“Histórias da Minha Vida I” – Giacomo Casanova

“História da Minha Vida I” – Giacomo Casanova

Hora de sair da cama

Se se fizesse um inquérito de rua sobre Giacomo Casanova, perguntando aos inquiridos que adjectivo ou frase usariam para caracterizar esta personagem marcante do século XVIII, muito provavelmente ouvir-se-iam coisas como “o maior galã da história”, “um sedutor endiabrado” ou um “grande maluco”. Porém, à incontornável palavra – e faceta de – “libertino” há que juntar, pelo menos, duas outras: viajante e aventureiro.

Casanova foi um daqueles seres a quem o destino quis brindar com um protagonismo narcisista. Como se lê na iluminada introdução de Miguel Viqueira a “Histórias da Minha Vida I” (Divina Comédia, 2013), Casanova «lançou-se ao mundo como se o mundo fosse uma caríssima produção teatral montada pelo destino para ser ele próprio o encenador e o protagonista exclusivo.»

O livro – que terá uma segunda parte – é uma selecção da monumental “História da Minha Vida”, publicada pela Laffonte em 1993, qualquer coisa como 12 volumes com a publicação integral das memórias de Casanova, além de anexos, outros textos do autor e correspondência variada. Casanova tinha por hábito andar sempre com uns cadernos, onde anotava basicamente tudo: «nomes, lugares, incidências.» Foram estes os cadernos que deram origem à publicação das suas memórias, por ele corrigidas antes da sua morte em 1798.

“Histórias da Minha Vida I” permite conhecer um novo Casanova, um homem que viveu uma luta inglória para alcançar o espírito da realeza, por mais amizades, amores nobres e serviços prestados a reis e príncipes. Além da sua faceta de libertino iremos vê-lo como um homem de letras, um humanista, um intelectual livre-pensador e um infatigável escritor, com uma grande formação artística e musical, uma instrução militar e científica e um gosto pelas ciências ocultas, a alquimia e a cabala; mas também na pele de jogador compulsivo, que ganhava e perdia fortunas com a mesma facilidade e ar de desprendimento, e que passará os últimos anos da sua vida numa terrível decadência física, só e com uma raiva explosiva contra o mundo.

Com tradução esmerada de Pedro Tamen, a edição de “História da Minha Vida” é um dos grandes acontecimentos literários de 2013.



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