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How To Destroy Angels | “An Omen” (EP)

Viagem exploratória em busca de uma zona de conforto

Quando pensávamos que Trent Reznor se ia dedicar apenas a bandas sonoras de filmes de grande produção e, quando recentemente a imprensa dá conta de que poderá haver em breve um novo álbum de Nine Inch Nails (NIN), eis que acaba de nos oferecer um brinde pré-natalício. Passados dois anos do lançamento do primeiro EP homónimo, os How To Destroy Angels estão de regresso com mais meia dúzia de canções reunidas no EP “An omen”.

As primeiras imagens apresentadas no site oficial do grupo podem remeter-nos para o longínquo “Year Zero”, que já por si mostrava um distanciamento conceptual dos outros álbuns de NIN. Contudo, “An omen” é substancialmente diferente do seu antecessor – ou completamente diferente -, mas falta-lhe o ingrediente secreto que fez de «A Drowning» (canção do EP anterior) uma obra-prima. Trent Reznor até que consegue desafiar o som que lhe é característico, mas as camadas de ruído, os vários efeitos vocais e os arranjos instrumentais começam a desmoronar em algumas das músicas.

Desta vez, Trent Reznor e companhia acabam por arquitectar paisagens sonoras que podem despertar sentimentos inexplorados, provocando nos ouvintes uma viagem exploratória em busca de uma zona de conforto.

“An omen” é uma boa combinação entre a electrónica, o experimental e até a própria experiência sensorial. A voz doce de Mariqueen Maandig a dar vida ao single «Keep It Together» mistura-se e acaba por se destacar bastante bem em sobreposição às vocalizações de Trent Reznor; entre o domínio da electrónica e da simplicidade musical, «Ice Age» é de longe a música que consegue elevar até ao expoente da loucura a nossa audição – mas são sete minutos de música sem variações que podem tornar-se traiçoeiros; «On The Wings» pode deixar-nos com vontade de voar ou de planar por dentro da música. Contudo, as restantes músicas do EP apenas revisitam um universo onde tudo ganha tons de azul, preto e uma distorção da qual o génio não consegue libertar uma ponta de vivacidade.

Trent Reznor costuma fazer “magia” – as suas músicas são detentoras de um poder catártico e as suas composições acabam por transbordar de um lirismo enigmático e provocatório no interior de cada um – mas, aqui, poderia ter feito um pouco melhor. Ainda assim, “An omen” merece uma escuta.



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