Hi-Teca

O Teatro Carlos Alberto vai receber entre os dias 15 e 19 de Setembro alguns dos maiores nomes da electrónica mundial.

Com o objectivo de apresentar projectos que promovem a interacção de diversas linguagens e fundem em palco várias componentes da criação artística, o Hi-Teca traz até nós na edição deste ano, alguns dos nomes mais significantes da música electrónica em várias vertentes, desde a mais experimental à mais dançavel e pop.

Obviamente que o nome que salta logo à vista do cartaz deste ano, são os britânicos Spektrum que irão fazer neste festival a sua estreia em Portugal, muito aguardada por muitos e ansiada por todos (Leiam o artigo sobre a banda inglesa nesta edição da Rua de Baixo). Mas o festival não se fica por aqui e estão agendadas actuações de Philip Jeck, Christian Fennesz + Jon Wozencroft, Burnt Friedman+ Jaki Liebezeit e @c + Lia.

Se a área mais relacionada com a pop está muito bem entregue aos Spektrum, os sons mais experimentais estão ainda melhor entregues a Philip Jeck e a Christian Fennesz. O interesse pela música do inglês Philip Jeck começou bastante cedo na sua vida pois aos 12 anos de idade já coleccionava discos. Depois de ouvir o hip-hop de Grandmaster Flash, começou a dedicar-se cada vez mais à mistura e os primeiros scratchs começaram a surgir. Depois de ter estado nos Estados Unidos onde conheceu e aprendeu com uma das suas maiores influências, Christian Marclay, Jeck inscreveu-se na faculdade de Artes de Dartington onde também se dedicou ao teatro, tendo depois se instalado em Londres onde começou a passar discos em algumas festas.

O ponto de viragem na sua carreira (ou melhor, o início da sua carreira) foi quando Jeck notou que quando estava a passar discos numa festa e colocava elementos mais estranhos e sons menos melódicos, as pessoas pura e simplesmente abandonavam a pista de dança. Começou a conhecer vários músicos que partilhavam dos mesmos gostos artísticos e desde então tem trabalhado com o vinil, transformando os discos em instrumentos e, através da utilização de várias velocidades de reprodução e de muitos outros utensílios (fita cola nos discos, etc), criou um estilo muito próprio que iremos poder assistir no Teatro Carlos Alberto no Hi-Teca onde, para além do gira-discos, Jeck irá trazer alguns samplers Casio SK1, tão primitivos que apenas permitem um único sampler, assim como alguns pedais de guitarra e sintetizadores.

No caso de Christian Fennesz, o seu instrumento é a guitarra, na qual se baseia todo o seu som. Bastante influenciado pelo som mais industrial e experimental (free noise), o músico austríaco é um compositor de música electrónica para guitarra eléctrica, conseguindo criar um som experimental e ao mesmo tempo melódico que nos transporta para ambientes mais escuros. Já com um número de lançamentos a nível individual bastante aceitável, o último álbum de Fennesz, Venice, é o trabalho mais romântico e menos arriscado de todos. É possivelmente este o mote para a actuação deste músico no Porto.

Para além destes dois artistas ainda há muito para descobrir na edição deste ano do Hi-Teca, onde quase todas as vertentes electrónicas irão ser revistas como numa verdadeira convenção.

Quem se interessa especialmente pela vertente electrónica da música ou para aqueles que gostam de conhecer e de conhecer o melhor que se tem feito na música electrónica europeia e mundial, este festival é uma óptima oportunidade que não se pode perder.



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