresa? No sentido de nunca teres pensado que o Kuduro poderia ser utilizado desta forma em particular?

Sem dúvida que alguns destes temas me surpreenderam bastante, como por exemplo o tema do Kingdom, onde consegues sentir uma certa presença de R&B. Acho que as pessoas assumiram uma certa estética e depois criaram exactamente aquilo que lhes apeteceu e isso enriqueceu bastante o projecto.

Como é que estas fusões são encaradas na terra natal do estilo? Já apanhaste algum feedback de artistas ou do público angolano?

Nunca falei com nenhum artista de kuduro sobre estas “Hard Ass Sessions”, mas relativamente ao público geral acho, por exemplo, que angolanos que frequentam as nossas festas bi-mensais no Lux, adoram que exista este prolongamento dum género que lhes é familiar. Como é relativamente conhecido do público em geral, aquilo a que se chama uma “festa de música africana” em cidades como Lisboa ou Porto, a maior parte das vezes acontece com regras específicas de roupa e de abordagem musical que não é exactamente aquilo que todos procuram. Com o projecto “Hard Ass” sem dúvida que crias uma alternativa a tudo isso para todos. Não faz sentido reduzir uma nação a uma só opinião, nós dirigimo-nos a indivíduos que procuram aquilo que estamos a fazer e não a públicos específicos, ou nacionalidades especificas.

Há algum plano para lançar mais compilações?

Os volumes digitais vão continuar a acontecer, possivelmente quando chegarmos ao volume 12 teremos músicas suficientes para escolher e reunir outra compilação.

Como surge a ideia / oportunidade de fazer uma tour europeia? Quais foram os critérios para as cidades escolhidas?

Cada vez mais acho que os discos têm de ser promovidos no terreno. Não me fazia grande sentido lançar uma compilação e depois não tentar levar o espírito da mesma às pessoas. Infelizmente (e felizmente) por limitações de calendário a escolha dos locais foi fácil, porque foi uma questão de fazer coincidir os dias que tenho livres de concertos de Buraka com a disponibilidade das cidades e venues onde queríamos levar este evento. Ainda ficou a faltar Amesterdão, Bruxelas, Paris e mais algumas, que terão de ficar para uma segunda leva de datas.

Há surpresas para o evento no Lux? Podes adiantar algo desta noite?

Infelizmente quando se fala em surpresas as pessoas pensam imediatamente em foguetes e coisas do género. Nesse sentido não. No Lux, para além das habituais cinco horas de música bi-mensal, a grande estrela vai ser mesmo a compilação que vai estar pela primeira vez disponível para compra, e em formato físico, pois até agora só disponibilizámos este temas em formato digital, possibilitando às pessoas levar para casa um bocadinho deste conceito que a Enchufada desenvolveu nos últimos dois anos.

Texto por Daniel Sylvester e Hugo Pinheiro



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