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Hellblade: Senua’s Sacrifice | Análise

Uma das mais poderosas aventuras desta geração!

Responsável por Heavenly Sword e DMC: Devil May Cry, a Ninja Theory convida os jogadores a acompanhar Senua, uma guerreira celta, numa viagem às profundezas de Hel, o inferno víquingue, com o objectivo de reclamar a alma do seu amado, Dillion. Uma premissa simples mas que depressa nos transporta para uma experiência sem precedentes. Com Hellblade: Senua’s Sacrifice, a Ninja Theory está de volta, desta vez com uma das mais poderosas aventuras desta geração!

A aventura de Senua oferece não só um impressionante cruzamento entre a mitologia celta e nórdica mas também um arrebatador paralelismo entre o que é mito e o que é real. Senua sofre de transtornos psicóticos. Como tal, está constantemente a ouvir vozes e a sofrer com alucinações. A Ninja Theory levou o seu trabalho a sério e não quis, de todo, banalizar esta grave doença. Para esse efeito, conta com as indicações de Paul Fletcher, psiquiatra e professor de Neuro-ciência na universidade de Cambridge e de um investigador da Wellcome Trust. Nunca nenhum jogo foi tão longe em tentar replicar fielmente as vozes e visões que afligem os que sofrem com esta doença. O resultado é aterrador e, em muito boa parte, isso deve-se ao impressionante trabalho de voz e à sublime actuação de Melina Juergens que dá corpo, voz e alma a Senua!

O jogo desfruta de um impressionante sistema de áudio binaural que imita a tridimensionalidade da audição humana. Isto significa que, colocados os phones (só assim é que poderemos desfrutar deste sistema em todo o seu esplendor), como se estivéssemos dentro da mente de Senua, iremos escutar vozes em todas as direcções. É arrepiante escutar os gritos repentinos, ou os pequenos sussurros por trás da nossa orelha. Cada voz dita a sua sentença e, de início ao fim, é desconcertante sermos aconselhados, desencorajados e motivados face às mais variadas adversidades, por vezes tudo isto ao mesmo tempo.

A viagem de Senua vai levar-nos aos mais variados cenários, cada um mais impressionante do que o outro. Se o jogo já é impressionante na PS4 o que dizer dele a correr na PS4 PRO ou num bom PC onde atinge todo o seu esplendor visual? A mitologia, sobretudo a nórdica, é uma constante e, muitas vezes, vamos dar de caras com runas que nos conferem um maior contexto sobre ela. A maior parte das vezes, estes cenários vão surgir na forma de um puzzle que teremos de resolver para que possamos progredir. Uns mais fáceis do que outros, nunca chegam a roçar a frustração mas é um facto que dão alguma quebra ao ritmo do jogo durante o tempo em que estamos a puxar pela cabeça para os resolver. Quando não estamos a resolver puzzles, ora estamos sozinhos com a mente sempre em conflito de Senua, ora, por vezes, estamos a lutar contra as abominações que tentam barrar-lhe o caminho.

Hellblade prima pela história mas isso não significa que o combate seja menos impressionante. Aviso que não existem quaisquer tutoriais sobre a jogabilidade deste jogo. Fora o menu de pausa que nos diz o que cada botão do comando faz, há muito mais para deslindar. A início a defesa e o contra-ataque eram a palavra de ordem mas a cada confronto fui sendo mais ousado e comecei a explorar outros movimentos e combinações de ataque. Depressa, dei por mim no papel de atacante a realizar investidas e movimentos de ataque que nos primeiros momentos nunca iria pensar ser capaz de executar. Ainda que algo limitado, o sistema de combate é extremamente gratificante de explorar e dominar. Ver Senua a mostrar do que é capaz revelou-se como uma luz no meio da escuridão que ela tanto luta por superar. Para isso, claro, terá de confiar em si mesma, bem como nas suas habilidades, e nos outros. Uma metáfora sem dúvida que deliberada por parte da Ninja Theory e que os produtores seguramente fizeram questão que não passasse despercebida.

Graficamente brilhante e acompanhado por um sistema de som de excelência, só é pena ser curtinho, tendo a longevidade de 6 a 8 horas. Ainda assim não me senti de todo defraudado, muito pelo contrário. Hellblade é para mim já um jogo de referência, exemplar tanto como jogo de acção como pela história que oferece. Envolvente e arrebatadora, foi para mim impossível não torcer por Senua assim que a conheci e acompanhá-la até ao final. Se são fãs de uma boa história e procuram uma nova forma de explorar o género de acção, esta é uma experiência que não podem deixar escapar!



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