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Henry Miller – O tempo dos assassinos

Sai uma rodada para o inferno.

Por norma, uma biografia é um ensaio sobre uma outra pessoa. Henry Miller está-se nas tintas para tudo isso e escreve “O tempo dos Assassinos”,  uma biografia sobre o poeta maldito Arthur Rimbaud como se estivesse a escrever a sua própria, com inevitáveis paralelismos entre a vida de ambos, episódios de pobreza e miséria, niilismo e incompreensão capazes de atiçar os corações mais empedernidos. Pelo meio ainda consegue falar de Van Ghog ou Nietzsche e nunca se coíbe de comparar o seu percurso ao de Rimbaud, sendo no entanto mais comedido no que diz respeito ao seu génio.

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Se o leitor procura uma biografia factual e etnográfica sobre Rimbaud, este não é nem o livro nem o escritor certos, porque Miller nunca foi nem quis ser isento. Pelo contrário, como o próprio não se cansa de louvar, se ele é por alguma coisa é pela vida. E não há melhor maneira de ser pela vida do que celebrando os seus arautos, sobretudo Rimbaud, que é um dos maiores. Para os apreciadores do estilo stream-of-consciousness de Miller, este tanto pode versar sobre Rimbaud, entrega de telegramas ou o seu restaurante preferido porque a sua marca, algures a meio caminho entre a geração beatnik e Bukowski, jamais passará despercebida, para o bem e para o mal. Se a escrita fluída e em catadupa de Henry Miller não for suficiente para provocar calafrios e inspirar urgentemente a fazer algo que nem sequer sabem o que é, então estão literariamente mortos para o mundo. Para além de qualquer recuperação possível.



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