Hiena

Sink it All EP.

“No início de 2005, Gon (ex Zen; Tron), Marco Nunes (ex Blind Zero; Jorge Palma; Tron), Fred (Yellow W Van;OiOai; Balla; Maduros) e Mike (ex Zen; Jorge Palma), juntaram-se para compor novas músicas e formar a banda agora chamada HIENA.

Em Novembro de 2005 gravaram 10 músicas, 6 das quais fazem parte do E.P. “Sink it All”.
Pretendem agora apresentar estes mesmos temas ao vivo durante o ano de 2006.”

Os Hiena são uma banda vinda do Norte, com raízes no Porto… não que isso seja diferente, mas a garra com que enfrentam o som só podia, de facto, vir ‘lá de cima’.

Ao ouvir o E.P. de estreia dos Hiena, deparamo-nos com um som pujante e cheio de vitalidade, uma  agressividade que não magoa, simplesmente contagia…

Para quem não conhece Hiena, é fácil a sua apresentação: Marco Nunes fez parte da formação original dos Blind Zero, até ter sido convocado por Jorge Palma para o acompanhar nas suas deambulantes aventuras musicais; Fred, mais conhecido por ser o baterista dos Yellow W Van, é também um multifacetado baterista que participa em grupos como os Maduros ou os OiOai; fechando o círculo, temos dois antigos membros da mítica banda Zen, Gon e Mike.

Com estes ingredientes, os Hiena apresentam-nos um prato fortíssimo e variedade sonora. As suas influências parecem vir de longe, da distante década de 70, onde as guitarras são o ponto forte e o pulsar da bateria faz-nos lembrar Led Zeppelin.

Nos vocais (e sem querer fazer deste disco alvo de comparações) está presente a magnética de uns Queens Of The Stone Age ou até de uns The Who.

Na primeira faixa do E.P. «Crash» entra logo a abrir numa espiral de guitarras e drum rolls, uma faixa para acordar e para avisar que o que virá a seguir é de facto para abanar a cabeça.

Na segunda faixa «Sink it All» vislumbra-se uma cortina sonora que nos faz lembrar bastante os anos 70. A voz de Gon assemelha-se bastante ao tom de Robert Plant, num tema onde o baixo roda sem parar, dando um toque grunge, com os efeitos das guitarras a fazerem-me lembrar Syd Barret.

O resto do álbum é de uma personalidade gigantesca e faz-me crer que estamos perante uma banda, que para além do currículo que tem, irá singrar rapidamente nos clube e salas de espectáculos deste pequeno mas sabedor país. Exemplo disso é a terceira faixa, «In our dreams»… Faz-nos voltar rapidamente aos anos 90, onde o rock parecia ter renascido nas mãos de Chris Cornell., num estridente ‘jardim sonoro’.

Numa breve conversa que tivemos com o guitarrista e produtor Marco Nunes, este explicou-nos como fora o processo de gravação do E.P…

“O que posso dizer é que foi gravado de uma forma completamente caseira, com os micros mais baratos do mercado. Gravámos 10 temas, 6 dos quais estão  no EP. As baterias foram gravadas na sala de ensaio de um amigo (Paulo Praça) com o meu computador e com alguns micros que tenho e alguns emprestados… As guitarras foram gravadas dentro do armário de minha casa, assim como as vozes, palmas e tudo o resto (risos). Foi tudo gravado e misturado por mim, em minha casa, no meu estúdio caseiro, e depois pedi a um amigo para masterizar (Nelson Carvalho – que gravou Blind Zero, Wraygunn, Maria João e Mário Laginha, Humanos, Mão Morta, etc).

Como sabes, a experiência e o bom gosto ao gravar e misturar fazem uma grande diferença, principalmente quando se grava com poucas condições e pouco dinheiro.”

Mas isso não se nota no disco! Pois é de tal forma atraente, que suspeito que se tivesse sido gravado de outra forma, não teria metade da magia.

Continuando a percorrer “Sink it all”, paramos em «Trouble». A ‘guitarrada’ tem influência fortíssima de Hendrix e explode nos nossos ouvidos.

A banda em si, acompanha muitíssimo bem todos os riffs, já que este disco ergue-se sob um ponto forte…as guitarras e o baixo…

A penúltima faixa faz-nos lembrar os tempos de Zen. «It Could Be Funny» aproxima-nos bastante dessa fase onde Gon e Mike marcaram presença.

A última música do disco, «It will finally be madness», é a mais calminha, aquela que me parece mais melódica e onde os instrumentos se encontram facilmente…vão e voltam numa perfeita sincronia, “…it will finally be madness”….a cantoria parece-nos vinda de um manicómio, como que dizendo… finalmente alguém louco!

Esperemos que os Hiena consigam a força suficiente para ultrapassar todo o tipo de obstáculos e espero que possam descer ao centro e ao sul do rectângulo á beira mar plantado para mostrar o seu trabalho. “Sink it all” é um  disco de estreia muito bem sucedido, até alguém provar o contrário… rock’s not dead.



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