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Horizon Zero Dawn | Análise

A Terra já não é nossa neste deslumbrante exclusivo PlayStation 4

Cinquenta anos depois da nossa era, acontece um enorme cataclismo que destrói tudo aquilo que conhecemos enquanto civilização… A história de Horizon Zero Dawn arranca um milénio depois deste evento e conta-nos a aventura de Aloy e da sua tribo que vive num regresso ao estado pré-histórico da humanidade num mundo infestado por criaturas mecânicas. Como é que estas criaturas surgiram?

Aloy vive isolada, renegada pela sua tribo, os Nora, por não ter mãe e é criada por Rost, outro membro dos Nora que também vive colocado de parte. Os dois exploram habitualmente as zonas fora das áreas da tribo, junto do mundo selvagem. No início do jogo, Aloy está a entrar na idade adulta e, por todos os meios ao seu alcance, pretende saber quem eram os seus pais e a razão pela qual foi colocada de parte pelos Nora. Para o conseguir, Aloy terá de subir de estatuto dentro da sua tribo e tal só será possível após conseguir vencer a Prova – um ritual de passagem à idade adulta que lhe concederá a aceitação por parte dos membros dos Nora.

Os Nora vivem ainda num estado de caçadores-recolectores e recusam-se a aceitar e utilizar a tecnologia que ainda existe de tempos prévios ao cataclismo. Aloy por sua vez, à medida que foi crescendo, foi-se especializando a utilizá-la e tornou-se, por isso mesmo, uma melhor caçadora. E é nessa base que a jogabilidade de Horizon Zero Dawn assenta. Sendo um RPG de acção na sua essência, influenciado por vários jogos recentes, com Aloy vamos recolher materiais com os quais podemos depois construir novas armas, equipamento, munições e poções que tornarão toda a nossa vida mais fácil, um pouco ao género do que acontece em The Witcher 3. Tudo isto para facilitar as dinâmicas de combate que também são beneficiadas pela árvore de habilidades que vamos desbloqueando à medida que aumentamos o nível de Aloy e que nos permitem abordar de várias formas as situações que vamos enfrentando. A fazer lembrar Metal Gear Solid V – The Phantom Pain, podemos alternar entre o combate estratégico, utilizando os vários elementos presentes na zona em que estamos, o combate directo sem misericórdia ou até o combate furtivo que, admito, foi a minha forma preferida para abordar a maior parte das situações. Em Horizon Zero Dawn os inimigos possuem habitualmente um ponto fraco e é com base na observação, através do nosso Focus – um visor tecnológico que Aloy utiliza – que vamos conseguir perceber como melhor abordar o combate com cada um deles. Desde criaturas mecânicas gigantescas, a robôs pequenos, alguns lentos, outros rápidos e ainda terrestres e aéreos, a variedade dos combates nunca deixará a desejar.

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E o mesmo se pode dizer de Aloy enquanto personagem na narrativa que cresce à medida que os acontecimentos se vão desenrolando. O seu mundo é um mundo cruel, repleto de dinâmicas entre as tribos e Aloy desempenha um papel fundamental em todo o processo. É bom voltar a ver uma personagem feminina forte, numa indústria que ainda vive repleta por misoginia e machismo, sem que para o conseguir seja necessário exagerar os seus atributos físicos. O carácter de Aloy é a sua maior qualidade e as decisões do jogador são a chave no seu desenvolvimento. Ao estilo da saga Mass Effect, durante os diálogos, embora de forma menos aprofundada, os jogadores vão poder decidir que tipo de abordagem escolhem para cada momento, através de uma “roda” de escolhas. Divididas entre três tipos de escolhas, o jogador terá de explorar várias vezes o modo de campanha para conseguir ver todas as hipóteses e os seus resultados em cada situação e este é um factor que, por isso, atribui repetibilidade a Horizon Zero Dawn. Para além da campanha principal, os jogadores têm ainda ao seu dispor várias missões e actividades secundárias também à semelhança de The Witcher 3. Entre elas estão os Cauldrons, o meu conteúdo secundário favorito e que mais não são do que as dungeons de Horizon Zero Dawn. Estas enriquecem ainda mais a experiência de jogo com puzzles, secções de plataformas e inimigos ainda mais difíceis. Dentro do conteúdo secundário, será nos Cauldron que os jogadores encontrarão os desafios mais complicados mas a julgar pela experiência e upgrades que poderão encontrar ao completá-los, certamente merecerá a pena todo o esforço.

O mundo que a Guerrilla Games criou no Decima Engine, o motor gráfico que faz a estreia no mundo dos videojogos (e que está neste momento a ser utilizado na produção de Death Stranding por Hideo Kojima), é simplesmente fenomenal! As texturas, a vegetação e os efeitos pós-processuais surgem aqui aplicados de forma exímia e penso que ultrapassam até o já brilhante The Witcher 3. O mapa é gigantesco e bastante variado, repleto de pormenores interessantes para explorar, para além claro, das mecânicas criaturas que o habitam. O mundo de Horizon Zero Dawn é fascinante! Este não é um jogo pós-apocalíptico normal em que ainda se reconhecem as cidades e os seus espaços urbanos. Em Horizon Zero Dawn, a natureza tomou conta destes espaços e, aquilo que o pessoal da Guerrilla Games consegue, de uma forma audaz, é convidar-nos a explorar este cenário que já não pertence à raça humana. O resultado são momentos de autêntico deslumbre para o jogador e aqui o Photo Mode cai na perfeição para podermos trazer recuerdos deste fascinante mundo e do trabalho artístico que se esconde por trás. O pacote seria perfeito se, a acompanhar toda a beleza gráfica, também a nível da banda sonora Horizon Zero Dawn fosse exímio, mas é algo que não acontece. Não posso dizer que a banda sonora seja má, mas a verdade é que o jogo merecia mais e se me perguntarem, não me consigo recordar de uma única melodia deste jogo, o que, por si só, isso prova como ela não é especial como os restantes momentos do jogo.

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Depois de Killzone: Shadow Fall, um título que não foi bem sucedido, a Guerrilla Games estreia-se nos jogos de mundo aberto de uma forma sensacional com Horizon Zero Dawn, beneficiado por excelentes influências como The Witcher 3, Metal Gear Solid V – The Phantom Pain e Mass Effect. O mundo que os criadores de Killzone aqui nos oferecem é profundo e repleto de mistérios que despertam a nossa curiosidade. Não vos vou contar como surgiram as criaturas, para não estragar a vossa experiência e desvendar o mistério que as envolve. Não obstante, para aqueles que anteciparam este jogo com grande expectativa, fiquem descansados pois este é um sério candidato a jogo do ano e ainda só vamos no primeiro trimestre de 2017. A curiosidade foi sempre crescendo à medida que me fui envolvendo e passando mais horas neste maravilhoso mundo de Horizon Zero Dawn. O meu interesse nunca se esfumou. Com Aloy, a biblioteca da PlayStation 4 acabou de ganhar um espetacular exclusivo e uma excelente nova personagem para o seu hall of fame.



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