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Hyrule Warriors: Definitive Edition | Análise | Switch

Bem mais do que um tributo.

Quando anunciado, em 2013, Hyrule Warriors foi recebido com algumas dúvidas, especialmente porque ninguém conseguia imaginar como o espólio da Legend Of Zelda podia funcionar num jogo Warriors (o significado é explicado mais abaixo). Para a surpresa e agrado de muitos, ficou claro o objectivo: celebrar todos os títulos principais da franquia. E, neste Definitive Edition, o que antes era exclusivo para as plataformas Wii U e 3DS, junta-se num único título para a Switch. Essencialmente, trata-se de um jogo que procura responder à questão “como é que as personagens da Lenda de Zelda se comportariam num campo de batalha?”. A resposta da Koei Tecmo foi dotá-las de armas, golpes especiais e linhas de diálogo concordantes com a sua atitude e inseri-las numa história original, cheia de admiráveis tributos visuais e musicais. O jogo é um deleite para qualquer fã e o facto de ter uma jogabilidade subtilmente intrincada eleva-o acima de uma simples homenagem ao nome “Hyrule”.

 

 

Para quem não sabe, um jogo Warriors, ou Musou, refere-se a um estilo popularizado pelos títulos da produtora Koei Tecmo, como Dynasty Warriors ou Samurai Warriors. A acção desenrola-se num campo de batalha gigante repleto de soldados, aliados e inimigos, cujo rank varia entre a infantaria e os generais mais fortes. O objectivo é derrubar, estrategicamente, as bases e comandantes adversários para assegurar a vitória do nosso exército. A este estilo basta acrescentar uma roupagem “zeldiana”, na qual a infantaria são as tropas de Hyrule, os generais são as figura de proa e os campos de batalha são os lugares mais conhecidos da franquia. Na minha opinião, estes últimos foram os únicos a receber menos atenção. Apesar dos locais serem esteticamente fiéis, a maioria tem poucos detalhes visuais, com excepção de algumas zonas. O esforço foi mais concentrado nas figuras emblemáticas. Contamos com um elenco de 29 guerreiros que incluem as personagens principais, secundárias e ainda algumas criadas especialmente para este título. Estas têm um design semelhante ao resto da franquia (excepto, talvez, a vilã), mas são únicas e memoráveis o suficiente para que sejam dignas do seu próprio legado. Todas as figuras, para além de terem fatos alternativos deslumbrantes, têm um arsenal e vários estilos de luta complementares à sua personalidade. O toque de génio revela-se quando percebemos que cada estilo e personagem são ideais para objectivos diferentes. Em cada cenário vão surgindo alvos e objectivos distintos, pelo que é necessário prioritizar quais queremos executar para chegar à vitória mais eficazmente. Não é tarefa fácil, porque não basta escolher uma personagem ideal para causar muito dano num inimigo ou uma outra indicada para afectar grandes áreas. Os eventos não se concentram na zona onde está o jogador e várias coisas podem acontecer ao mesmo tempo em qualquer ponto do mapa. Por isso, precisamos de posicionar correctamente os nossos generais ou fazer uma escolha momentânea entre múltiplas missões. Isto, em conjunto com um soundtrack palpitante, dá à jogabilidade um clima de tensão agradável que nos testa constantemente e nos prende ao comando. O sistema de combate, embora básico, faz com que seja simples e gratificante varrer multidões de infantarias e a maior parte dos comandantes não nos exigem reflexos rápidos. O desafio está em gerir o nosso tempo e as tropas, uma experiência difícil de pôr em palavras, mas espectacular quando posta em prática.

Esta Definitive Edition inclui os fatos de Breath of The Wild para Link e Zelda

A lista de objectivos de cada batalha depende do modo de jogo que escolhemos. Felizmente, Hyrule Warriors Definitive Edition tem vários para nós experimentarmos. O modo Legend pode ser visto como o principal, mesmo sendo o menos desafiante. Aqui, encontramos uma narrativa original que procura juntar todos os cenários dos episódios mais conhecidos da lenda de Zelda. É uma história imprevisível com alguns momentos cómicos, como é o caso da paixoneta que a vilã tem pelo Link. No geral, é aprazível e bem sucedida na maneira como junta os vários ícones da saga e como nos apresenta as personagens originais. É razão suficiente para jogar o modo principal, mas o verdadeiro desafio está no modo “Aventura”, onde temos imensos mapas para descobrir. Estes têm as missões mais difíceis e interessantes do jogo e cada um incluí elementos de exploração. Podemos usar itens, como bombas ou bússolas, para obter mais armas, fatos e upgrades para as personagens jogáveis – algumas só podem ser desbloqueadas desta forma. Para quem só quiser os desafios de cada missão, existe o modo Challenge. Neste, podemos, inclusivamente, tomar as rédeas de uma criatura gigante para dizimar o exército oponente, uma experiência fascinante para os que querem alcançar outro nível de imponência. Combater bosses titânicos tem outro charme quando estamos em pé de igualdade. Finalmente, existe um modo no qual podemos equipar uma fada (que se encontra escondida no primeiro mapa do modo Aventura, algo que não é esclarecido…) para nos dar um upgrade adicional no campo de batalha. Pessoalmente, só queria que a minha fada me desse a melhor vantagem possível, mas sinto que há uma variedade de roupas suficiente para agradar aos que gostam de jogos dress-up.

O modo cooperativo está de volta e mais fluído

O modo cooperativo está de volta e, desta vez, mais fluído

Resumidamente, o jogo não só consegue enriquecer as várias personagens da franquia, como ainda traz uma quantidade enorme de conteúdo para agradar a diversos tipos de jogador durante horas. A jogabilidade é repetitiva, mas existem muitas maneiras de se tornar mais variada, graças à abundância de personagens e diferentes desafios. Infelizmente, peca por ter letras e símbolos muito pequenos, o que incomoda quando a Switch está em modo portátil. Para além disso, a maneira de evoluir cada personagem é desnecessariamente complicada, havendo 4 menus diferentes de progressão: padrões de ataque, ferramentas de batalha, buffs secundários e  melhoramento geral. Por fim, o jogo tem o mau hábito de despejar demasiada informação visual de uma vez. O que vale é que pode ser consultada a qualquer momento durante uma missão, e, exceptuando o tamanho de letra que não pode ser aumentado, os restantes defeitos não mancham a qualidade da experiência. Se não têm nenhuma das versões lançadas anteriormente, esta é a melhor oportunidade para experimentar Hyrule Warriors. Caso tiverem uma, podem reviver a aventura e ver o conteúdo que vos faltava. E, para os donos de ambas, lembrem-se que a versão da Switch oferece uma performance gráfica visivelmente melhor do que a da Wii U, sem comprometer a portabilidade da 3DS. Em última análise, recomendo Hyrule Warriors: Definitive Edition mais aos fãs da Legend of Zelda do que aos restantes jogadores, mas sinto que todos encontrarão alguma diversão neste jogo.



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