Hell @ Lux

Noite demasiado pequena para a ascensão do Inferno.

A tempestade que caiu na noite de 19 de Outubro anunciava a sua chegada. Houve foi pouca gente a perceber isso e, quando assim acontece, torna-se difícil encher uma casa que assim tem que estar para acolher um mito no controle e, essencialmente no lançamento, das tendências das pistas de dança nos últimos anos.

Conhecido pelo sua aficción pelo futebol, nomeadamente pelo Bayern Munich e pela selecção alemã (durante o Euro 2004 “acampou” em Portugal e no Lux durante o campeonato), Hell é também conhecido pelo seu mau feitio. Desse pressuposto poderá surgir a explicação para que o set tenha terminado tão cedo para a meia dúzia de resistentes esperançados que Hell desse um “cheirinho” daquilo que estavam à espera, ou pelo menos que terminasse em grande.

O set foi debitado em sonoridades com base no electro. Hell, como dono da Gigolo, tem acesso a alguma da melhor música que é criada na electromusic actual e, se há coisas que não se pode pôr em causa, é o bom gosto na selecção deste artista. Muitos associam as suas actuações a autênticas tareias sonoras (no bom sentido), mas as melodias, embora em fortes batidas, são algo sempre presente.

O fenómeno, entretanto em vias de extinção, de electroclash, foi impulsionado para as pistas por ele e é algo que Hell tem a tendência natural a não puxar da mala de discos. As actuais sonoridades em ascensão de electrohouse estão também a ser descarregadas nos discos que actualmente coloca em cena e inspiram “milhentos” Dj´s na construção actual de um Dj Set. A potente «Bastard», de Oliver Huntermman, é sem dúvida das músicas que actualmente tem maior impacto numa pista de dança. Já uma mistura por Hell torna-se “brincadeira”.

Por estes caminhos deambulou durante a primeira hora do set. É obrigatório também referir a versão de Ame de “Rej” que foi lançada mesmo antes da melhor parte da sua actuação. Se Hell é associado a todas as vertentes de electro, no minimal é algo que ainda não se tinha ouvido falar. Talvez por estar chateado pela actuação  “para um grupo de amigos”, deu-lhe para percorreu caminhos não muitos habituais em si. Surpreendentemente, foi a melhor parte da sua actuação, com fortes e rápidas batidas em contratempos de um funky-sexy-minimal. Durante este quarto de hora todas as poucas dezenas de pessoas foram completamente hipnotizadas por este Dj de Munique.

Quando tudo parecia que ia começar a correr bem e que a “private party” iria ser algo para recordar, surge o corte. Hell parece perder a paciência e lança músicas por lançar, sem aquele feeling necessário para manter o ritmo lançado com o minimal. A pista vai esvaziando, os últimos resistentes parecem ainda ter fé que uma grande batida vai sair no final mas… Hell vai embora.

E assim uma lenda das pistas de dança passa pelo Lux e poucos são os que dão por ela…



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