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HUIS CLOS – NO EXIT

Em palco fechado

A estranheza instala-se assim que damos de caras com o cenário. São quatro paredes com várias janelinhas em volta, dentro da sala estúdio do Teatro  da Trindade, e com as respectivas cadeiras para cada janela. Um espaço cénico capaz de trasmitir uma ideia de câmara hermética que se coloca como desafio, tanto para os espectadores como para os atores.

A pertinência do cenário coloca o espectador a assistir à peça numa única perpectiva visual (a menos que reveja a peça noutro lugar). É interessante, a certo momento, ver que o próprio espectador pode ser parte do espetáculo a que assiste, uma vez que é simultaneamente observado pelos outros espectadores. Existe, em alguns momentos, uma falta de equilíbrio na intensidade textual, mas que ainda assim não apaga nem ofusca o talento dos atores.

Em conversa com o encenador descobrimos que estas quatro paredes funcionam como um caminho realista para ilustrar o existencialismo do texto de Sartre. Tem sido habitual nos seus trabalhos surpreender-nos com cenários alternativos ao comum palco-plateia, mas diz que não é algo propositado. Apenas procura soluções que sejam desafiantes e aqui isso revela-se no retrato da influência do Outro no Eu e vice-versa, com umas participações especiais de quem vai assistir.

Apesar da existência parecer um tema controverso e até confuso, o enredo é compreensivo e ao mesmo tempo “cria um efeito de espelho, um cruzamento de reflexos, onde ao olharmos para os outros estamos a ver-nos a nós mesmos”, como diz Rui Neto acerca deste projeto. É um texto que conta a história de três desconhecidos confinados a uma sala e que levanta aspetos da consciência questionáveis, que levam a que o encenador queira continuar a explorá-lo, sendo que esta é a segunda reposição de HUIS CLOS – NO EXIT.

HUIS CLOS – NO EXIT de Jean-Paul Sartre Tradução e Encenação Rui Neto Interpretação Lia Carvalho, São José Correia e Miguel Raposo Iluminação João Rafael Silva Som Cristóvão Campos Cenografia e Figurinos Rui Neto Construção Cenográfica Duarte Cunha Marisa Fernandes Assessoria de Imprensa Mafalda Simões Fotografia Mariana Silva Caracterização Rita de Castro Design Gráfico Rui Neto Produção LoboMau Produções Duração 60 min M16 

Excerto Sonoro

 

Em cena no Teatro da Trindade até 9 de Outubro e no Teatro da Comuna de 13 a 23 de Outubro.



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